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Eleições nos EUA: O debate em que pouco ou nada terá mudado

Analistas contactados pela Lusa concordam que nada de substancial mudou com o segundo e último debate entre os candidatos à presidência dos EUA, com melhores prestações de ambos, o que é uma boa notícia para o democrata Joe Biden.

Eleições nos EUA: O debate em que pouco ou nada terá mudado

"Trump precisava de um 'game changer' neste debate e não o conseguiu", disse à Lusa Nuno Gouveia, especialista em política norte-americana, referindo-se ao facto de o Presidente e candidato republicano ir atrás nas sondagens e ter sido muito criticado pela forma como agiu no primeiro debate, no final de setembro, interrompendo muitas vezes o seu adversário.

Para Joe Biden, o debate da noite de quinta-feira (madrugada de hoje em Portugal) era o momento em que precisava de reafirmar o domínio de matérias politicamente sensíveis e sossegar os seus apoiantes sobre a sua boa forma física e mental, depois de muitas 'gaffes' cometidas nos últimos meses, e conseguiu-o.

"O facto de o candidato democrata ter conseguido manter um discurso firme e coerente, embora nada entusiasmante, basta-lhe para manter a vantagem psicológica sobre Trump", disse Jennifer Logan, professora de Ciência Política da Universidade George Washington.

"Joe Biden, com exceção dos últimos minutos, em que apareceu cansado e algo titubeante, teve também uma prestação segura, sendo talvez o seu melhor debate deste ciclo eleitoral, que para ele começou ainda em 2019 nas primárias democratas", concordou Nuno Gouveia.

"O consenso apontará para um empate", diz Gouveia, procurando fazer as contas sobre quem terá mais beneficiado com um confronto em que pouco terá mudado.

Trump esteve bem mais tranquilo do que no primeiro debate, embora mantendo a postura aguerrida, alterando até o seu comportamento tradicional quando está num palco televisivo.

"Chegámos a ver Trump a agradecer à moderadora (Kirsten Welker, da NBC) e a suavizar muito os seus entusiasmos. Quase que diria que o Presidente se tornou o político moderado que ele tanto critica e detesta", conclui Jennifer Logan, sem conseguir esconder o riso perante a sua constatação.

Nuno Gouveia também sentiu essa mudança e aponta para a possibilidade de o candidato republicano poder agora ensaiar uma nova tática, para as duas semanas finais de campanha, procurando virar a mesa de jogo a seu favor.

"Diria que, se Trump tivesse feito uma campanha com a disciplina e o foco que demonstrou ontem à noite, talvez estivesse em melhores condições para a reeleição", explica Gouveia, embora acrescentando que "agora poderá ser tarde para protagonizar um 'volte face' nestas eleições".

Durante o debate, Biden intuiu a alteração de postura de Trump e aproveitou para olhar diretamente para as câmaras televisivas e lembrar os eleitores de que o candidato republicano é o Presidente que governa há quatro anos.

"Vocês conhecem-no. Sabem quem ele é e sabem o que ele tem feito", disse o democrata, antes de recordar também o seu percurso político.

"Esse é o drama de Trump. Mesmo que ele perceba que teria de se transformar para ganhar votos, o seu instinto acabará por o levar para o mesmo rumo. Por isso, voltámos a assistir a uma longa série de mentiras, ou meias verdades, que ele repetiu ao longo do debate", disse Logan, sintonizada com o resultado do 'fact checking' de vários meios de comunicação no final do debate.

Mas também isto não é novo e também isto poderá já não ter grande influência no resultado das eleições de 03 de novembro, numa altura em que as sondagens apresentam um baixo nível de indecisos e em que cerca de 50 milhões de eleitores já votaram antecipadamente.

"Recordo que entre os eleitores registados que já votaram (cerca de metade destes 50 milhões), 51% são democratas e apenas 26% são republicanos. É de esperar que no dia das eleições exista uma grande afluência de eleitores republicanos, mas a dúvida é se será suficiente para Trump surpreender novamente o mundo", conclui Nuno Gouveia.

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