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Tancos: Ex-chefe de gabinete do ministro confirma que recebeu documentos

O ex-chefe de gabinete do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, confirma, pelo menos em parte, a versão do major Vasco Brazão. Resta saber que informou (ou não), posteriormente, o governante que, sublinhe-se, já desmentiu por completo essa informação.

Tancos: Ex-chefe de gabinete do ministro confirma que recebeu documentos
Notícias ao Minuto

14:55 - 10/10/18 por Patrícia Martins Carvalho 

País Polémica

O tenente-general Martins Pereira admitiu, em declarações à RTP, que recebeu uma pasta com documentos sobre a recuperação do material roubado em Tancos. Além disso, o ex-chefe de gabinete do ministro da Defesa revela que já entrou essa documentação no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

“A documentação verdadeira foi entregue hoje [quarta-feira] no início da tarde, no DCIAP, pelos serviços do meu advogado”, revelou o tenente-general em entrevista à televisão pública.

Com esta declaração, confirma-se, em parte aquela a versão dada em tribunal pelo major Vasco Brazão, que coordenava a investigação ao caso Tancos na Polícia Judiciária Militar.

No entanto, não resulta claro se Martins Pereira corrobora na totalidade a versão do ex-porta-voz da Polícia Judiciária Militar (PJM), que havia garantindo ter-lhe entregado documentos que provavam que a recuperação do material roubado em Tancos não era mais do que uma encenação.

Após esta revelação, e questionado sobre se esta documentação coincide com aquela que o seu constituinte diz ter entregue ao ex-chefe de gabinete de Azeredo Lopes, o advogado Ricardo Sá Fernandes sublinhou que "só há um memorando".

Sá Fernandes revelou ainda que até ao momento ainda não obteve resposta quanto ao pedido do seu constituinte, major Vasco Brazão, para ser novamente ouvido no âmbito da investigação dirigida pelo Ministério Público ao reaparecimento das armas furtadas em Tancos.

Quando à utilidade de o Ministério Público (MP) ouvir o ministro da Defesa no âmbito do inquérito em curso sobre o reaparecimento das armas de Tancos, Ricardo Sá Fernandes contrapôs que terá de ser o Ministéiro Público a pronunciar-se sobre essa necessidade ou não, admitindo, contudo, que a defesa de Vasco Brazão pode requerer essa diligência, caso assim o entenda.

Na segunda-feira, recorde-se, o ex-porta-voz da Polícia Judiciária Militar, major Vasco Brazão, pediu para ser ouvido novamente, no âmbito do processo de recuperação das armas desaparecidas de Tancos.

O major Vasco Brazão, recorde-se, disse no seu depoimento perante o juiz de instrução criminal, na semana passada, que o ministro Azeredo Lopes foi informado da operação de encobrimento do material roubado no final de 2017.

Nesse mesmo depoimento, o ex-porta-voz da PJM pormenorizou que, numa reunião com o coronel Luís Vieira, então diretor da PJ Militar, informou o então chefe de gabinete do ministro do sucedido, entregando-lhe uma pasta com toda a informação e que este, à frente dos dois militares, ligou ao ministro a dar conta das informações.

Fora de Portugal aquando da publicação da notícia, o ministro da Defesa acabou por reagir: "Queria dizer categoricamente que é totalmente falso que eu tenha tido conhecimento de qualquer encobrimento neste processo. Não tive conhecimento de qualquer facto que me permitisse acreditar que terá havido um qualquer encobrimento na descoberta do material militar de Tancos".

Já hoje, no arranque do debate quinzenal, o líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão, confrontou o primeiro-ministro com estes novos dados e, na resposta, António Costa reiterou a confiança no ministro da Defesa do seu Governo. Mas o tema acabaria por marcar o debate, com a líder do CDS, Assunção Cristas, mais tarde a perguntar ao chefe do Executivo se Azeredo Lopes têm condições para continuar no cargo.

A "verdade" levou o major Vasco Brazão para casa

O militar português, que se encontrava na República Centro-Africana em serviço com o contingente português da força das Nações Unidas e que regressou esta semana a Portugal, era alvo de um pedido de detenção feito pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal ao Estado-Maior General das Forças Armadas, e foi imediatamente detido assim que pisou território nacional.

A detenção ocorreu no âmbito da operação Húbris, que investiga o caso da recuperação das armas furtadas em Tancos e que envolve o diretor e outros três responsáveis da Polícia Judiciária Militar, um civil e três elementos do Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Loulé.

Ao major Vasco Brazão acabou por ser aplicada a segunda medida de coação mais gravosa, depois de na passada sexta-feira (dia 28), o Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Lisboa ter decretado a prisão preventiva para o diretor da Polícia Judiciária Militar, Luís Vieira, e para o civil.

Os restantes seis arguidos ficaram em liberdade, embora sujeitos a termo de identidade e residência, suspensão do exercício de funções, proibição de contacto com os coarguidos e com quaisquer militares das Forças Armadas, da GNR e elementos da PJM.

O TIC esclareceu que aplicou estas medidas ao diretor da PJM, aos restantes três elementos daquela polícia e aos três GNR pelo "perigo de continuação da atividade criminosa e perigo de perturbação do decurso do inquérito, aquisição e conservação da prova".

Para o único arguido civil, João Paulino, que responde pelos crimes de tráfico de armas e tráfico de droga, o juiz de instrução criminal João Bártolo considerou que há "perigo de continuação da atividade criminosa e de fuga".

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