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França pede que encontrem "terceira via" para eleger presidente no Líbano

O enviado especial francês para o Líbano apelou hoje aos políticos libaneses que encontrem uma "terceira via" para a eleição de um Presidente, sob pena de o país, mergulhado numa crise político-económica, ver ameaçada a sua "própria existência".

França pede que encontrem "terceira via" para eleger presidente no Líbano
Notícias ao Minuto

15:56 - 26/09/23 por Lusa

Mundo Líbano

Perante a "negação da realidade" por parte dos dirigentes dos dois campos políticos rivais libaneses, cinco aliados do Líbano -- França, Estados Unidos, Arábia Saudita, Qatar e Egito -- estão "a perder a paciência e ameaçam rever o apoio financeiro" a Beirute, alertou Jean-Yves Le Drian, antigo chefe da diplomacia francesa.

Para o enviado especial do presidente Emmanuel Macron para o dossiê libanês, há três meses em funções, a avaliação da atual situação é clara: "O prognóstico vital do próprio Estado libanês está em jogo e a sobrevivência do Líbano está em causa".

Em declarações à agência noticiosa France-Presse (AFP), Jean-Yves Le Drian advertiu que, com o colapso económico do país, a par de uma inflação "superior a 200%" e de um desemprego endémico, "os dirigentes políticos estão em negação, o que os leva a fazer jogos táticos em detrimento dos interesses do país".

Desde o final do mandato do presidente Michel Aoun, a 31 de outubro de 2022, os dois campos opostos -- o movimento xiita libanês pró-iraniano Hezbollah e os seus aliados, por um lado, e os seus opositores, por outro - têm-se esforçado na eleição dos respetivos candidatos no parlamento, apesar de nenhum deles deter a maioria no hemiciclo.

"Nem um nem outro pode vencer. Nenhuma das duas soluções pode funcionar", afirmou o enviado especial, no regresso a Paris após uma terceira deslocação a Beirute.

O Hezbollah apoia o antigo ministro Sleimane Frangié, próximo de Damasco, e a oposição propõe o nome de Jihad Azour, funcionário do Fundo Monetário Internacional (FMI).

"É importante que os atores políticos ponham fim a esta crise insuportável para os libaneses e tentem encontrar uma solução de compromisso através de uma terceira via", insistiu o enviado especial.

Entre as alternativas possíveis, o nome do chefe do Estado-Maior do Exército, Joseph Aoun, é um dos mais mencionados. No sistema de partilha de poder confessional, a presidência do Líbano está reservada a um cristão maronita.

Le Drian recusa avançar um nome, sublinhando que é apenas um "mediador" e que cabe aos libaneses determinar o compromisso, que considera possível.

"Fiz uma consulta que mostra que as prioridades dos interessados podem facilmente ser objeto de um consenso", garantiu.

No final da segunda viagem efetuada a Beirute, em julho, Le Drian convidou as duas fações políticas a apresentarem as suas prioridades e as competências que consideravam essenciais para o futuro chefe de Estado.

Perante o "impasse total" em que se encontra o Líbano, Le Drian propõe uma "fase de consulta muito curta", seguida de uma reunião imediata do parlamento, "ao estilo de um conclave", para eleger um Presidente.

O emissário francês associa-se assim à iniciativa do presidentedo parlamento, Nabih Berri, um aliado do Hezbollah, que já foi rejeitada por várias componentes da oposição ao partido pró-iraniano.

O emissário tenciona deslocar-se de novo, em breve, ao Líbano, para dar início a este processo, que prevê que dure "cerca de uma semana".

No primeiro dia do processo, precisou o enviado especial, serão apresentados os "contributos" dos diferentes atores sobre "as prioridades da Presidência sobre as quais podem chegar a acordo para os próximos seis anos", seguindo-se "um diálogo, uma concertação" entre os intervenientes libaneses e, "na mesma sequência", a reunião do parlamento, "em votações abertas sucessivas, à maneira de um conclave, para chegar a uma solução".

Em 2022, o parlamento libanês reuniu-se 12 vezes, sem sucesso, para eleger um Presidente.

Os cinco países aliados do Líbano reuniram-se no passado dia 19 de setembro, à margem da Assembleia-Geral da ONU, em Nova Iorque. Após a reunião não foi emitido um comunicado final, mas os países admitiram estar "profundamente irritados" com o atual impasse.

"Os cinco estão totalmente unidos, profundamente irritados e questionam a sustentabilidade do seu financiamento ao Líbano", sublinharam os países em declarações oficiais, acusando os líderes políticos libaneses de perpetuarem um clima de irresponsabilidade.

Nas mesmas declarações, os países admitiram que as sanções contra aqueles que bloqueiam qualquer compromisso político também continuam a ser uma opção possível. 

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