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Gabinete de Guerra abalado por disputa entre Netanyahu e rival político

Um importante ministro do Governo israelita está em Washington para conversações com autoridades norte-americanas, provocando uma repreensão do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, indicou hoje fonte oficial.

Gabinete de Guerra abalado por disputa entre Netanyahu e rival político
Notícias ao Minuto

13:37 - 03/03/24 por Lusa

Mundo Israel/Palestina

Segundo a fonte oficial israelita, a viagem de Benny Gantz, um rival político centrista que se juntou ao Governo "linha-dura" de Netanyahu nos primeiros dias da guerra contra o Hamas, após o ataque de 07 de outubro ao sul de Israel, é um "sinal das crescentes divergências" no Governo israelita após quase cinco meses de guerra.

A viagem de Benny Gantz ocorre no meio de profundas divergências entre Netanyahu e o Presidente Joe Biden sobre como aliviar a situação e o sofrimento dos palestinianos na Faixa de Gaza e analisar cenários para o pós-guerra no enclave.

Os Estados Unidos lançaram no sábado, através de carga agarrada a paraquedas, ajuda alimentar sobre a Faixa de Gaza, depois de mais de uma centena de palestinianos que procurava conseguir alimentação nos "comboios humanitários" terem sido mortos pelo exército israelita.

Os lançamentos aéreos contornam o que tem sido um sistema proibitivo de entrega de ajuda, que tem sido dificultado pelas restrições israelitas, por questões logísticas em Gaza, bem como pelos combates dentro do pequeno enclave. 

As autoridades humanitárias dizem que os lançamentos aéreos são muito menos eficazes do que a ajuda enviada por camiões.

As prioridades dos Estados Unidos na região têm sido cada vez mais dificultadas pelo Gabinete de "linha-dura" de Netanyahu, dominado pelos ultranacionalistas. 

O partido mais moderado de Gantz funciona, por vezes, como contrapeso aos aliados de extrema-direita de Netanyahu.

Um funcionário do partido Likud, de Netanyahu, disse que a visita de Gantz ocorreu sem autorização do líder israelita, tendo o primeiro-ministro israelita tido uma "conversa difícil" com Gantz sobre a viagem. "Israel tem apenas um primeiro-ministro", disse Netanyahu a Gantz, segundo a fonte.

No entanto, uma outra autoridade israelita garantiu que Gantz informou Netanyahu da intenção de viajar para os Estados Unidos e de coordenar mensagens, sublinhando que a visita visa, afinal, fortalecer os laços com Washington, reforçar o apoio à campanha terrestre de Israel e pressionar pela libertação dos reféns israelitas detidos em Gaza.

Gantz deve reunir-se com a vice-Presidente norte-americana, Kamala Harris, e com o conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan, segundo fonte do seu partido, a Unidade Nacional.

Ambos os funcionários falaram sob condição de anonimato porque não estavam autorizados a discutir a disputa com a imprensa.

A popularidade de Netanyahu tem diminuído desde o início da guerra, de acordo com a maioria das sondagens, com muitos israelitas a responsabilizá-lo pelo ataque transfronteiriço do Hamas que deixou 1.200 pessoas, a maioria civis, mortas e cerca de 240 pessoas, incluindo mulheres, crianças e idosos, raptadas e levadas para Gaza, segundo as autoridades israelitas.

Os combates subsequentes mataram pelo menos 30.410 palestinianos, cerca de dois terços dos quais mulheres e crianças, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, que não faz distinção entre civis e combatentes. 

Cerca de 80% da população de 2,3 milhões de habitantes fugiu das suas casas e as agências da ONU afirmam que centenas de milhares de pessoas estão à beira da fome.

Os críticos dizem que a tomada de decisões de Netanyahu foi contaminada por considerações políticas, uma acusação que ele nega. As críticas centram-se particularmente nos planos para Gaza do pós-guerra. Netanyahu divulgou uma proposta que permitiria a Israel manter um controle de segurança aberto sobre o território, com os palestinianos locais cuidando dos assuntos civis.

Os Estados Unidos querem ver progressos na criação de um Estado palestiniano, prevendo uma liderança palestiniana renovada a governar Gaza com vista a uma eventual criação de um Estado, visão que é contestada por Netanyahu e pela "linha-dura" do seu governo. 

Outro alto funcionário do gabinete do partido de Gantz questionou a forma como a guerra foi conduzida e a estratégia do país para libertar os reféns.

O Governo de Netanyahu, o mais conservador e religioso de sempre de Israel, também foi abalado por um prazo determinado pelo tribunal para um novo projeto de lei para alargar o alistamento militar de judeus ultraortodoxos, muitos dos quais estão isentos de prosseguir estudos religiosos. 

A questão surgiu num momento em que centenas de soldados israelitas foram mortos desde 07 de outubro e os militares procuram preencher as suas fileiras à medida que a guerra se arrasta.

Gantz, que segundo as sondagens conseguiria apoio suficiente para se tornar primeiro-ministro se a votação se realizasse hoje, é visto como um político moderado. Mas ele permaneceu vago sobre sua opinião sobre a criação de um Estado palestiniano.

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