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OMS admite resposta "lenta" a suspeitas de abusos sexuais de funcionários

O responsável da Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceu que a resposta da agência das Nações Unidas às suspeitas de abuso sexual, envolvendo funcionários na República Democrática do Congo durante um surto de Ébola, foi "lenta", foi hoje revelado.

OMS admite resposta "lenta" a suspeitas de abusos sexuais de funcionários
Notícias ao Minuto

16:12 - 28/05/21 por Lusa

Mundo OMS

O mais alto órgão decisório da OMS, a Assembleia Mundial da Saúde, reuniu-se esta semana para os países abordarem assuntos como o modo de reformar o programa de emergências da agência de saúde das Nações Unidas, após os seus erros na resposta à pandemia do novo coronavírus.

Embora a Assembleia Mundial da Saúde não tenha dedicado um ponto específico da agenda à alegada má conduta de funcionários na República Democrática do Congo (RDCongo), realizou uma mesa-redonda hoje sobre a prevenção do abuso sexual.

"Em muitos aspetos, somos todos culpados pelo que acontece nestas situações", disse Michael Ryan, chefe de emergências da OMS.

Antes desta reunião, alguns diplomatas já tinham pressionado o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, sobre a questão nas reuniões à porta fechada.

Pelo menos seis países levantaram preocupações, na semana passada, sobre a forma como a agência estava a lidar com o abuso e exploração sexual, citando notícias recentes na imprensa, e Tedros tentou acalmar as suas preocupações.

"Consigo compreender a frustração", afirmou o responsável máximo da OMS, numa reunião do comité do conselho executivo da organização, em 19 de maio.

Segundo uma gravação da reunião obtida pela agência Associated Press (AP), o diretor-geral disse que foi preciso tempo para lidar com problemas de segurança no Congo, para instalar uma comissão para investigar alegados abusos sexuais e para pôr o grupo a funcionar.

"A forma como esta coisa foi gerida até agora, embora tenha sido lenta... espero que satisfaça", afirmou Tedros.

O gabinete de imprensa da OMS recusou-se a comentar a afirmação de Tedros, sobre uma resposta lenta relativamente ao assunto, mas disse que a comissão estava "empenhada em conduzir uma investigação exaustiva de todas as alegações recentes, incluindo as relacionadas com ações de gestão".

Os copresidentes do grupo foram convidados a assinar um acordo de confidencialidade com a OMS.

A comissão não inclui quaisquer agências de aplicação da lei para investigar se alguma das alegações de exploração sexual foi criminosa e os relatórios serão apresentados apenas à OMS.

Tedros criou a comissão em outubro, após terem surgido notícias sobre abusos sexuais, durante os esforços da OMS para conter a epidemia de Ébola na RDCongo, de 2018 a 2020. Na altura, o diretor-geral disse que estava "indignado" e que iria agir rapidamente para punir os responsáveis.

Mas, mais de sete meses depois, ainda não foi divulgado publicamente qualquer detalhe sobre o seu trabalho ou descobertas. A comissão começou o trabalho no Congo em 03 de maio e espera publicar um relatório no final de agosto, disse o grupo.

Muitos países afirmaram esperar mais ação. "Discutimos as alegações em reuniões com a liderança da OMS", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros da Noruega, Dag-Inge Ulstein, num 'email'. "Reiterámos a necessidade imperativa de tratar tais alegações de forma rápida e minuciosa", sublinhou.

Uma investigação da AP publicada no início do mês revelou que membros da direção superior da OMS foram informados de preocupações com abusos sexuais em 2019, envolvendo pelo menos dois médicos, que trabalharam para a agência durante a epidemia de Ébola na RDCongo.

A agência obteve um documento que mostrava que dois membros do pessoal da OMS assinaram um acordo com o médico Jean-Paul Ngandu para pagar a uma jovem que alegadamente engravidou. Outro médico, Boubacar Diallo, gabou-se da sua relação com o chefe Tedros, da OMS, e ofereceu às mulheres empregos em troca de sexo, disseram três mulheres à AP.

Mesmo alguns funcionários da OMS parecem insatisfeitos com a forma como a agência lidou com as reclamações.

"Não podemos dar-nos ao luxo de ignorar os sinais de fracasso sistemático e repetido da nossa organização para evitar tais alegados comportamentos e para os abordar de forma justa e atempada", escreveu o comité de pessoal da OMS num 'email' ao pessoal e aos quadros superiores, na semana passada.

O comité exortou os diretores da OMS a tomarem medidas imediatas sobre aquelas alegações, incluindo relatórios de que "a alta direção pode ter omitido as preocupações".

Alguns países disseram aos principais dirigentes da OMS, em reuniões fechadas da semana passada, que esperavam mais pormenores rapidamente.

Catherine Boehme, chefe de gabinete de Tedros, respondeu que "algumas questões continuam a ser objeto de um trabalho em curso". A responsável adiantou que funcionários da OMS vão reunir-se, em breve, com a comissão que investiga as alegações de abuso sexual no Congo para discutir "a investigação em torno da falta de denúncia ou supressão ativa, incluindo a alegação de um encobrimento".

Leia Também: Retiradas 400 mil pessoas no Congo após a erupção do vulcão Nyiragongo

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