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"Terrorismo". ONG denuncia "rapto" de ativistas na Guiné Equatorial

A organização de defesa dos Direitos Humanos equato-guineense Plataforma Somos+ denunciou este domingo a detenção e o desaparecimento de vários ativistas na Guiné Equatorial, e instou o regime de Teodoro Obiang a acabar com o "terrorismo de Estado".

"Terrorismo". ONG denuncia "rapto" de ativistas na Guiné Equatorial
Notícias ao Minuto

13:06 - 19/09/22 por Lusa

Mundo Plataforma Somos+

A organização não-governamental deu conta numa nota à imprensa divulgada este domingo do desaparecimento de, pelo menos, "seis" ativistas detidos na última semana -- entre os quais o ativista Luis Nzo Ondo Nguy e Leoncio Prisco Eko Mba, um músico conhecido como "Adjoguening" -- "raptados", na expressão da Somos+, pelas autoridades do país, porque ausentes de qualquer lista de detenção, uma vez verificadas todas as esquadras de Malabo, a capital.

A Lusa tentou contactar o ativista Luis Nzó sem sucesso e confirmou o seu desaparecimento junto de uma segunda fonte, que desconhece o seu paradeiro "há alguns dias".

A Plataforma Somos+ afirma que Adjoguening, conhecido no país pelo seu protesto num tema de música "rap" no ano passado, terá sido "raptado na terça-feira nas proximidades do Malabo Café por agentes da lei no centro da cidade", na sequência de uma alegada ameaça de bomba no Hotel Sofitel Sipopo.

De acordo com a mensagem de alerta enviada pelo irmão mais novo do músico, escreve a Somos+, a ordem de detenção terá sido "emitida pelo próprio ministro da Segurança Nacional da Guiné Equatorial, Nicolas Obama Nchama".

No caso de Luis Nzo, a ONG foi informada da sua detenção na passada sexta-feira.

"Nos registos das esquadras de polícia visitadas, nenhum dos dois aparece como privado de liberdade, contudo, desde o meio-dia de hoje [16 de setembro], os prisioneiros que estão detidos nas instalações do Comissariado Central 'Ministério da Segurança Nacional', conhecido como Guantánamo, foram proibidos de serem vistos", acrescenta a Somos+.

Este domingo, a organização deu conta do desaparecimento de mais quatro ativistas - Dalmácio Aseko Angue (Nnom-Mbot); Andrés Nvomo Abeso Ndugu e Pelagia Obono Nsue, e um quarto que permanece por identificar.

A Plataforma Somos+ "exige o fim das detenções ilegais e do assédio de cidadãos pelas forças da lei e da ordem" e considera que "tais atos constituem terrorismo de Estado, uma vez que o seu único objetivo é aumentar a incerteza e o medo entre os cidadãos".

A organização insta ainda "o Governo, e especialmente o ministro da Segurança Nacional, Nicolas Obama Nchama, a repensar a sua estratégia de assédio e detenção de cidadãos e membros da sociedade civil".

"Exigimos que o governo adira a todos os tratados, continentais e internacionais, que tenha ratificado e em que se comprometido a garantir e respeitar os direitos humanos dos seus cidadãos", acrescenta a nota.

A Somos+ sublinha que o país é "um Estado de direito", que a "a liberdade de expressão, reunião e associação estão consagradas no artigo 13º da Constituição" do país, criticando a sujeição da população "a tanta pressão e tensão", no contexto de "profunda crise económica, política e social que o país atravessa, resultado de uma política inexistente para lhe dar resposta, e agravada pela corrupção institucionalizada".

Finalmente, a organização "exige que o governo dê uma explicação no Parlamento sobre a ameaça de bomba no Hotel Sofitel Sipopo, bem como a onda de detenções de ativistas" e "responsabiliza o governo do Presidente Teodoro Obiang pela atmosfera de pré-guerra e suas consequências".

Leia Também: Portugal em "silêncio cúmplice" face a regime "totalitário" na Guiné-Bissau

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