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Após explosões em Beirute, Líbano está a caminho da "catástrofe"

As explosões ocorridas em agosto no porto de Beirute acrescentaram ainda mais crise ao Líbano, onde a situação política, económica e social conduz o país "rapidamente para a catástrofe", disse à Lusa a portuguesa Rita Dieb.

Após explosões em Beirute, Líbano está a caminho da "catástrofe"
Notícias ao Minuto

16:28 - 07/10/20 por Lusa

Mundo Beirute

Contactada telefonicamente pela Lusa a partir de Lisboa, Rita Dieb salientou que o panorama atual do país está a atingir o "limite do insuportável", uma vez que não há um governo fixo, o atual é interino, os políticos não se entendem, a corrupção mantém-se e, até ao final do ano, o banco central libanês vai acabar com os subsídios a bens alimentares, medicamentosos e ainda aos combustíveis.

A população libanesa já estava habituada ao caos económico, mas as explosões no porto de Beirute, a 04 de agosto, agravaram a situação política, económica e social, com o Líbano a caminhar "rapidamente para a catástrofe".

Na opinião de Rita Dieb, e que é "comum à grande maioria da população" de Beirute, é que o Líbano "precisa, e grande parte do povo libanês quer, é acabar com este velho sistema corrupto e que se proceda à criação de um Estado de Direito, onde os governantes façam o que lhes compete, que governem e protejam o país e o povo".

Nascida em Mansoa, 60 quilómetros a leste de Bissau, a advogada Rita Dieb, 48 anos, não exerce atualmente e vive há 16 anos em Beirute.

"Economicamente, enfrentamos o caos em que já vivíamos e caminhamos para a catástrofe, porque até ao final do ano o Banco Central [do Líbano] vai retirar a sua comparticipação a alguns bens alimentares, aos medicamentos e aos combustíveis, elevando assim os preços para o dobro", frisou, adiantando que, em Beirute, já se começa a sentir a escassez de alguns alimentos e medicamentos.

Segundo Rita Dieb, há 16 anos a viver em Beirute -- onde os pais nasceram -, a situação política no Líbano não dá sinais de revitalização.

Após a explosão de 2.750 toneladas de nitrato de amónio no porto de Beirute, a 04 de agosto -- que provocaram a morte a 202 pessoas, ferimentos em cerca de 6.500 e arrasaram bairros inteiros, deixando cerca de 300.000 pessoas sem teto --, o Governo do primeiro-ministro Hassan Diab apresentou a demissão e, pouco depois, foi escolhido Moustapha Adib, que viria a demitir-se a 26 de setembro face às divergências de opinião entre os vários partidos.

Nesse sentido, Rita Dieb considera que não haverá um Governo no Líbano "antes das eleições presidenciais norte-americanas", a 03 de novembro, até porque também falharam todas as tentativas feitas pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, para pôr de pé um executivo inclusivo.

Por outro lado, sublinhou, prevê-se também a continuação da subida do valor do dólar norte-americano ("ou a descida da libra libanesa"), paralelamente à decisão dos bancos comerciais do país manterem o dinheiro cativado.

"Ou seja, aumentará, com certeza, a percentagem da população a viver abaixo do limiar da pobreza, que já é de 50%. E contínua o pesadelo de ter o dinheiro cativo nos bancos. Só temos acesso ao levantamento uma vez por mês de uma quantia limitada e fixa de dólares, que, ainda por cima, é convertida a metade do valor que tem no 'mercado negro'", explicou.

Segundo Rita Dieb, atualmente, um dólar vale, oficialmente 3.900 libras libanesas, enquanto no mercado paralelo o valor sobe para as 8.000 (a moeda libanesa já desvalorizou desde o início do ano mais de 80% em relação à norte-americana).

Em relação às investigações sobre as explosões de agosto em Beirute, Rita Dieb lamenta não haver ainda quaisquer respostas, nem sequer decisões de apoio à reconstrução.

"Continuamos a contar apenas com a ajuda internacional. É necessário que se proceda rapidamente a reconstrução das casas porque temos a chuva e o frio muito próximos. Necessária é também a rápida reconstrução dos hospitais atingidos", sublinhou, salientando que a questão da pandemia do novo coronavírus tem sido remetida para segundo plano em detrimento da questão política.

"Há um aumento substancial da pandemia de covid-19, contando com mais de 1.000 novos casos por dia. Os hospitais públicos estão sobrelotados e já não conseguem dar resposta suficiente. Poucos são os hospitais privados que estão a aceitar casos de covid-19", acrescentou.

Outra "grande preocupação", continuou, tem a ver com o início do ano letivo e com o pagamento das propinas que, por serem maioritariamente escolas privadas, o custo é "elevadíssimo".

"O nível de ensino no Líbano é muito alto. Maioritariamente, os libaneses dominam três línguas: árabe, francês e inglês. E o nível de iletrados é muito baixo", reconheceu.

Quanto à comunidade luso-libanesa residente no Líbano, estimada em cerca de uma centena, na maioria com dupla nacionalidade, Rita Dieb salientou que vive as mesmas dificuldades da grande maioria da população.

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