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"A Turquia tem de demonstrar claramente a sua vontade de ser europeia"

O Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, apelou hoje à Turquia para que respeite os valores democráticos se quiser entrar um dia na União Europeia, um dia após o Presidente turco fazer ameaças aos golpistas.

"A Turquia tem de demonstrar claramente a sua vontade de ser europeia"
Notícias ao Minuto

11:04 - 16/07/17 por Lusa

Mundo Juncker

"Um ano após a tentativa de golpe de Estado, a mão da Europa continua estendida", escreveu Juncker num texto publicado pela edição de hoje do jornal alemão Bild, numa altura em que as negociações para a adesão da Turquia à UE estão há vários anos num impasse.

No entanto, o presidente da Comissão Europeia acrescentou que, em troca, "a Turquia tem de demonstrar claramente a sua vontade de ser europeia e assumir de forma decidida os valores europeus fundamentais".

"Uma União dos direitos humanos, da liberdade de imprensa e do Estado de direito não é, por exemplo, compatível com a prisão em isolamento de jornalistas sem uma acusação judicial", afirmou Juncker, numa referência ao caso de um jornalista germano-turco, Deniz Yücel, acusado por Ancara de apoio ao terrorismo.

No sábado, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, comemorou o primeiro aniversário da tentativa de golpe de Estado com a promessa de "arrancar a cabeça aos traidores".

O Governo turco tem acusado a rede do predicador islamita Fethullah Gülen, exilado nos Estados Unidos desde 1999, de ter organizado o golpe de Estado de julho de 2016 e desencadeou uma repressão sem precedentes contra os alegados membros desta organização.

De acordo com os números de organizações independentes, desde o golpe já foram despedidas 138.148 pessoas (funcionários públicos, professores, académicos, juristas, militares), e registadas mais de 115.000 detenções e cerca de 55.000 prisões efetivas.

Quase 2.100 escolas e universidades foram encerradas, 3.271 académicos perderam o emprego, 4.424 juízes e procuradores foram demitidos, 149 media (incluindo informáticos) foram fechados e 269 jornalistas detidos.

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