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Eduardo Bolsonaro partilha vídeo no qual insinua que Macron é um "idiota"

O deputado brasileiro Eduardo Bolsonaro, filho do presidente e indicado para assumir o cargo de embaixador nos EUA, partilhou esta quinta-feira um vídeo no qual se apelida de "idiota" o chefe de Estado francês, Emmanuel Macron.

Eduardo Bolsonaro partilha vídeo no qual insinua que Macron é um "idiota"

"Recado para Macron", escreveu na rede social Twitter o terceiro filho do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, numa publicação em que partilhao um video intitulado 'França em Crise: Macron é um idiota', da autoria de um youtuber brasileiro.

Ao longo do vídeo, datado de dezembro de 2018, são mostradas imagens dos protestos dos Coletes Amarelos contra as políticas de Macron, enquanto o youtuber Bernardo Küster, apoiante de Bolsonaro, tece insultos à figura do chefe de Estado francês, assim como à sua forma de governar.

A publicação de Eduardo Bolsonaro surge no dia em que notícias sobre os incêndios na Amazónia tiveram repercussão mundial, com várias figuras internacionais a mostrarem-se preocupadas com a situação daquela que é a maior floresta tropical do mundo.

Emmanuel Macron foi mesmo um dos políticos a pronunciar-se sobre a situação da Amazónia. Porém, as palavras não foram bem recebidas pelo governante brasileiro.

O presidente francês apelou na quinta-feira para que os incêndios na Amazónia sejam discutidos na cimeira do G7, que se realiza este fim de semana em Biarritz, sudoeste de França, afirmando que se trata de uma "crise internacional".

"A nossa casa está a arder. Literalmente. A floresta Amazónia, o pulmão que produz 20% do oxigénio do nosso planeta, está em chamas. É uma crise internacional. Membros da cimeira do G7, vamos discutir esta emergência de primeira ordem em dois dias", pediu o chefe de Estado francês também na rede social Twitter.

Na cimeira do G7, dos países mais industrializados do mundo, participam os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos da América, França, Itália, Japão e Reino Unido.

Horas após a declaração de Macron, o Presidente brasileiro rebateu o apelo do seu homólogo francês, acusando-o de "mentalidade colonialista" e de querer alcançar "ganhos políticos pessoais".

"Lamento que o Presidente Macron procure instrumentalizar uma questão interna do Brasil e de outros países amazónicos para ganhos políticos pessoais. O tom sensacionalista com que se refere à Amazónia - apelando até com fotos falsas - não contribui em nada para a solução do problema", escreveu Bolsonaro no Twitter.

"O Governo brasileiro segue aberto ao diálogo, com base em dados objetivos e no respeito mútuo. A sugestão do Presidente francês, de que assuntos amazónicos sejam discutidos no G7 sem a participação dos países da região, evoca mentalidade colonialista descabida no século XXI", concluiu o chefe de Estado do país sul-americano.

Também o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, mostrou-se no mesmo dia "profundamente preocupado" com os incêndios numa das "mais importantes fontes de oxigénio e biodiversidade", referindo que a Amazónia "deve ser protegida".

O número de incêndios no Brasil aumentou 83% este ano, em comparação com o período homólogo de 2018, com 72.953 focos registados até 19 de agosto, sendo a Amazónia a região mais afetada, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) brasileiro.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta.

Tem cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

Ainda segundo o INPE, a desflorestação da Amazónia aumentou 278% em julho, em relação ao mesmo mês de 2018.

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