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Cabo Verde quer convencer credores internacionais a aliviar dívida

O primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, disse hoje que o arquipélago enfrenta tempos "difíceis" em termos sociais e económicos, devido à pandemia de covid-19, prometendo "transformações" para convencer os credores a aliviar a dívida a externa.

Cabo Verde quer convencer credores internacionais a aliviar dívida
Notícias ao Minuto

12:07 - 31/07/20 por Lusa

Economia Covid-19

Ao abrir esta manhã o anual debate sobre o estado da Nação, na Assembleia Nacional, o último da legislatura iniciada em 2016, o primeiro-ministro fez um balanço dos últimos quatro anos e admitiu as dificuldades criadas em 2020 pela pandemia, que vieram cortar um crescimento económico que, disse, se aproximava dos 7% ao ano.

"Os próximos tempos serão difíceis em termos sociais e económicos. Estamos empenhados na gestão da crise, em dar o máximo para responder à situação atual. Temos uma agenda forte em fase de construção e finalização até setembro, orientada para a aceleração das transformações estruturais e que se devem adaptar ao novo contexto do mundo pós-covid", enfatizou.

Essas transformações, explicou, passam pelo desenvolvimento do capital humano, pela saúde e segurança sanitária, pela transformação digital, pela transição energética e a estratégia da água e pela economia azul. Isto de forma a "posicionar Cabo Verde como um país com uma economia do conhecimento, um país seguro, com uma economia eficiente, competitiva, resiliente, diversificada e alinhada com as grandes tendências da economia verde", e incluindo "um turismo seguro e com maior efeito multiplicador" em todas as ilhas.

"É com estas estratégias incorporadas na Agenda 2030, que iremos convencer os credores internacionais e as instituições financeiras da bondade da nossa proposta de alívio da dívida externa para libertar recursos para o financiamento de investimentos estruturantes para o futuro", afirmou, quando o Governo prevê fechar este ano com um 'stock' de dívida pública (interna e externa) equivalente a mais de 145% do Produto Interno Bruto (PIB).

Garantiu, por isso, que o momento atual é "decisivo para a nação cabo-verdiana", mas que não é "para a cedência a soluções fáceis, ao populismo e ao bloqueio das condições face aos problemas que são graves".

"É o momento para responder com verdade e realismo, é um momento difícil, que tem de ser vencido, do ponto de vista económico, sanitário e social. É um momento de resolver problemas, de proteger, mas de lançar a construção do futuro", disse ainda, perante os deputados.

A Assembleia Nacional cabo-verdiana recebe hoje o último debate sobre o estado da Nação da atual legislatura, tendo em conta a realização de eleições legislativas no primeiro semestre de 2021, marcado pela pior crise económica da sua história, devido à pandemia.

Ulisses Correia e Silva afirmou que em momentos difíceis "é preciso" saber "motivar" e "levantar", sublinhando que o seu "compromisso" é com o país e "não com as próximas eleições".

A quebra no turismo, que representa 25% do PIB de Cabo Verde, é a consequência económica mais visível da pandemia. O país está fechado a voos internacionais desde 19 de março e estima perder mais de meio milhão de turistas até final do ano, face ao recorde de 819.000 visitantes em 2019.

Este debate do estado da Nação, que é aberto pelo primeiro-ministro, acontece no dia seguinte à aprovação pelo parlamento da proposta de Orçamento do Estado Retificativo para 2020, que ascende a 75.084.978.510 escudos (679,1 milhões de euros), entre despesas e receitas, incluindo endividamento, o que representa um aumento de 2,6% na dotação inscrita no Orçamento ainda em vigor.

O Orçamento do Estado em vigor previa um crescimento económico de 4,8 a 5,8% do PIB em 2020, na linha dos anos anteriores, uma inflação de 1,3%, um défice orçamental de 1,7% e uma taxa de desemprego de 11,4%, além de um nível de endividamento equivalente a 118,5% do PIB.

Estas previsões são drasticamente afetadas pela crise económica e sanitária, refletidas nesta nova proposta orçamental para 2020: uma recessão económica que poderá oscilar entre os 6,8% e os 8,5%, uma taxa de desemprego de quase 20% até final do ano e um défice orçamental a disparar para 11,4% do PIB.

Cabo Verde registava no final do dia 30 de julho um acumulado de 2.418 casos de covid-19, diagnosticados desde 19 de março, com 23 óbitos.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 667 mil mortos e infetou mais de 17 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência de notícias France-Presse (AFP).

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