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Resposta de Macron ao Grande Debate "pode ter impacto"

O antigo primeiro-ministro francês, Jean-Pierre Raffarin, disse em entrevista à agência Lusa que o Presidente se expôs demasiado na crise dos "coletes amarelos" e que terá de apresentar medidas fortes no âmbito social, das instituições e das autoridades locais.

Resposta de Macron ao Grande Debate "pode ter impacto"
Notícias ao Minuto

08:15 - 25/04/19 por Lusa

Mundo Raffarin

"As instituições francesas não são feitas para que o Presidente se exponha muito. No que diz respeito a este tema ['coletes amarelos'], o Presidente expôs-se demasiado. É um tema que deve ser tratado pelo primeiro-ministro e não diretamente pelo Presidente. A dificuldade que tivemos neste caso, é a que temos sempre. A França é um país de cariz às vezes monárquico e às vezes regicida. Amamos os nossos soberanos e amamos cortar-lhes a cabeça. E, nesta lógica, o rei é o Presidente e a quem cortamos a cabeça é ao primeiro-ministro", disse Jean-Pierre Raffarin, antigo primeiro-ministro de Chirac entre 2002 e 2005, em entrevista à Lusa.

Afastado por escolha própria da política ativa desde 2017, o ex-governante foi vítima deste sistema em 2005, quando o "Não" ao tratado constitucional venceu em França e ele se viu obrigado a demitir-se.

Atualmente dirige a organização Leaders pour la Paix que luta pelo papel do multilateralismo na política internacional e promove a paz através de iniciativas por todo o Mundo.

No entanto, Raffarin continua a ter um papel de relevo em França, sendo o conselheiro do Eliseu para as relações com a China e pronuncia-se frequentemente nos meios de comunicação nacionais.

Na crise dos "coletes amarelos", o antigo primeiro-ministro diz que a comunicação do Eliseu se deveria ter pautado "pela sobriedade, uma certa forma de reserva" e que não será o movimento em si, mas a resposta dada pelo Presidente, através das medidas propostas após o "Grande Debate", que terão mais influência nas eleições europeias de 26 de maio.

"A expressão [do movimento dos 'coletes amarelos' em si] será fraca, mas terá influência a resposta que o Presidente vai dar ao 'Grande Debate'. É essa resposta que pode ter um impacto nas eleições europeias. Estas conclusões vão ser o fator que pode fazer mexer o eleitorado, especialmente se o Presidente conseguir convencer a população que o 'Grande Debate' foi útil e que ouviu o que os franceses tinham a dizer, especialmente em três domínios: nas instituições francesas, no âmbito social e na gestão das autoridades locais", disse Raffarin, lembrando que apesar de ser um trabalho "importante", o Presidente anunciou ter posto de lado 10 mil milhões de euros para levar a cabo estas medidas.

Jean-Pierre Raffarin, que também foi eurodeputado entre 1989 e 1995, já deu o seu apoio público à lista da Renascença Europeia - que pertence ao partido Republique En Marche, que foi criado para apoiar a eleição de Emmanuel Macron - mesmo tendo sido eleito como senador durante vários anos por partidos de direita. Justifica este apoio com a situação de "emergência" que se vive na Europa.

"Eu acho que a Europa está numa situação de emergência. Estamos prestes a renovar as instituições europeias e será no segundo semestre de 2019 que a Europa vai encontrar ou não a força da sua própria renascença. A renascença não se faz a cinco ou 10 anos, vai acontecer agora [...] e eu não vejo porquê não apoiar o Presidente da República se é ele que vai negociar, em nome da França, tudo isto. Votar contra o Presidente da República nestas eleições é fragilizá-lo face aos seus parceiros europeus", indicou.

Com uma possível vitória da extrema-direita a pairar em França, mas também noutros países europeus, Raffarin reconhece a dificuldade de lidar com as propostas políticas destes partidos.

"Por um lado, dizem que é preciso ter medo da China, por outro não querem Europa, mas é preciso decidirem-se. Sem Europa, temos de nos submeter às grandes potências. Se não queremos isso, a Europa precisa fortalecer-se, mas não é algo fácil. Até o casal França-Alemanha não é fácil de gerir. A fraternidade numa família não exclui a competição", considerou.

Quanto ao que ficará do mandato de Emmanuel Macron, o antigo primeiro-ministro considera que é cedo para prognósticos, mas que o Presidente tem "muito potencial".

"Ainda é cedo para saber como os franceses se vão recordar de Emmanuel Macron. Ele é jovem e tem muito potencial. É verdade que é muito criticado, mas não tem um concorrente óbvio que o ameace na política francesa. Ele ainda está numa posição forte. Acho que está apenas no início do seu percurso político e claro que pode haver acidentes, mas as circunstâncias são favoráveis. E ele corrige todos os dias o seu principal defeito, a falta de experiência. Assim, a cada dia, ele melhora como político", concluiu.

Emmanuel Macron vai anunciar hoje as medidas que vão dar resposta ao Grande Debate, uma iniciativa lançada pelo Presidente francês para responder aos protestos dos "coletes amarelos" tendo recolhido cerca de 2 milhões de propostas de mudança para o país, desde os impostos ao ambiente ou a atribuição dos apoios sociais.

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