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Associação de vítimas de acidentes pede "medidas urgentes" em Moçambique

A Associação Moçambicana para as Vítimas de Insegurança Rodoviária (Amviro) pediu hoje "medidas urgentes" contra os acidentes de viação, assinalando que a sinistralidade tornou as estradas do país em "corredores da morte".

Associação de vítimas de acidentes pede "medidas urgentes" em Moçambique

"As medidas devem ser urgentes, não podem ser anunciadas apenas para baixar a poeira, porque a situação é dramática e as nossas estradas são corredores da morte", disse à Lusa o presidente da Amviro, Alexandre Nhampossa.

O Governo moçambicano prometeu o reforço de medidas de controlo da segurança rodoviária, na sequência da morte em junho de 13 pessoas num acidente de viação no distrito da Manhiça, província de Maputo, sul do país, mas fonte do Ministério dos Transportes e Comunicações disse hoje à Lusa que as novas diretrizes ainda estão a ser "cozinhadas e harmonizadas".

O presidente da Amviro avançou que a demora na atuação contra a mortalidade provocada pela sinistralidade rodoviária torna "toda a sociedade moçambicana autora e cúmplice".

"Falta-nos cidadania para travar este luto e [falta-nos] compaixão perante a vida, porque as mortes nas nossas estradas são já antigas", declarou Alexandre Nhampossa.

As novas medidas devem reforçar a fiscalização do trânsito, com mais polícias íntegros, imunes à corrupção, e meios adequados, porque muitos veículos que se envolvem em acidentes passam por postos de controlo da Polícia de Trânsito, defendeu Nhampossa.

"A posição do comandante-geral da polícia [Bernardo Rafael] de que os agentes de trânsito devem ser inspecionados, tem de ser posta em prática", enfatizou.

A moralização dos agentes das autoridades passa por um combate firme à corrupção, prosseguiu, porque a polícia "denuncia condutores corruptos, mas raramente o faz em relação aos polícias corrompidos".

Também deve ser dado maior enfoque à iniciativa dos passageiros, para interpelarem e denunciaram motoristas de má conduta.

"Ainda há dias circulou um vídeo de um motorista de transporte coletivo a comer e a falar ao telemóvel e os passageiros nada fizeram perante esse perigo", referiu.

Por outro lado, o presidente da Amviro frisou que o modelo de inspeção de viaturas deve mudar radicalmente, porque estes serviços "toleram e fazem vista grossa a falhas mecânicas intoleráveis".

Proliferam documentos falsos sobre a aptidão de muitas viaturas, além de haver zonas com elevada densidade de tráfego sem serviços de inspeção.

A vastidão do território impõe a operacionalização de inspeções móveis de viaturas, para que este serviço não seja prestado apenas nas capitais provinciais.

O presidente da Amviro observou que as autoridades devem assumir que o mau estado das vias também é uma das causas da rápida degradação mecânica das viaturas, contribuindo para a sinistralidade rodoviária.

"É por isso que saúdo que a questão da degradação da Estrada Nacional N.º 1 [a principal do país] se tenha tornado num tema da ordem do dia e o Governo tenha anunciado estar a mobilizar recursos para a reabilitação" da via, enfatizou.

Alexandre Nhampossa defendeu que a segurança rodoviária deve ser parte essencial das cláusulas dos contratos de concessão de estradas.

Na segunda-feira, três pessoas morreram e 15 ficaram gravemente feridas quando um autocarro de longo curso se despistou e capotou junto a uma ponte no distrito de Monapo, província de Nampula, norte de Moçambique.

Os índices de sinistralidade rodoviária em Moçambique são classificados como dramáticos por várias organizações.

Um total de 32 pessoas morreram há um ano no mais grave acidente de sempre nas estradas moçambicanas, quando dois camiões e um autocarro se envolveram numa ultrapassagem irregular na Manhiça, sul do país.

Em média, pelo menos mil pessoas morrem anualmente nas estradas moçambicanas, segundo dados da Amviro.

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