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Julgamento de cardeal por irregularidades financeiras no Vaticano adiado

O Tribunal do Vaticano que está a julgar o ex-cardeal italiano Angelo Becciu e outras nove pessoas por irregularidades financeiras nas contas da Santa Sé decidiu hoje adiar o processo até 17 de novembro.

Julgamento de cardeal por irregularidades financeiras no Vaticano adiado
Notícias ao Minuto

13:44 - 06/10/21 por Lusa

Mundo Justiça

O adiamento surge a pedido da defesa do arguido tendo sido indeferido o pedido de anulação do julgamento.

O tribunal ordenou a devolução parcial ao Ministério Público dos documentos relativos apenas a alguns réus para que os documentos que faltavam, incluindo gravações de vídeo da testemunha chave - Monsenhor Alberto Perlasca, que foi inicialmente investigado, mas não foi acusado por dar declarações vitais para a investigação -, sejam reanalisados e entregues antes de 03 de novembro:

O tribunal penal do Vaticano tinha retomado na terça-feira o julgamento contra Angelo Becciu, acusado de desvio de fundos da Secretaria de Estado, um caso histórico por envolver um membro do topo da hierarquia da Igreja católica.

Este processo tem como objetivo determinar se a Santa Sé foi vítima de fraude por parte de um grupo de empresários, ou se se tratou, na verdade, de um sistema de corrupção interna envolvendo importantes líderes da Igreja.

O advogado de Becciu, Fabio Viglione, saudou a decisão que determina um interrogatório sobre dois dos quatro crimes que lhe são imputados e dos quais não foi ouvido, um deles por suposto suborno de Perlasca.

"O procurador deu um passo atrás ao admitir que não realizou os interrogatórios, o que é necessário porque são vitais para evitar um processo", disse o advogado no final da audiência.

Também Giandomenico Caiazza, defensor de Raffaele Mincione, assegurou que ao aceitar todos os pedidos de sua defesa, "foi comprovada a ilegitimidade do envio a julgamento" do seu cliente.

Durante a audiência de terça-feira, os defensores denunciaram que o Ministério Público não lhes forneceu todas as provas, como o depoimento de Perlasca, enquanto a procuradoria respondeu que teve que "proteger a privacidade" e também alegou dificuldades em obter cópias de todos os equipamentos de informática.

O caso em julgamento tenta esclarecer as responsabilidades da venda fraudulenta de um imóvel no centro de Londres e que custou aos cofres da Santa Sé uma quantia estimada de 175 milhões de euros.

A compra do prédio foi feita através de uma rede de financiadores e consultores, na época em que Becciu era, em 2014, substituto do Secretário de Estado para Assuntos Gerais, praticamente o homem de confiança do Papa na gestão administrativa do Vaticano.

Em setembro de 2020 o cardeal Angelo Becciu, prefeito da Congregação da Causa dos Santos, resignou ao cargo e aos seus direitos enquanto cardeal, quando o seu nome começou a ser associado ao escândalo financeiro.

Até 2018, o cardeal Becciu era o segundo mais alto funcionário da Secretaria de Estado do Vaticano, reportando diretamente a Bento XVI e, mais tarde, ao Papa Francisco.

Em maio de 2018 o Papa Francisco nomeou o arcebispo italiano Angelo Becciu para prefeito da Congregação da Causas dos Santos, sucedendo ao cardeal Angelo Amato, no cargo desde 2008.

Em dezembro de 2020 e na sequência deste caso, o Papa Francisco assinou o 'motu proprio' (documento papal) no qual retirava ao Secretário de Estado a gestão de fundos, contas bancárias e investimentos imobiliários.

A partir de 01 de janeiro de 2021, esses fundos passaram a ser geridos pela Administração do Património da Sé Apostólica (APSA), um marco da reforma da Cúria que está a ser realizada para conseguir maior transparência nas finanças.

Com este 'motu proprio', Francisco reduziu o número de gestores económicos na Santa Sé e concentrou a administração, a gestão e as decisões económicas e financeiras nos dicastérios (ministérios) que têm essa tarefa.

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