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Breonna Taylor. Morte de jovem negra sem acusados motiva protestos

O governador do estado norte-americano do Kentucky autorizou o envio da Guarda Nacional, de forma limitada, para conter os protestos que se seguiram à decisão de um grande júri ter deliberado não acusar ninguém pela morte de Breonna Taylor.

Breonna Taylor. Morte de jovem negra sem acusados motiva protestos

Um grande júri do estado norte-americano do Kentucky decidiu na quarta-feira não acusar a polícia de Louisville pela morte da afro-americana Breonna Taylor, o que motivou a concentração de centenas de pessoas em protesto.

Mesmo antes de ser conhecida a decisão do grande júri, o presidente da Câmara de Louisville, Greg Fischer, decretou o recolher obrigatório na cidade entre as 21:00 e as 06:30, antecipando uma noite de eventuais protestos e distúrbios.

Ainda antes da entrada em vigor do recolher obrigatório houve ordens de dispersão dadas pela polícia a pequenos grupos de manifestantes que se separaram da manifestação na baixa da cidade, o que foi considerado ilegal pelas autoridades.

Também o candidato presidencial democrata, Joe Biden, já apelou aos manifestantes para que protestem pacificamente, recusando fazer mais comentários à decisão judicial, alegando falta de informação.

Na sequência dos protestos que se seguiram ao anúncio da decisão do grande júri, o governador do Kentucky, o democrata Andy Beshear, autorizou o envio da Guarda Nacional, em moldes limitados, tendo dito em conferência de imprensa que o contingente será deslocado "com base em operações específicas", ficando sob o comando estrito da Guarda Nacional, e tendo por missão a proteção de "infraestruturas críticas" como hospitais.

Beshear disse também na conferência de imprensa que o público precisa de mais informação sobre as provas e factos na base da decisão, pedindo ao procurador-geral estadual, Daniel Cameron, a publicação 'online' de toda a informação possível.

Cameron, que também deu uma conferência de imprensa, emocionou-se ao explicar a decisão judicial e defendeu, mesmo compreendendo que muitos possam ficar revoltados com o resultado, que "justiça popular não é justiça" e que "justiça com base na violência é apenas vingança", proferindo ainda palavras de defesa do trabalho da polícia.

Para alguns ativistas pela igualdade, o procurador-geral estadual, também ele afro-americano, "montou um espetáculo emocional", acusando-o de verter "lágrimas de crocodilo" e de não fazer nada contra o sistema que promove a desigualdade racial.

Cameron é um republicano em ascensão no partido e na política, tendo sido um dos oradores convidados da última convenção dos republicanos. Tem 34 anos, é apoiante de Donald Trump, tendo sido colocado pelo Presidente norte-americano na lista de nomes na corrida ao Supremo Tribunal.

É também visto como o protegido do senador Mitch McConnell, líder da maioria republicana no Senado e seu possível sucessor nesta câmara.

Apenas um polícia, Brett Hankison, estava indiciado no processo relativo ao caso de Breonna Taylor, mas não pela sua morte. Hoje, o grande júri decidiu não fazer acusações pelo homicídio da jovem.

Os procuradores disseram que os agentes que dispararam as suas armas contra a mulher negra fizeram-no justificadamente, em legítima defesa.

O painel de jurados do Kentucky indiciou hoje apenas um polícia por disparar contra apartamentos na vizinhança.

Imediatamente após o anúncio do painel de jurados ao juiz de um tribunal de Louisville, as pessoas que aguardavam com expectativa a decisão expressaram a sua frustração e responsáveis do Until Freedom, uma das organizações que pressionou por acusações contra os polícias, escreveram nas redes sociais que "não se fez justiça".

Taylor, uma profissional de saúde negra de 26 anos, foi baleada várias vezes por polícias que entraram em sua casa, com um mandado de busca no âmbito de uma investigação de tráfico de droga, em 13 de março, provocando comoção e indignação popular, num ano em que os Estados Unidos foram abalados por violentas manifestações contra a violência policial.

No tiroteio, o namorado de Taylor, Kenneth Walker, disparou quando a polícia entrou em casa, atingindo um dos polícias, tendo chegado a ser acusado de tentativa de homicídio, mas posteriormente os procuradores retiraram a acusação.

Em 15 de setembro, as autoridades da cidade de Louisville abriram um processo contra os três polícias, a pedido da mãe de Taylor, concordando em pagar-lhe 12 milhões de dólares (cerca de 10 milhões de euros) e em promulgar reformas no sistema policial local.

Manifestantes em Louisville e em várias outras cidades manifestaram-se, ao longo dos últimos meses, exigindo justiça para Taylor e para outros afro-americanos mortos às mãos da polícia, tendo recebido o apoio de algumas celebridades, incluindo a cantora Beyoncé e a apresentadora televisiva Oprah.

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