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Pinhal, o 'feitiço' de Sócrates a Berardo e a "velhaca maledicência"

O antigo administrador do BCP Filipe Pinhal esteve na comissão parlamentar de inquérito à CGD e sugeriu que foi Sócrates quem influenciou Berardo a reforçar a posição no BCP. O antigo primeiro-ministro já veio classificar estas afirmações de "pura e velhaca maledicência".

Pinhal, o 'feitiço' de Sócrates a Berardo e a "velhaca maledicência"

Mais uma audição no âmbito da Comissão de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos (CGD) e mais uma polémica. Na terça-feira, o antigo administrador do BCP Filipe Pinhal esteve no Parlamento, para responder às perguntas dos deputados, e sugeriu que Sócrates 'ajudou' Berardo a reforçar a sua posição no BCP, declarações que foram, entretanto, refutadas pelo antigo primeiro-ministro

"De 2008 a 2012 o presidente do BCP foi o senhor Berardo", adiantou Pinhal, uma afirmação que segundo o próprio iria "surpreender" os deputados. O antigo administrador do BCP explicou que "o senhor Berardo foi presidente da comissão de remunerações", e que da mesma comissão "fazia parte, como vogal, o senhor Luís Champalimaud".

E não se ficou por aqui. Na altura, saliente-se, Berardo reforçou a sua posição no BCP alegadamente com dinheiro emprestado pela CGD - um tema que até vai levar Vítor Constâncio novamente ao Parlamento, a 18 de junho

Ora, de acordo com Pinhal, terá sido o antigo primeiro-ministro José Sócrates quem influenciou Berardo a tomar tal decisão, relatando que, numa conversa que teve com Joe Berardo, lhe perguntou porque é que se já tinha "3,88%, uma posição qualificada, queria subir para 7%", e por que motivo iria "investir 400 milhões de euros". "Eu ainda estou para saber como é que aquele homem me enfeitiçou, como é que aquele homem me deu a volta, como é que eu me meti nesta de ir comprar financiado desta maneira", terá respondido José Berardo, de acordo com Filipe Pinhal.

Para o ex-administrador do BCP a pessoa mencionada por Berardo "só podia ser ou Paulo Teixeira Pinto [ex-presidente do BCP], ou o senhor José Sócrates", sendo que para Filipe Pinhal "a palavra de Paulo Teixeira Pinto teria pouco peso" para José Berardo, ao passo que "a palavra do senhor primeiro-ministro valeria mais".

Perante estas declarações, José Sócrates escreveu uma carta à agência Lusa a acusar o antigo administrador do BCP Filipe Pinhal de ter deixado no Parlamento sugestões de "pura e velhaca maledicência". Acrescentou ainda que "nunca" conversou ou orientou o empresário José Berardo em qualquer investimento.

Pinhal pediu que Berardo "deixasse o BCP em paz"

Ainda na audição de terça-feira, o antigo administrador do BCP disse que pediu a José Berardo para "deixar o BCP em paz" em 2007, desmentindo afirmações do empresário madeirense sobre o papel de Pinhal nas operações para compra de ações do banco.

Isto porque na audição parlamentar de 10 de maio a José Berardo, o empresário disse que Filipe Pinhal lhe sugeriu fazer um crédito na Caixa, já que o próprio BCP não podia financiar compra de ações suas.

Em plena 'guerra', BdP foi "anómalo"

Mais um disparo, mais um alvo. Pinhal classificou de "anómalo" o comportamento do Banco de Portugal (BdP) durante a 'guerra' pelo poder no BCP, e disse que só conseguia explicar o comportamento do governador com "desorientação". 

Sobre o comportamento do então governador, Vítor Constâncio, Filipe Pinhal disse que o anterior líder do supervisor só poderia estar desorientado. "Só o posso entender, numa pessoa habitualmente serena como Vítor Constâncio, com uma grande desorientação que estava justamente no dia em que ia começar o plano de ação para tomada do BCP", afirmou Filipe Pinhal.

Constâncio já negou ter tido conhecimento desta decisão, mas Filipe Pinhal afirmou ainda que a central de risco do Banco de Portugal teve conhecimento "caso a caso" das verbas de crédito concedido pela CGD "e a quem", e que "350 milhões de euros num dia só" [financiamento concedido à Fundação Berardo] é uma verba que "não é possível [...] que tenha passado despercebida" pelo supervisor.

Recorde que, em 2015, segundo uma auditoria da EY à CGD, a exposição do banco público à Fundação José Berardo era de 268 milhões de euros, depois de uma concessão de crédito de 350 milhões de euros para compra de ações no BCP, dando como garantia as próprias ações, que desvalorizaram consideravelmente e geraram grandes perdas para o banco.

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