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"Dizem que o Gana vai às 'meias' do Mundial. As expectativas estão altas"

Em conversa com o Desporto ao Minuto, Mariano Barreto, que orientou o Gana entre 2003 e 2004, abordou as altas expectativas em torno da prestação da seleção liderada por Otto Addo no grupo de Portugal, Uruguai e Coreia do Sul, tendo ainda comentado aqueles que podem ser os principais trunfos de Fernando Santos.

"Dizem que o Gana vai às 'meias' do Mundial. As expectativas estão altas"

Portugal inicia a aventura no Mundial'2022, esta quinta-feira, frente ao Gana, seleção africana que foi treinada por uma figura do futebol português no presente milénio e que deu conta de alguns atributos do primeiro adversário da equipa das quinas, no Qatar.

Em conversa com o Desporto ao Minuto, o antigo selecionador do Gana fez questão de frisar as expectativas ganesas, os "avisos" recentes e a importância da primeira jornada do grupo H, mas não deixou de elogiar algumas referências da seleção portuguesa, capazes de fazer a diferença no duelo desta quinta-feira.

O ambiente de confiança e de entusiasmo estende-se aos programas de rádio de um país com uma forte crença na sua seleção, embora Mariano Barreto também considere que, muitas vezes, as ambições do povo africano vão do céu ao inferno.

"Não vi grandes jogos da seleção do Gana, mas as pessoas conhecedoras da realidade com quem falo dizem-me que a seleção do Gana vai às 'meias'. Imagine-se só as expectativas com que estão. São altas", começou por dizer, antes de apontar um problema às altas expectativas que, por vezes, são deterioradas: "Isto também é o grande problema dos países africanos. Muito facilmente se colocam às portas do céu, como depois estão mais perto do inferno. Eles acreditam. Mas, depois, se não passam, lá vêm as pessoas dizer que os jogadores não prestam ou que valem zero, para um país que nem está habituado a fazer grandes planos. Todos querem ganhar, é certo. Mesmo quem nunca ganhou nada...".

"Nestas vésperas do Mundial, os programas de rádio são autênticos talk-shows, 24 sobre 24 horas, a falar da seleção, dos jogadores, previsões e tudo mais. Se os portugueses sintonizarem-se a uma rádio, não vão perceber nada [risos], mas é uma loucura total. Com os clubes já é assim, com a seleção ainda mais", frisou.

Do encontro em 2014 ao mais recente "aviso"

A única ocasião em que Portugal e Gana se defrontaram aconteceu no Mundial de 2014 e, apesar do triunfo luso, por 2-1, ambas as seleções acabaram eliminadas no grupo H, precisamente depois do surpreendente empate entre ganeses e alemães (2-2) na jornada anterior, algo que levou Mariano Barreto a recordar que "essa seleção tinha praticamente aquilo que restava da equipa que se apurou para o Mundial 2006", em parte, a seu cargo.

"Apesar das contas que o grupo de 2014 teve, o primeiro jogo da fase de grupos deste Mundial vai ser decisivo. Não tão decisivo para Portugal, mas sim para o Gana. Se tiverem um resultado positivo, seja empatar ou ganhar, o Gana vai acreditar. Mas também podem entrar em colapso em função de um resultado negativo. Vão da euforia ao descalabro total. A linha é muito ténue", vincou.

"Os próprios jogadores são capazes de achar que não ganharam, porque o adversário foi melhor, mas há a pressão de um país, de tudo aquilo que move as pessoas", realçou Mariano Barreto, antes de relembrar que, para a seleção portuguesa, um mau arranque não significa nada. "Já Portugal parece ter um 'master' na capacidade de sofrimento, tanto que nós fomos campeões europeus [em 2016] e praticamente só ganhámos um jogo em 90 minutos (risos). Daí o jogo também ser mais importante para eles do que para nós...".

Notícias ao Minuto Última derrota do Gana aconteceu diante do Brasil (3-0), num amigável disputado há precisamente dois meses.© Getty Images  

O técnico de 65 anos deixou, ainda, elogios ao que os ganeses conseguiram no último teste antes da partida para o Qatar - um triunfo por 2-0 frente à Suíça, na passada quarta-feira -, considerando que pode mesmo tratar-se de um "aviso".

"O Gana jogou quase com a sua equipa principal frente à Suíça. Teve várias ocasiões de golo e a Suíça teve dificuldades. Não foi só o triunfo do Gana, foi a forma como a equipa revelou ser muito competente na sua globalidade, através da forma como as individualidades se posicionaram, o que é um aviso [para Portugal]. Aliás, um dos jogadores que marcou os golos está em crer que vai ser titular, mas isso pode vir a ser um problema, porque pode não acontecer", frisou, antes de clarificar: "Acho que não será um jogo fácil para Portugal, mas claro que também não o será para o Gana".

À atenção de Fernando Santos 

Questionado sobre quais os jogadores capazes de surpreender Portugal, Mariano Barreto empurrou a responsabilidade para a capacidade de análise de Fernando Santos a "uma equipa que deve ser respeitada".

"O selecionador nacional certamente saberá. De certeza que viu o jogo do Gana frente à Suíça, assim como os do play-off para tirar as suas conclusões. Destaco o papel do capitão [André Ayew], um veterano muito elogiado em África, num meio-campo que considero ser muito criativo e possante. Os laterais também são ofensivos. Individualmente, é uma equipa que deve ser respeitada. Do ponto de vista coletivo, há que esperar pelo jogo de quinta-feira", alertou.

"Se alguém espera que o jogo de Portugal frente à Nigéria [goleada por 4-0 antes da partida para o Qatar] tenha dado algumas indicações de como pode ser frente ao Gana, apenas posso dizer que estão profundamente enganados, até porque aquele jogo parecia solteiros contra casados, sem grandes faltas. As indicações que a seleção portuguesa teve de positivas e que se podem tirar são que os jogadores mantiveram-se fiéis aos seus princípios", acrescentou antes de deixar umas notas individuais relativas ao último teste de Portugal.

Notícias ao Minuto Portugal foi derrotado pela última vez no passado mês de setembro, diante da Espanha (0-1), tendo sido eliminado da Liga das Nações. Contudo, goleou no último encontro particular.© Getty Images 

"O Bruno Fernandes teve o seu espaço, o Bernardo Silva foi igual a si próprio com a mesma postura e o João Félix mostrou as suas qualidade ímpares, em função do espaço que teve, que tardam em ser confirmadas no Atlético de Madrid. Mas uma coisa é jogar com a Nigéria num encontro amigável, outra é o Gana", vincou o antigo selecionador do Gana antes de falar da estrela mais jovem da seleção

"António Silva é, de facto, um jogador a ser considerado, que não deixa dúvidas pela qualidade e competência. Coisas que não estão na idade, mas sim no que tem feito esta época no Benfica. O António Silva mostrou na seleção, tanto ao lado do Rúben Dias, como de Pepe, que, por aquilo que ele sabe fazer por natureza, tudo indica que possa ser um dos melhores centrais de sempre", realçou.

Portugal tem de assumir essa candidatura. Alguns jogadores acreditam que é possível, com humildade

Desafiado a alterar alguns nomes entre os 26 eleitos por Fernando Santos, Mariano Barreto preferiu enaltecer os jogadores que deseja ver jogar com frequência.

"Eu não sei o que mudava, porque não sei o que o selecionador português vai fazer. Mas posso dizer que agrupa um lote de jogadores para fazer duas seleções de topo neste Mundial. Não é fácil para um selecionador, em função da estratégia que quer implementar, escolher jogadores sem ficar preocupado com aqueles que não podem jogar. De início, só entram onze. Pessoalmente, faz-me muita confusão que Portugal possa não jogar com atletas como Vitinha, Rúben Neves, Bruno Fernandes, Rafael Leão, Cristiano Ronaldo e Bernardo Silva. São dos melhores que podíamos ter", esclareceu.

"A nossa seleção, legitimamente, é uma das equipas que têm de se assumir como candidata para discutir até ao fim, principalmente com jogadores a crescer, como João Cancelo ou Vitinha. Acho que nunca ninguém pensou dizer que o PSG com Vitinha é uma coisa e sem Vitinha é outra", acrescentou de seguida.

"Não podemos achar que a nossa seleção vai tentar um sonho. Tem de lutar para que isso seja possível. Se consegue ou não, é outra conversa, teremos de saber cumprimentar quem for melhor que nós. Portugal tem de assumir essa candidatura. Alguns jogadores acreditam que isso é possível, com humildade. Não reconheço esse patamar para o Gana, mas vai ser uma equipa capaz de criar problemas", alertou.

A seleção do Gana de tudo fará para fintar algumas dificuldades enraizadas e, dessa forma, procurar surpreender Portugal e as restantes seleções - Uruguai e Coreia do Sul - do grupo H do Mundial do Qatar.

Já a 'armada' escolhida por Fernando Santos tem a missão não só de evitar a surpresa, como de provar que tem favoritismo para ir longe no Mundial, algo que começa já na partida desta quinta-feira, no Stadium 974, a partir das 16 horas (horário de Portugal Continental).

Leia Também: Cultura, evolução e montra europeia. O olhar de quem já treinou o Gana

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