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Nova Zelândia: Autor é supremacista branco que odeia imigrantes

O atirador que hoje abriu fogo em duas mesquitas na Nova Zelândia fazendo 49 mortos tentou apresentar os seus motivos no manifesto de 74 páginas que divulgou: é um australiano nacionalista branco de 28 anos que odeia imigrantes.

Nova Zelândia: Autor é supremacista branco que odeia imigrantes
Notícias ao Minuto

23:42 - 15/03/19 por Lusa

Mundo Ataque

No documento, afirmou que estava zangado por causa dos atentados na Europa que foram perpetrados por muçulmanos e que queria vingar-se, queria causar medo. Queria também, claramente, atenção.

Embora declarando não o mover o desejo de fama, o autor do atentado - cujo nome não foi imediatamente divulgado pela polícia - deixou para trás um documento de 74 páginas publicado nas redes sociais sob o nome de Brenton Tarrant, no qual dizia esperar sobreviver ao ataque para melhor disseminar os seus pontos de vista através da comunicação social.

Além disso, transmitiu em direto para o mundo o seu ataque aos fiéis da mesquita Al Noor, na cidade neozelandesa de Christchurch, Cantuária.

O seu 'modus operandi' e as aparentes motivações do sangrento atentado de hoje têm fortes parecenças com o ataque perpetrado pelo extremista de direita norueguês Anders Behring Breivik, cujos crimes têm sido imitados por todo o mundo: uma carnificina, vítimas que representam o multiculturalismo e um "manifesto" divulgado na altura do massacre para o justificar com uma ideologia semelhante.

No documento de 74 páginas divulgado na rede social Twitter antes do ataque, o atirador de Christchurch - um "violento terrorista de extrema-direita" australiano, segundo o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison - afirma que ele "realmente se inspirou no Cavaleiro Justiceiro Breivik", retomando uma fraseologia semelhante à do extremista norueguês.

"Só tive um breve contacto com o Cavaleiro Justiceiro Breivik e recebi uma bênção para a minha missão depois de ter contactado os seus irmãos cavaleiros", escreveu o jovem australiano.

Breivik matou 77 pessoas em 22 de julho de 2011, fazendo explodir uma bomba perto da sede do Governo norueguês, em Oslo, e depois abrindo fogo sobre uma concentração da Juventude Trabalhista na ilha de Utøya.

Reprovando que as suas vítimas defendessem o multiculturalismo, o extremista norueguês, que agora tem 40 anos, propagou, também ele, um "manifesto" de mais de 1.500 páginas no qual deixava um convite para que seguissem o seu exemplo.

Para Tore Bjørgo, diretor do Centro de Investigação sobre o Extremismo da Universidade de Oslo, "são claramente muitas as mesmas ideias que estão por detrás" das duas tragédias.

"A ideia de que a civilização europeia é ameaçada pela imigração em geral, e pela imigração muçulmana em particular, e que é legítimo que se recorra à violência extrema para pôr fim a isso", explicou o especialista, citado pela agência de notícias francesa AFP.

Tal como Breivik antes dele, o homicida de Christchurch ousa, no seu texto, a comparação com Nelson Mandela, afirmando mesmo esperar receber um dia, como ele, o Prémio Nobel da Paz.

"O manifesto é um pouco confuso, em muitos aspetos. É fortemente centrado naquilo a que ele chama o genocídio dos brancos através da imigração em massa", referiu o investigador sueco sobre questões de terrorismo Magnus Ranstorp.

"É a mesma terminologia usada por Breivik", indicou à agência noticiosa sueca TT.

A cumprir uma pena de 21 anos de prisão suscetível de ser prolongada indefinidamente, Breivik - que agora dá pelo nome de Fjotolf Hansen - encontra-se encarcerado em isolamento, sendo a sua correspondência com o exterior rigidamente controlada e, se necessário, bloqueada.

Citado pelo jornal Verdens Gang, o advogado do extremista norueguês, Øystein Storrvik, considerou que devido às condições de prisão, "parece pouco provável que ele tenha tido contacto" com o homicida de Christchurch.

Com ou sem contacto, os atentados de Breivik já inspiraram outros extremistas.

Em 22 de julho de 2016, exatamente cinco anos depois de Utøya, um jovem psicologicamente desequilibrado, descrito como obcecado por Breivik, abateu nove pessoas num centro comercial em Munique, antes de se suicidar.

"Houve também projetos de atentado inspirados em Breivik e mais ou menos avançados na Polónia, na República Checa, em França e nos Estados Unidos", enumerou Tore Bjørgo, do Centro de Investigação sobre Extremismo.

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