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Pipa Amorim critica "alheamento" do comando do Exército

O ex-comandante do Regimento de Comandos Pipa Amorim condenou hoje o "total desinteresse" e "alheamento" do comando do Exército para com os militares acusados no processo pela morte de dois instruendos, num almoço que reuniu 400 pessoas.

Pipa Amorim critica "alheamento" do comando do Exército
Notícias ao Minuto

18:48 - 08/09/18 por Lusa

País Declarações

Destinado a manifestar "solidariedade" para com o tenente-coronel Pipa Amorim, que se afirmou "separado prematuramente" do comando do Regimento, o almoço reuniu 400 pessoas, na maioria militares, no ativo e na reserva ou na reforma.

No final do almoço, que se prolongou pela tarde, em Lisboa, Pipa Amorim dirigiu-se aos militares do Regimento que marcaram presença na iniciativa, reconhecendo o seu "desassombro" e advertindo que passarão a ser considerados 'persona non grata'.

"O facto de estarem hoje aqui, junto ao vosso comandante, é uma missão de risco, pois será considerada uma ação conspiratória e passarão a ser 'persona non grata' por quem não comunga dos nossos ideais e princípios éticos", declarou.

O tenente-coronel, que recusou falar aos jornalistas por estar a aguardar a passagem à reserva, disse no seu discurso que desde o primeiro dia à frente do Regimento foi confrontado com "imorais ações persecutórias e com o alheamento e indiferença a que foram votados 19 dos melhores militares da Unidade".

"Um total desinteresse pelos seus legítimos direitos, aspirações e expetativas, abandonados à sua sorte, sem que nunca lhes tenha sido manifestada qualquer solidariedade institucional nem preocupação pelos constantes atentados à sua idoneidade, e bom nome", que consistiram, disse, num "verdadeiro julgamento em praça pública".

Pipa Amorim defendeu que "as Forças Armadas devem ser objeto de uma cultura de compromisso e consenso institucional entre as várias forças políticas e os diferentes órgãos do Estado".

"Pelo que não são concebíveis as constantes e soezes intoxicações mediáticas e as cabalas contra estes militares", criticou.

"Inexplicavelmente, contrariando o obrigatório dever de tutela e a expetável ação de comando, são contemporizadas pelo comando do Exército numa postura consentida ou assumida que se insere em contextos que nada tem a ver com o bem da instituição", acusou.

Organizado pelo tenente-coronel, na reforma, Tinoco Faria, a iniciativa teve na "comissão de honra" o anterior Chefe do Estado-Maior do Exército, Carlos Jerónimo, que se demitiu do cargo em 2016, na sequência de afirmações polémicas do então diretor do Colégio Militar.

Os generais Faria Menezes e José Antunes Calçada, que se demitiram em divergência com o atual Chefe do Estado-Maior do Exército por causa da forma como geriu o caso de Tancos, o embaixador António Tangêr Correa e o coronel comando Raul Folques também marcaram presença no encontro.

No seu discurso, o coronel Raul Folques, que falou na qualidade do comando "mais antigo presente", recusou "que a iniciativa tenha "pretensões de natureza política", sendo antes uma homenagem ao ex-comandante do Regimento de Comandos e enalteceu a sua "carreira competente, diversificada e muito distinta".

"Coragem moral, frontalidade e honestidade é o que se exige" aos comandantes, disse Raul Folques, que disse recusar "o silêncio" face a "sucessivos e premeditados constrangimentos" sobre os instruendos e instrutores envolvidos nos processos de justiça.

Os militares envolvidos no processo pela morte de dois instruendos do 127.º curso, afirmou, "foram acusados com mediatismo e rotulados de forma infame, ostracizados e nunca convenientemente defendidos pela instituição que servem".

O coronel Pipa Amorim foi substituído pelo tenente-coronel Eduardo Pombo, em despacho do CEME, Rovisco Duarte, datado de 08 de maio, segundo noticiou o DN, em julho.

Questionada pela Lusa, a porta-voz do Exército, major Elisabete Silva, disse que a substituição do comandante Pipa Amorim se insere na "normal gestão normal de recursos humanos".

Quanto ao almoço de homenagem a Pipa de Amorim, a porta-voz do Exército disse que o ramo encara com naturalidade, uma vez que é corrente haver "despedidas informais" quando um comandante cessa funções.

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