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Analistas estimam crescimento homólogo médio do PIB de 1,7%

Três analistas ouvidos pela Lusa estimam um crescimento homólogo médio da economia portuguesa de 1,7% no segundo trimestre, com estimativas de entre 1,6% e 1,8%, e dois preveem um aumento de 0,5% em cadeia.

Analistas estimam crescimento homólogo médio do PIB de 1,7%
Notícias ao Minuto

16:48 - 13/08/19 por Lusa

Economia PIB

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulga na quarta-feira a estimativa rápida das Contas Nacionais Trimestrais para o segundo trimestre deste ano.

Pedro Amorim, analista da corretora Infinox, é o mais otimista, estimando um crescimento de 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) no final do segundo trimestre deste ano face ao mesmo período de 2018, e de 0,5% relativamente ao primeiro trimestre.

Questionado pela Lusa sobre os motivos para essa previsão, o analista refere o aumento da "formação bruta nacional (investimento) e o aumento do consumo provocado também pelo início da época alta do turismo".

Segundo Pedro Amorim, o aumento do investimento está associado à "continuação de estímulos do BCE [Banco Central Europeu]", que aumentou "a concessão de crédito", que estimulou esse fator.

"O forte crescimento do emprego nesta época provoca também um efeito de aumento do consumo. Estamos numa época de desaceleração económica, mas graças ao setor do turismo consegue manter a sua taxa de crescimento económico", acrescentou o analista.

Já Filipe Garcia, da IMF - Informação de Mercados Financeiros, estimou à Lusa que o crescimento do PIB em cadeia, no segundo trimestre, será de 0,5% face ao primeiro, e em termos homólogos de 1,7% face ao mesmo período de 2018.

"Na parte do investimento há bons sinais, na parte da construção há bons sinais, ou havia naquela altura [segundo trimestre], disse Filipe Garcia à Lusa, acrescentando que sinais recentes mais negativos devem transitar para o terceiro trimestre.

O economista referiu ainda "a própria implementação do [programa de fundos comunitários Portugal] 2020", bem como "uma certa manutenção dos ritmos de crescimento na procura privada (...) devem ter permitido pelo menos manter a atividade do trimestre anterior".

Em termos negativos, Filipe Garcia notou ainda "alguns contributos negativos" em termos de balança comercial, "que antigamente eram quase padrão, nos anos do [programa de] ajustamento".

Filipe Garcia considerou que "os tais ventos positivos do investimento, quer empresarial, quer do setor da construção podem ter sido (...) um bocadinho mitigados pela balança comercial".

Por sua vez Nuno Mello, analista da corretora XTB, prevê um crescimento de 1,6% na economia portuguesa no final do primeiro semestre.

"Esta previsão assenta na continuidade da procura interna por via do investimento mas numa travagem do consumo privado, que ainda assim é suficiente para compensar o défice na balança comercial, com as importações a crescerem a um ritmo mais acelerado que as exportações", afirmou o analista à Lusa.

Em termos internacionais, Pedro Amorim considerou que "os eventos atuais internacionais como o 'Brexit' [saída do Reino Unido da União Europeia] e a guerra comercial não vão afetar Portugal a curto prazo".

Nuno Mello classificou a guerra comercial, "manipulação cambial do yuan por parte das autoridades chinesas", os protestos em Hong Kong e o 'Brexit' sem acordo como "fatores que criam uma atmosfera explosiva" que justificam uma descida do PIB nos próximos trimestres.

Já Filipe Garcia salientou "uma série de riscos relacionados com o abrandamento das principais economias europeias, e também com o 'Brexit'", mas que deverão ter efeitos nos próximos trimestres.

"Olhando para a frente, não é que sejam tudo nuvens negras, mas não me parece que o segundo semestre vá ser mais fácil que o primeiro", concluiu.

O PIB português aumentou 1,8% no primeiro trimestre do ano em termos homólogos, acima dos 1,7% do trimestre anterior, e 0,5% em cadeia, impulsionado pela procura interna, divulgou o INE em 15 de maio.

O Governo espera que a economia cresça 1,9% no conjunto de 2019, acima dos 1,7% previstos pela Comissão Europeia, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco de Portugal e também acima dos 1,6% antecipados pelo Conselho das Finanças Públicas.

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