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"Ninguém poderia prever" reversão autoritária na Rússia, afirma Shleifer

O economista Andrei Shleifer, que trabalhou com o governo russo na transição económica depois da dissolução da União Soviética, disse à Lusa que "ninguém poderia prever" a reversão para o autoritarismo, mas considerou a transição económica "bem-sucedida".

"Ninguém poderia prever" reversão autoritária na Rússia, afirma Shleifer
Notícias ao Minuto

14:17 - 31/08/19 por Lusa

Economia Rússia

"A reversão para o autoritarismo aconteceu muito lentamente. Em 2005, se se perguntasse a alguém como a Rússia estaria em 2019, creio que ninguém poderia prever", afirmou Andrei Shleifer em entrevista à Lusa, à margem do 46.º encontro anual da Associação Europeia de Finanças, que decorreu entre 21 e 24 de agosto na Nova School of Business and Economics (SBE), em Cascais, distrito de Lisboa.

No entanto, em termos económicos, o académico nascido na União Soviética em 1961 e emigrado para os Estados Unidos em 1976, que de acordo com o índice RePEc é o mais citado do mundo, classificou a transição de "bem sucedida".

"Se se pensar em transição económica, que foi extremamente difícil, mas foi difícil em todo o lado, acho que de facto foi bastante bem sucedida, no sentido em que a Rússia é, hoje, provavelmente três ou quatro vezes mais rica do que era nos anos 90", considerou.

"É uma economia de mercado, uma economia de mercado bastante estragada, muito seriamente estragada, mas é uma economia de mercado e as pessoas são incomparavelmente mais ricas. Não há dúvidas sobre isso", acrescentou.

Contudo, o economista que trabalhou, nos anos 90, como conselheiro económico do vice-primeiro-ministro responsável pelas privatizações na Rússia, Anatoly Chubais, considerou que atualmente a economia russa "está a estagnar" e "não tem, nem de perto, o mesmo dinamismo que tinha há 10 ou 15 anos".

"Creio que o Estado está a ficar muito mais envolvido", afirmou, algo que faz com que "os mecanismos de crescimento económico fiquem prejudicados".

Andrei Shleifer reconheceu que no início do século XXI estava "largamente mais otimista" acerca da transição política russa para a democracia face ao "que acabou por acontecer", reconhecendo-se hoje "totalmente errado".

"Creio que isto é verdade para a Europa de Leste em termos gerais, mas também penso que as pessoas acabaram por subestimar o sucesso da transição económica e sobreestimar as hipóteses de transição política", considerou.

Politicamente, "é claro que a Rússia é muito mais desafiadora, mas se olharmos para a Polónia, Hungria, República Checa ou outros sítios, é uma confusão em todo o lado", sublinhou.

Para Andrei Shleifer, uma das principais questões em jogo é a capacidade de as instituições dos países resistirem ao "autoritarismo", de forma a contrariar "o gosto do público por líderes fortes".

"Na Rússia a resposta é claramente 'não', provavelmente deveríamos ter pensado nisso mais cedo, e noutros países é algo que ainda está por ver", considerou o economista de Harvard.

"Na Europa de Leste veremos, apesar de eu pensar que as instituições são mais fortes do que na Rússia, mas não é de todo claro por que caminho a Polónia ou a Hungria irão. E na Europa Ocidental pensamos que são fortes o suficiente", acrescentou.

Andrei Shleifer lembrou ainda que "os países em desenvolvimento tendem a variar entre o crescimento económico e prestações económicas fracas, mas também entre ditadura e democracia".

"Assim, e ponha isto entre aspas, a reversão política russa é 'normal' se se pensar no Brasil ou na Argentina", considerou, concluindo que "a Rússia não é assim tão diferente nesse aspeto, mas de facto está a percorrer este período volátil e bastante autoritário".

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