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Autoridades de saúde querem estudos independentes sobre novos cigarros

A responsável pelo Programa Nacional Para o Controlo do Tabagismo defende que devem ser feitos estudos por entidades independentes sobre os novos produtos do tabaco e reforçada a fiscalização das campanhas da indústria, sobretudo junto dos jovens.

Autoridades de saúde querem estudos independentes sobre novos cigarros
Notícias ao Minuto

08:12 - 17/11/19 por Lusa

País Tabaco

"Nós ainda não temos informação científica validada por entidades independentes que nos permita responder com rigor sobre se são mais ou menos nocivos [do que o tabaco]. Uma coisa é certa: são nocivos para a saúde, mas o grau de nocividade não é totalmente conhecido pois eles ainda estão no mercado há pouco tempo, sobretudo o tabaco aquecido", disse Emília Nunes à Lusa.

Na data em que se assinala o Dia do Não Fumador, a responsável pelo Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo (PNPCT) defende que o ideal é "o risco zero" e recorda: "Relativamente aos cigarros eletrónicos, estão agora a aparecer mortes, sobretudo quando são consumidos com determinados aromas ou misturas com derivados de canábis".

"No fundo estamos a passar para um produto que também não sabemos se afinal de contas vai ou não vai mesmo diminuir o risco. Não está demonstrado e não sabemos a médio prazo os ganhos ou não", afirmou.

Emília Nunes explica que a legislação "proíbe totalmente as campanhas feitas pela indústria" e diz que as autoridades precisam de maior capacidade da fiscalização.

"A fiscalização está a cargo de várias entidades, da Direção-Geral do Consumidor, da Alta Autoridade para a Comunicação Social, da Autoridade de Segurança das Atividades Económicas, portanto, precisaríamos também de ter mais capacidade de intervir nessa nossa dimensão", afirmou.

O relatório de 2019 do PNPCT, a que a Lusa teve acesso, reconhece que os jovens têm menos noção do grau de dependência, pois julgam que é fácil deixar e isso torna-os mais vulneráveis a experimentar.

Os dados recolhidos no âmbito do estudo "Comportamentos aditivos aos 18 anos: inquérito aos jovens participantes no Dia da Defesa Nacional", em 2018 - citados no relatório do PNPCT, indicam que 60,1% dos jovens de ambos os sexos disseram já ter consumido tabaco; 48,8% nos últimos 12 meses e 38,3% nos últimos 30 dias.

O relatório do PNPCT diz também que "continuar a fumar ao longo da vida adulta, compromete a saúde e longevidade".

"Se não se conseguir impedir que os jovens comecem a fumar, as próximas gerações continuarão a suportar um pesado fardo, não só em termos de doença, incapacidade e mortalidade prematura, mas também em gastos em tratamentos e serviços de saúde", sublinha o relatório.

O documento alerta também para a necessidade de uma comunidade científica "ativa e isenta de conflitos de interesses", que investigue e produza "a base de comprovação e evidência necessárias à tomada de decisão política, legislativa e técnica, em favor da promoção da saúde pública".

A propósito dos estudos que indicam que as campanhas da industria estão a direcionar-se cada vez mais para os jovens, o relatório sugere que se avance com o protocolo entre a Direção-Geral da Saúde e a Direção-Geral de Educação para a prevenção do tabagismo em meio escolar e reforçar a colaboração com o Instituto Português da Juventude e com as Sociedades Científicas e Organizações Não Governamentais (ONG) nesta área.

Questionada sobre se os novos produtos de tabaco poderiam ser uma boa estratégia para deixar de fumar, Emília Nunes responde: "Na verdade, até podem ter um efeito perverso que é diminuir a perceção de risco e muitas pessoas fumadoras que poderiam querer deixar de fumar passam para estes produtos na convicção de que é igual a deixar de fumar".

"Isto é uma ideia que às vezes a indústria também transmitiu: que fumar aquele produto tem menos risco e, portanto, é equivalente a deixar de fumar, quando na verdade não há confirmação de que assim seja", insistiu.

"Há aqui um ponto comum: todos eles, tendo nicotina, provocam dependência e, portanto, vão colocar os consumidores numa situação de perda de liberdade relativamente ao consumo", acrescentou a responsável, sublinhando: "A ideia que queremos passar é que as pessoas devem mesmo deixar de fumar".

Por outro lado, acrescentou, também importa que os próprios pais sensibilizem as crianças desde cedo para a perigosidade destes produtos, não dando o mau exemplo ao fumar junto deles".

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