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Memorial da Shoah de Paris dá voz aos testemunhos do Holocausto

A libertação dos campos de concentração e a deportação de 76 mil judeus franceses ocorreu há 75 anos e hoje o Memorial Shoah de Paris dá voz aos sobreviventes através de uma exposição e de um ciclo de testemunhos.

Memorial da Shoah de Paris dá voz aos testemunhos do Holocausto
Notícias ao Minuto

20:40 - 26/01/20 por Lusa

Mundo Paris

Para fazer reviver o percurso dos sobreviventes dos campos de concentração em França, o Memorial da Shoah de Paris convidou a escritora Léa Veinstein para realizar a exposição "A Voz dos Testemunhos", que está patente desde hoje até 03 de janeiro de 2021 na capital francesa.

A jovem escritora escolheu sete figuras emblemáticas com impacto na sociedade francesa, desde Primo Levi a Simone Veil, para serem porta-vozes de todos os testemunhos relatados a partir de 1945, através das suas intervenções na rádio, na televisão, mas também através da sua obra literária e ação política ao longo do século XX.

"A nossa intenção ao escolher estas sete figuras emblemáticas foi pegar em pessoas que marcaram a memória coletiva em França e a nível europeu, especialmente através das suas obras e das suas causas. Eles foram porta-vozes de todas as pessoas que estiveram nos campos de concentração", disse Léa Veinstein em declarações à agência Lusa.

Mas a história de Léa Veinstein também podia figurar nestes muros. A autora francesa foi à procura das suas origens e descobriu que o seu bisavô do lado paterno não só era judeu, como foi rabi de uma das sinagogas de Paris durante a ocupação nazi de França.

"É uma história incrível que nem o meu pai conhecia. A minha avó fez parte da geração que só queria esquecer e assimilar-se ao resto da população francesa. Tinha medo, acho eu. Ela nunca contou aos filhos que era judia e havia muito silêncio e uma negação da sua história", contou a autora.

Esta descoberta familiar tornou-se no livro "Isaac", publicado pela Editora Grasset, em 2019. Esta vivência leva a escritora a considerar que cabe às novas gerações continuar a explicar a história do Holocausto.

"Temos, graças à nossa geração, gente que tem talento e que consegue fazer viver a História. Pode ser graças à banda desenhada ou ao cinema. Acredito muito nisso para falar aos mais jovens. Assim como a educação contínua sobre este tema", afirmou.

A exposição é acompanhada de um ciclo de 16 sessões em que os sobreviventes do Holocausto vão falar ao público das suas experiências e das suas histórias. Estes testemunhos vão ser partilhados a partir de hoje e até 29 de março de 2020.

No esforço contínuo da preservação e investigação da memória do Holocausto em França, o Memorial da Shoah apresenta também uma pequena exposição sobre os cerca de 4.000 judeus franceses que regressaram dos campos e que se pensava até agora serem apenas cerca de 2.000.

As novas pesquisas, que aliaram os fundos legados ao Memorial aos documentos pertencentes ao Ministério da Defesa francês, mostram as diferentes formas como os judeus franceses regressaram dos campos, deixando novas pistas para a continuação da investigação, como a fase do acolhimento que resta pouco estudada no país.

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