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Espanha não recomenda estes peixes a crianças e grávidas. E Portugal?

Em Espanha não se recomenda o consumo de atum, espadarte, tubarão e lúcio a grávidas e crianças até aos 10 anos. Em Portugal, ainda não há evidências que permitam adotar essa medida.

Espanha não recomenda estes peixes a crianças e grávidas. E Portugal?

Em Espanha, o Ministério da Saúde recomendou que crianças e mulheres grávidas não consumam atum, espadarte, tubarão nem lúcio (espécie que, por cá, pode ser encontrada nos Açores, no rio Cávado, Douro, Guadiana e Tejo e também nas barragens de Azibo, Bemposta, Caia e Lamas de Olo). Em causa está a presença de mercúrio nesses peixes. O El País falou com um especialista, Nicolás Olea, que defende que essa "recomendação está atrasada 20 anos". E em Portugal? 

O tema já não é recente, volta é a estar na ordem do dia depois de a Agência Espanhola de Segurança e Nutrição Alimentar (AESAN) ter especificado que estes peixes não devem ser consumidos por crianças com idades entre os três e os 10 anos. Para além disso, a Agência Espanhola indica ainda que crianças com idades entre os 10 e os 14 anos consumam estes tipos de peixe em quantidades moderadas, não ultrapassando os 120 gramas por mês. 

E porquê? A resposta, com base em evidências científicas, é simples: o mercúrio "pode ser um tóxico neurológico nos estágios iniciais do desenvolvimento".

A primeira recomendação da AESAN neste sentido data de 2011 e, no seu site, pode ler-se que a indicação é agora mais estreita porque estudos apontam "que as concentrações de mercúrio na população espanhola são maiores do que as referidas em outros países europeus". A Agência Espanhola concluiu que a alteração da dieta alimentar, com base em baixo teor de mercúrio, reduz a presença do componente.

Albert Goday, diretor do Serviço de Endocrinologia e Nutrição do Hospital Mar del Barcelona, referiu, em entrevista ao meio de comunicação espanhol, que o mercúrio "é prejudicial nos momentos em que o cérebro se está a desenvolver", pelo que fetos e crianças são mais sensíveis. “Para adultos, há menos riscos, porque a capacidade que temos de digerir é maior. Mas em grandes quantidades ainda é tóxico", acrescentou o especialista.

O diretor do Serviço de Endocrinologia espanhol precisou ainda que o mercúrio tem a capacidade de atravessar a placenta e a barreira hematoencefálica, que cobre o cérebro. Os efeitos do mercúrio podem ser vastos, traduzindo-se "no peso, na função locomotora e na função auditiva".

Ao El País, Nicolás Olea, professor da Faculdade de Medicina de Granada, defendeu que esta recomendação está atrasada duas décadas. O docente analisou, ao longo de 20 anos, o impacto dos desreguladores endócrinos - químicos que alteram o equilíbrio hormonal - na população. "Detetámos que muitas crianças com déficit de atenção e hiperatividade tiveram maior exposição ao mercúrio durante a gravidez".

E em Portugal?

Ao Notícias ao Minuto, Francisco Carrilho, ex-diretor do Serviço de Endocrinoloia e Diabetes do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, explicou que, em Portugal, "não há estudos" que evidenciem que se deve adotar a medida de redução de consumo dos peixes em questão.

O endocrinologista recordou, porém, que há uma "iniciativa mundial" que alerta para a "redução da presença do mercúrio" em determinados aparelhos, "como os termómetros", pretendo-se, assim, "reduzir a sua presença nas águas e nos solos". Ora, sendo o atum e o espadarte "peixes de águas mais profundas", é natural "terem um teor de mercúrio superior". "Mas essa quantidade é suficiente para ser considerada tóxica?", essa é uma questão que ainda não é possível responder, pelo menos no que ao peixe consumido pela população portuguesa diz respeito.

Refira-se ainda que fonte da Direção-Geral de Saúde, contactada pelo PÚBLICO, revelou que a avaliação do impacto do mercúrio presente nos peixes está a ser feita "neste momento", tendo sido criado, para o efeito, um grupo de trabalho constituído pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e a Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP), “que está a avaliar a exposição da população portuguesa a este contaminante, bem como a fazer uma avaliação de risco-benefício”, esclareceu a mesma fonte ao jornal.

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