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Relação da Universidade com empresas é dos "maiores desafios"

O reitor da Universidade de Coimbra (UC), Amílcar Falcão, disse hoje que a relação da academia com o tecido empresarial é "um dos maiores desafios" da instituição.

Relação da Universidade com empresas é dos "maiores desafios"

"A nossa relação com o tecido empresarial é seguramente um dos maiores desafios, que temos de ultrapassar com sagacidade e determinação", afirmou hoje, na abertura solene das aulas na UC, Amílcar Falcão.

A criação de "uma estrutura ágil, agregadora de parcerias e promotora de ligações entre o tecido empresarial e a academia é crucial para se darem passos muito relevantes na implementação de soluções aos desafios societais", sustentou.

Mas a Universidade de Coimbra também tem de "idealizar uma oferta aos novos tempos da era global, com raízes muito fortes a dois países fundamentais, promovendo a partilha científica e cultural", exemplificou o reitor, referindo-se ao Brasil e à China.

"A escassa oferta de ciclos de estudos em língua inglesa é um constrangimento muito sério para a captação de estudantes internacionais", reconheceu -- a UC tem "o dever de preservar a língua portuguesa ", mas não pode ficar "impávida e serena" a assistir ao que se passa à sua volta, alertou.

Estes desejos, assegurou o reitor, "serão realidade no mais curto espaço de tempo", graças ao "contributo de todas as individualidades e entidades externas" à UC e à "mobilização dos membros da comunidade universitária, que participaram ativamente na preparação do plano estratégico da Universidade" para o próximo quadriénio.

"Acredito numa universidade que investe nas pessoas", afirmou, noutro passo da sua intervenção, Amílcar Falcão, defendendo, designadamente, "um vasto plano de formação direcionado ao corpo técnico, potenciando as competências profissionais e contribuindo decisivamente para uma UC mais preparada para os desafios globais".

Mas também promovendo "a estabilidade das carreiras de investigadores, técnicos e bolseiros com regularização e proteção", realçou.

Depois de referir "alguns exemplos impactantes do excelente trabalho" realizado pelas pessoas ao serviço da UC, apesar das "limitações" que ainda vive, o reitor desafiou a imaginar-se "o potencial de uma comunidade feliz e plenamente realizada".

Do mesmo modo, impõem-se "mecanismos centrados nos estudantes", tanto ao nível do tratamento dos problemas académicos (que deve ser mais célere e menos burocrático), como da "promoção da empregabilidade com uma gestão rigorosa das suas carreiras, mentoria e oferta alargada de estágios".

Para o presidente da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (AAC), Daniel Azenha, "a redução das propinas que entrou em vigor no presente ano letivo é, sem dúvida, um passo em frente rumo à igualdade de acesso ao ensino".

Mas "um conjunto de passos faz uma caminhada e nos últimos quatro anos nem um caminho foi traçado", advertiu, defendendo, já para a próxima legislatura, "um quadro de apostas mais ambicioso" para o ensino superior, que, "acima de tudo", faça parte de "uma estratégia que inclua todos e não apenas os que podem pagar a sua educação".

Essa estratégia é "mais do que um sonho, é uma escolha sem cores políticas, é o desejo de ter um ensino superior livre, democrático e inclusivo, em que todos podem participar sem barreiras", sublinhou o dirigente associativo.

A sessão, que decorreu na Sala dos Grandes Atos (Sala dos Capelos), terminou com 'oração de sapiência', este ano a cargo de Manuel João Coelho e Silva, catedrático da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da UC.

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