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HRW. "Aparente crime de guerra" em ataque que matou 106 palestinianos

Um ataque israelita que atingiu um prédio residencial de seis andares em Gaza, matando pelo menos 106 civis palestinianos em 31 de outubro do ano passado, é um "aparente crime de guerra", denunciou hoje a Human Rights Watch (HRW).

HRW. "Aparente crime de guerra" em ataque que matou 106 palestinianos
Notícias ao Minuto

13:35 - 04/04/24 por Lusa

Mundo Israel

Num comunicado, a organização não-governamental (ONG) de direitos humanos apontou que entre as vítimas mortais deste ataque aéreo israelita constam 54 crianças.

A HRW não encontrou provas que houvesse um alvo militar nas imediações do edifício no momento do ataque israelita, o que torna o ataque, segundo sustentou a ONG, indiscriminado e ilegal ao abrigo das leis da guerra.

As autoridades israelitas não forneceram qualquer justificação para o ataque.

Segundo a HRW, o longo historial das forças militares israelitas de não investigarem de forma credível os alegados crimes de guerra sublinha a importância do inquérito do Tribunal Penal Internacional (TPI) sobre crimes graves cometidos por todas as partes envolvidas no conflito em curso entre Israel e o grupo islamita palestiniano Hamas na Faixa de Gaza.

Entre janeiro e março deste ano, e no âmbito da investigação a este ataque específico, a ONG fez entrevistas por telefone a 16 pessoas, que ficaram feridas ou perderam familiares no ataque.

A HRW também analisou imagens de satélite, 35 fotografias e 45 vídeos das consequências do ataque, bem como outras fotografias e vídeos relevantes divulgadas nas redes sociais.

A organização referiu que não conseguiu visitar o local do ataque porque as autoridades israelitas bloquearam praticamente todas as entradas para Gaza desde 07 de outubro, data que marca o início do atual conflito. A ONG frisou ainda que Israel tem negado os seus pedidos de acesso ao enclave palestiniano ao longo dos últimos 16 anos.

As testemunhas ouvidas pela HRW disseram que em 31 de outubro, 350 ou mais pessoas estavam no edifício residencial bombardeado, que ficava a sul do campo de refugiados de Nuseirat. Pelo menos 150 foram para o local depois de terem fugido das respetivas casas situadas em outros locais da Faixa de Gaza.

Sem aviso prévio, segundo relatou a ONG, um ataque aéreo atingiu o edifício em cerca de 10 segundos. O prédio ficou totalmente destruído e nenhuma das testemunhas entrevistadas pela ONG disse ter recebido ou ouvido falar de qualquer aviso das autoridades israelitas para evacuar o prédio antes do ataque.

A HRW confirmou a identidade de 106 pessoas que morreram nesse ataque israelita - 34 mulheres, 18 homens e 54 crianças - através de entrevistas com familiares de algumas das vítimas. O número total de mortos poderá ser maior e é possível que outros corpos permaneçam sob os escombros do edifício.

A ausência de um alvo militar nas imediações torna o ataque ao edifício deliberado ou indiscriminado, referiu a HRW, destacando que o facto de o edifício ter sido atingido quatro vezes sugere que as munições se destinavam a atingir aquela infraestrutura e que o ataque não foi resultado de uma avaria ou de um desvio de orientação dos armamentos.

Mesmo com a presença de um alvo militar válido, o ataque levantaria questões por ter sido desproporcional, dada a presença visível e esperada de um grande número de civis dentro e ao redor do edifício, de acordo com a HRW.

Na nota informativa hoje divulgada, a HRW defendeu que os aliados de Israel deveriam suspender a assistência militar e a venda de armas a Telavive "enquanto as forças israelitas cometerem violações sistemáticas e generalizadas das leis de guerra contra civis palestinianos com impunidade".

"Governos que continuarem a fornecer armas ao Governo israelita correm o risco de ser cúmplices de crimes de guerra", defendeu a HRW, instando os executivos internacionais a usarem a sua influência, nomeadamente através de sanções específicas, "para pressionar as autoridades israelitas a pararem de cometer graves abusos".

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