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Marina Silva defende reconhecimento de traumas do colonialismo

Marina Silva, política e ambientalista brasileira, defendeu hoje que as relações entre Portugal e o Brasil devem ser mais de suplementaridade do que de complementaridade e com o reconhecimento dos traumas do colonialismo.

Marina Silva defende reconhecimento de traumas do colonialismo
Notícias ao Minuto

20:53 - 24/06/22 por Lusa

Mundo Colonialismo

"Quando dois reais diferentes se encontram podemos conversar e somar ao que temos e complementar também, fazendo sinergias", afirmou hoje a antiga ministra do Meio Ambiente do Governo de Lula da Silva, na 'Conferência Brasil Portugal: Perspetivas de Futuro', que decorre entre hoje e sexta-feira na Fundação Calouste Gulbenkian, entidade organizadora do evento.

Esta iniciativa que surge no âmbito das comemorações do bicentenário da independência do Brasil, que se celebra este ano.

A antiga ministra do Ambiente do Brasil defendeu que é "necessário haver um reconhecimento dos traumas do colonialismo", referindo-se às perdas dos povos indígenas com a chegada dos colonos, mas também da escravidão dos negros.

À margem do evento, em declarações à Lusa, Marina Silva explicou que, como o Brasil e Portugal são realidades diferentes, na ideia de complementaridade nas relações entre os dois países sugere que "falta alguma coisa" num dos dois Estados.

Já numa relação de suplementaridade "são dois países, duas nações, duas culturas, mas que se encontram no sentido de uma adição".

Isso só é possível "porque a gente tem um passado comum, que foi traumático" mas também teve coisas boas, sublinhou a antiga ministra, que agora é líder do partido Rede de Sustentabilidade.

Mas salientou: "Essas coisas boas não podem ser sobrestimadas para subestimar as coisas ruins. E nem as coisas ruins devem ser esquecidas em nome das coisas boas", nomeadamente "a questão dos indígenas e dos pretos" porque "a escravidão moderna foi de Portugal".

Por outro lado, "o processo de independência do Brasil [de Portugal há 200 anos] não foi de rotura", e é este facto que, na sua opinião, "possibilitou a suplementaridade e uma aprendizagem"

"Então no momento em que gente faz o reconhecimento dos problemas [do passado], fica mais fácil a gente se suplementar", afirmou.

Os dois países podem "suplementar-se socialmente, culturalmente e economicamente", que espera que as bases desse relacionamento não sejam as relações comerciais, mas sim as culturais, porque quem tem "boas relações sociais, culturais e afetivas pode fazer bons negócios".

A conferência, que começou na quinta-feira e termina hoje em Lisboa, tem por objetivo debater o futuro das relações entre Portugal e o Brasil.

Os antigos presidentes portugueses Cavaco Silva e Ramalho Eanes, bem como o antigo chefe de Estado do Brasil Michel Temer e o ministro dos Negócios Estrangeiros português, João Gomes Cravinho, foram alguns dos oradores de quinta-feira.

O Embaixador do Brasil em Portugal, Raimundo Carreiro, foi outras personalidades que fez a sua intervenção na sessão de abertura do evento, durante a qual leu uma mensagem do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Carlos França.

No encerramento, hoje, a conferência conta com a intervenção do Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa.

Leia Também: Eleições no Brasil vão "marcar modelo de inserção internacional do país"

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