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Detenção de ativistas foi duro golpe para o movimento da oposição em Cuba

A detenção em Havana de 14 ativistas cubanos do Movimento San Isidro, cinco deles em greve de fome, foi um duro golpe para o grupo opositor, embora tenha o apoio de artistas e organizações internacionais.

Detenção de ativistas foi duro golpe para o movimento da oposição em Cuba
Notícias ao Minuto

23:22 - 27/11/20 por Lusa

Mundo Cuba

Na noite de quinta-feira, agentes do Estado retiraram à força os dissidentes da casa do artista plástico Luis Manuel Otero Alcántara, no bairro de San Isidro, onde se reuniam desde o dia 16, para exigir a libertação do músico amador Denis Solís González, condenado a oito meses de prisão por "desacatos".

Com as detenções, que coincidiram com a misteriosa queda do Facebook nas redes móveis cubanas - que impediu os elementos do grupo de as transmitirem ao vivo - o Governo cubano pôs fim a um dos maiores desafios que a fraca e fragmentada oposição política lhe colocou nos últimos anos.

"Colocaram todas as mulheres em diferentes patrulhas e os nove homens no carro-gaiola. Em redor estavam cerca de 60 pessoas a repudiar a ação, gritando slogans", contou à agência de notícias espanhola EFE Katherine Bisquet, poetisa e ativista que cumpria cinco dias de greve de fome quando a polícia invadiu a sua casa.

O governo cubano justificou o despejo forçado da casa pela "violação do protocolo de saúde para viajantes internacionais", segundo nota divulgada hoje pelos órgãos de comunicação social estatais.

O texto alega que o jornalista e escritor Carlos Manuel Álvarez, o último a ingressar na concentração da rua Damas, violou o protocolo de quarentena estabelecido para a pandemia covid-19 ao regressar a casa na quarta-feira, depois de chegar dos Estados Unidos.

Assim, os 14 ativistas que conquistaram a atenção dos média em todo o mundo estão hoje dispersos, parcialmente isolados e sem uma linha de ação clara.

"Enquanto eu não puder falar com os outros, não podemos falar sobre um plano, uma estratégia", reconhece Katherine Bisquet.

Contudo, os opositores ao regime cubano não estão sozinhos, já que mais de 70 artistas se reuniram hoje de forma espontânea à frente do Ministério da Cultura em Havana para solicitar um encontro com o ministro Alpidio Alonso.

"Esperamos que o ministro nos atenda para apresentarmos uma reclamação sobre como eles foram tratados e também porque a liberdade artística de todos nós está ameaçada", disse à EFE o porta-voz do grupo, o dramaturgo Yunior García Aguilera.

Alguns dos principais expoentes da música cubana, como Carlos Varela, Leoni Torres ou Haydée Milanés, também expressaram a sua solidariedade aos jovens do Movimento San Isidro, sugerindo ao governo que dialogue e respeite a diversidade de opiniões políticas no sociedade cubana.

Do exterior, os jovens contam com o apoio da Amnistia Internacional (AI), do Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, dos Ministérios das Relações Exteriores da República Tcheca e Holanda, sem que a União Europeia ainda se tenha pronunciado.

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