Os diretores lideravam a Penitenciária do Litoral, a maior prisão do Equador, e o Centro de Detenção Provisória, ambos localizados no complexo penitenciário de Guayas, situado na cidade de Guayaquil, no sudoeste do país.
Além dos diretores, cinco funcionários administrativos e cinco agentes penitenciários também foram detidos, numa operação realizada no âmbito do estado de emergência que se aplica a todas as prisões do Equador devido aos numerosos assassínios ali cometidos.
Agentes policiais e soldados, integrantes da operação, "encontraram armas, bombas, granadas, explosivos, dinheiro e drogas nos escritórios" dos detidos, anunciou o ministério público na rede social X (antigo Twitter).
A nota foi acompanhada de fotos que mostram espingardas e revólveres apreendidos, bem como soldados a remover partes do telhado do complexo prisional, sob o qual o arsenal estava escondido.
O SNAI, órgão que administra as prisões do Equador, e cujo diretor, Guillermo Rodríguez, se demitiu na terça-feira, disse em comunicado que "irá cooperar plenamente com as investigações iniciadas" na sequência da apreensão.
Também na sexta-feira, uma operação policial e militar apreendeu, na posse dos detidos nas duas prisões, 98 pistolas e outras armas, incluindo metralhadoras, um lançador de granadas e 88 cargas explosivas, assim como centenas de telemóveis, rádios e consolas de jogos.
A Penitenciária do Litoral, que alberga 5.600 reclusos, registou entre 23 e 25 de julho a morte de 31 detidos, em confrontos entre grupos rivais de crime organizado, que lutam pelo controlo da prisão, avançou o Ministério Público.
Um censo recente concluiu que as 36 prisões do Equador abrigam um total de 31.321 detidos, embora só tenham uma capacidade estimada para 30 mil pessoas.
A maioria dos detidos foi condenada por tráfico de drogas, um flagelo crescente no país localizado entre a Colômbia e o Peru, os maiores produtores mundiais de cocaína.
Cerca de 430 detidos foram assassinados em prisões do Equador desde 2021, sendo que dezenas foram esquartejados e queimados.
No ano passado, um comité de pacificação criado pelo governo do Presidente Guillermo Lasso chamou as prisões do Equador de "armazéns de seres humanos e centros de tortura".
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