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Libertado professor acusado de usar poderes mágicos para abusar crianças

O canadiano foi condenado em 2015 a 11 anos de prisão por abuxo sexual de crianças.

Libertado professor acusado de usar poderes mágicos para abusar crianças

Um professor canadiano que sempre alegou ter sido erradamente sentenciado a 11 anos de prisão por assédio sexual de crianças numa escola em Jacarta, na Indonésia viu ser-lhe garantida clemência e regressou ao Canadá. A informação foi confirmada pela família ao New York Times esta sexta-feira.

Neil Bantleman, um administrador da prestigiada escola Jacarta Intercultural School, foi condenado em 2015 juntamente com outros seis funcionários de nacionalidade indonésia naquela que é descrita pelos críticos como uma investigação policial cheia de falhas e provas absurdas. Entre as provas submetidas estão alegações de que Neil terá feito uso de poderes mágicos para seduzir as crianças e tornar as cenas dos crimes invisíveis.

"Há cinco anos fui erradamente acusado e condenado de crimes que não cometi e que nem nunca ocorreram", referiu num comunicado, acrescentando que se candidatou a um estatuto de clemência. "Estou feliz de anunciar que me foi dada clemência pela Indonésia o mês passado defendendo o essencial da justiça e dos direitos humanos", disse.

O julgamento levantou dúvidas sobre a competência da polícia, a justeza do sistema judicial indonésio e o país ser indesejável para estrangeiros viverem e trabalharem. O presidente Joko Widodo garantiu-lhe o pedido a 19 de junho.

O caso remonta a 2015 quando a mãe de um menino de seis anos denunciou que este tinha sido sexualmente abusado na escola. Durante o interrogatório, o rapaz disse à polícia que Neil o tinha ajudado a deixar de sentir dor durante os ataques ao inserir-lhe uma "pedra mágica" no anus e que o professor tinha conjurado a pedra do céu. O rapaz disse ainda que os funcionários da escola o tinham abusado e a outras vítimas em "quartos secretos" no campus da escola, que tinham sido mais tarde "escondidos". As buscas policiais nunca encontraram nenhum sinal de locais escondidos.

A isso seguiram-se outras nove famílias a alegarem que os seus filhos também tinham sido abusados e que os abusos tinham ocorrido no meio do dia escolar em locais visíveis, como gabinetes envidraçados, casas de banho ou na cozinha, bem como em quartos secretos.

A polícia apesar de tudo nunca entrevistou funcionários que trabalhassem na parte administrativa da escola, um local repleto de funcionários e alunos durante o dia.

A defesa explicou durante o julgamento que estudos especializados descobriram que as crianças podem inventar histórias elaboradas em que acreditam firmemente serem verdadeiras caso sejam repetidamente sujeitas a interrogatórios sugestivos. Mas o tribunal rejeitou testemunhos de especialistas estrangeiros.

Neil, um professor assistente e cinco auxiliares de educação foram condenados em julgamentos separados e a penas diferentes que variavam entre os sete e os 11 anos. Um sexto auxiliar morreu sob custódia policial durante o intervalo do seu interrogatório. Imagens reveladas mais tarde mostrariam o seu corpo com sinais de abusos físicos, mas o corpo não foi submetido a autópsia.

Os abusos sexuais terão decorrido entre 2013 e 2014, mas a polícia nunca estabeleceu datas específicas para nenhum dos incidentes de que acusavam os homens tornando impossível aos arguidos apresentassem alibis.

Em 2015, o supremo tribunal de Jacarta reverteu as acusações de Neil e do professor assistente e ordenou a sua libertação. Mas seis meses mais tarde voltou atrás e adicionaram um ano às suas penas.

No comunicado, o professor agradece ao governo canadiano pela ajuda a resolver o seu caso.

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