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"Sinais de fraqueza" e de "pânico". As reações ao discurso de Putin

Países reagem ao discurso do presidente da Rússia e reiteram apoio à Ucrânia.

"Sinais de fraqueza" e de "pânico". As reações ao discurso de Putin

São vários os países que já reagiram ao discurso que marcou a manhã desta quarta-feira. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, voltou a dirigir-se à nação para anunciar a assinatura e entrada em vigor de um decreto de mobilização militar parcial para efetuar contraofensiva na Ucrânia.

Os governantes estrangeiros que já se pronunciaram consideram que esta mobilização, além da convocação de referendos sobre a anexação das autoproclamadas repúblicas de Donetsk e Lugansk, e das administrações de Kherson e Zaporíjia, na Ucrânia, revelam sinais de fraqueza e de falhas da Rússia e prometem continuar a apoiar o país liderado por Zelensky. 

A embaixadora dos Estados Unidos na Ucrânia, Bridget Brink, foi uma das primeira a pronunciar-se e garantiu que os norte-americanos vão apoiar a Ucrânia "pelo tempo que for necessário".  

"Referendos e mobilizações falsos são sinais de fraqueza, de fracasso russo. Os Estados Unidos nunca reconhecerão a alegação da Rússia de supostamente anexar o território ucraniano, e continuaremos com a Ucrânia pelo tempo que for necessário", escreveu no Twitter. 

Petr Fiala, primeiro-ministro da República Checa, também recorreu ao Twitter para dizer que o anúncio de mobilização parcial feito por Putin é "mais uma prova de que a Rússia é o único agressor" no conflito.

"A mobilização parcial anunciada por Vladimir Putin é uma tentativa de fazer escalar ainda mais a guerra lançada pela Rússia na Ucrânia e mais uma prova de que a Rússia é o único agressor. A ajuda à Ucrânia é necessária e temos de continuar a fazê-lo pelo nosso próprio interesse", declarou.

Ben Wallace, ministro da Defesa do Reino Unido, defendeu que esta mobilização é a "admissão de que a invasão está a falhar".

O facto do Presidente russo, Vladimir Putin, "ter quebrado a sua própria promessa de não mobilizar parte da sua população e a anexação ilegal de partes da Ucrânia são uma admissão do fracasso da sua invasão" na Ucrânia, afirmou Ben Wallace.

"Ele [Putin] e o seu ministro da Defesa [Serguei Shoigu] enviaram dezenas de milhares dos seus próprios cidadãos para a morte, mal equipados e mal conduzidos", sublinhou.

"Nenhuma quantidade de ameaças ou propaganda pode esconder o facto de a Ucrânia estar a vencer esta guerra (...) e de a Rússia estar a tornar-se um pária mundial", acrescentou o ministro britânico.

Uma opinião partilhada pelo primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, que disse que o decreto que hoje entra em vigor é um "sinal de pânico" do Kremlin. 

"A mobilização, pedindo referendos em Donetsk, é tudo um sinal de pânico", disse Rutte à emissora holandesa NOS, comentando o discurso de Putin.

"A sua retórica sobre armas nucleares é algo que ouvimos muitas vezes antes, e isso deixa-nos frios. Faz parte da retórica que conhecemos. Aconselho a manter a calma", rematou.

Já o vice-chanceler alemão, Robert Habeck, considerou que em causa está "mais um passo errado" de Putin.

Foi "mais um passo mau e errado da Rússia", disse, citado pela Sky News, referindo-se à mobilização militar anunciada.

"Agora vamos, claro, debater e consultar a nível político qual será a melhor forma de responder", acrescentou.

Por sua vez, a Letónia, membro da União Europeia que faz fronteira com a Rússia, esclareceu que não vai oferecer asilo a cidadãos russos em fuga.

"A Letónia consultará aliados e parceiros sobre ações conjuntas relacionadas à mobilização iniciada pela Rússia. É necessário discutir mais apoio à Ucrânia e discutir possíveis medidas de segurança adicionais na região. O nível de ameaça militar à Letónia ainda é baixo", escreveu o ministro dos Negócios Estrangeiros da Letónia, Edgars Rinkēvičs, no Twitter.

"Por razões de segurança, a Letónia não emitirá vistos humanitários ou outros tipos de vistos para os cidadãos russos que evitem a mobilização, nem alterará as restrições de passagem de fronteira para cidadãos russos com vistos Schengen introduzidos desde 19 de setembro", acrescentou.

A China, que se tem recusado a condenar a invasão, afirmou apenas que a posição do país quanto à guerra da Ucrânia "sempre foi clara e não mudou nada" e apelou ao diálogo

"Sempre sustentámos que a soberania e a integridade territorial de todos os países devem ser respeitadas, os propósitos e princípios da Carta da ONU devem ser observados, as preocupações legítimas de segurança de todos os países devem ser levadas a sério e todos os esforços conducentes à resolução pacífica de crises devem ser apoiados", disse Wang Wenbin, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, em conferência de imprensa, após ser questionado sobre o discurso do líder russo. 

Sublinhe-se que também Mykhailo Podolyak, conselheiro do presidente da Ucrânia, considerou que "a vida tem um grande sentido de humor", em reação ao discurso do presidente da Rússia.

No Twitter, o conselheiro presidencial de Volodymyr Zelensky fez uma análise do discurso do líder russo, que dividiu em três pontos, e com traços de alguma ironia. 

"210.º dia da 'guerra de três dias'", começou por escrever. "Mobilização, fronteiras fechadas com bloqueio de contas bancárias e prisão por deserção", descreveu.

"Ainda está tudo de acordo com o plano, certo? A vida tem um grande sentido de humor", completou.

O primeiro-ministro polaco, Mateusz Morawiecki, reiterou o apoio da Polónia à Ucrânia, acrescentando que o objetivo da Rússia é "destruir" o país liderado por Zelensky.

"Faremos tudo o que pudermos com os nossos aliados, para que a NATO apoie ainda mais a Ucrânia para que se possa defender. Os relatos sobre a mobilização parcial foram confirmados. A Rússia tentará destruir a Ucrânia e tomar parte de seu território. Não podemos permitir isso", disse, citado pela Reuters.

Já o ministro da Defesa da Finlândia, Antti Kaikkonen, disse que a situação na Rússia está a ser acompanhada de perto.

“Em relação aos arredores da Finlândia, posso dizer que a situação militar é estável e calma”, disse Kaikkonen, em declarações à mesma agência noticiosa, acrescentando que as "forças de defesa" do país "estão bem preparadas e a situação é monitorizada de perto".

Entretanto, a Lituânia anunciou que vai colocar as suas forças de reação rápida em alerta máximo.

"Como a mobilização militar da Rússia também ocorrerá perto de nossas fronteiras (região de Kaliningrado), a Força de Reação rápida da Lituânia está a ser colocada em alerta máximo para evitar qualquer provocação da Rússia", anunciou no Twitter o ministro da Defesa da Lituânia, Arvydas Anušauskas

Também o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, garantiu que o apoio da União Europeia à Ucrânia permanecerá "firme".

Através do Twitter, o responsável lembrou que o anúncio de mobilização militar, feito esta quarta-feira, coincide com a data em que se assinala o Dia Internacional da Paz. 

"O Kremlin anuncia mobilização no Dia Internacional da Paz 2022 enquanto na Assembleia-Geral da ONU os países trabalham pela cooperação, segurança e prosperidade", começou por escrever.

"Nesta guerra, há apenas um agressor, a Rússia, e um país agredido, a Ucrânia. O apoio da UE à Ucrânia permanecerá firme", acrescentou.

Peter Stano, porta-voz principal da Comissão Europeia para os negócios estrangeiros e da política de segurança, reforçou esta posição e considerou  que a mobilização de reservistas e a realização de referendos de anexação são um "sinal de desespero". 

Quem não deixou de comentar a situação foi o opositor russo Alexei Navalny, que prevê uma "enorme tragédia" com esta mobilização.

"Tudo isso levará a uma enorme tragédia e a uma enorme quantidade de mortes", declarou o principal opositor russo, que atualmente se encontra preso, num vídeo divulgado pelos meios de comunicação russos.

"É claro que a guerra criminosa que atualmente ocorre só se agrava e aumenta, e Putin tenta envolver o maior número possível de pessoas", lamentou. 

[Notícia atualizada às 12h38]

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