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Ucrânia está empenhada na reconstrução e reforma

Um conselheiro presidencial ucraniano assegurou hoje o empenho das autoridades de Kiev em cumprir o plano de reconstrução e reforma do país candidato à adesão à União Europeia (UE), apresentado na conferência de Lugano.

Ucrânia está empenhada na reconstrução e reforma

Representantes de quase quatro dezenas de países, incluindo Portugal, e cerca de 15 instituições internacionais participaram esta semana, em Lugano, Suíça, numa conferência sobre a reconstrução da Ucrânia após a guerra iniciada pela Rússia em 24 de fevereiro.

O primeiro-ministro ucraniano, Denis Chmygal, apresentou na conferência um plano com um investimento de 750.000 milhões de dólares (mais de 736.600 milhões de euros, ao câmbio atual) num prazo de 10 anos, que inclui reformas relacionadas com a adesão da Ucrânia à UE.

"Vamos levar muito a sério a reconstrução da Ucrânia, a reforma da Ucrânia", disse Alexander Rodnyansky numa entrevista à agência francesa AFP em Lugano.

Rodnyansky, 36 anos, é um dos conselheiros do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e integrou a delegação ucraniana à conferência na cidade suíça.

Professor associado de Economia na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, Rodnyansky considerou que o Governo de Kiev mostrou em Lugano o seu empenho em fazer reformas de longo alcance no país, que obteve recentemente o estatuto de candidato à UE.

"Queremos mostrar ao mundo que temos um roteiro, um plano que é viável e que pode ser executado e implementado em algum momento", disse.

"Queremos ter a certeza de ter todo o apoio possível para isso", acrescentou o conselheiro de Zelensky.

Embora Lugano não fosse uma conferência de doadores, dezenas de países comprometeram-se a apoiar a reconstrução da Ucrânia, após dois dias de discussão.

Os participantes assinaram a declaração de Lugano, que estabelece os princípios-chave para a reconstrução de um país devastado pelo exército russo.

"O processo de recuperação deve ajudar a acelerar, aprofundar, alargar e alcançar os esforços de reforma e a resiliência da Ucrânia, em conformidade com o caminho europeu da Ucrânia", lê-se no documento.

"O processo de recuperação deve ser transparente e responsável perante o povo ucraniano", estabelece ainda.

No primeiro dia da conferência, Denis Chmygal delineou o plano de reconstrução do seu Governo em três partes: assistência urgente, recuperação e modernização.

Depois de se concentrar nas necessidades imediatas das pessoas afetadas pela guerra, o Governo prevê financiar milhares de projetos a longo prazo para transformar a Ucrânia num país europeu, verde e digitalmente avançado.

A Ucrânia conduzirá o plano de reconstrução, mas o processo terá de ser acompanhado por reformas profundas.

"O Estado de direito deve ser sistematicamente reforçado, e a corrupção deve ser erradicada", segundo a declaração de Lugano.

Rodnyansky disse à AFP que a Ucrânia está totalmente comprometida com estes princípios.

"Prevemos a Ucrânia como uma economia reformada e próspera, uma parte integrante da União Europeia", disse.

Apesar das dificuldades causadas pela guerra, Rodnyansky não espera muita resistência dos ucranianos às reformas que terão de ser feitas.

"A adesão à UE é uma motivação tão forte que as pessoas compreenderão e apoiarão qualquer transformação ou reforma importante necessária para alcançar este objetivo", afirmou.

No plano, o Governo de Kiev estima que a guerra, ainda sem fim à vista, já tenha causado danos diretos e indiretos em infraestruturas, ambiente e meios de subsistência do povo ucraniano no valor de 100.000 milhões de dólares (cerca de 98.320 milhões de euros, ao câmbio atual).

Rodnyansky disse esperar que a economia ucraniana cresça de "um ponto muito baixo" para permitir cobrir grande parte das suas necessidades de financiamento.

Apelou também para que seja feita a apreensão de bens russos para financiar parte dos custos, juntando-se ao apelo do seu primeiro-ministro.

"Temos de nos certificar de que desmantelamos realmente a oligarquia russa", disse à AFP, defendendo que os russos ricos que apoiam a guerra do Kremlin são "uma ameaça para o mundo inteiro".

Portugal, que esteve representado em Lugano pelo ministro da Educação, João Costa, vai ajudar na reconstrução de escolas na região de Jitomir, a cerca de 150 quilómetros de Kiev.

A reunião de Lugano será seguida de uma conferência depois do verão, anunciada hoje pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e de uma segunda reunião no Reino Unido, em 2023.

Leia Também: Rússia endurece penas de prisão para quem se oponha ao regime

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