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"O António Félix da Costa não me complica a vida. Motiva-me a ser melhor"

Jean-Éric Vergne é a prova viva de que pode existir uma carreira de sucesso quando se abandona a Formula 1. O francês de 31 anos entrou na Formula E e é até hoje o único bicampeão mundial da modalidade.

"O António Félix da Costa não me complica a vida. Motiva-me a ser melhor"

O Mundial Formula E está perto de terminar, e no próximo fim de semana entra na dupla jornada final com a ronda de Berlim. Jean-Éric Vergne, companheiro de equipa de António Félix da Costa, não está bem posicionado para lutar pelo primeiro lugar do campeonato, ao contrário do português, mas admite que dará tudo para vencer aquele que seria o seu terceiro título.

O Desporto ao Minuto falou em exclusivo com o bicampeão de 2018 e 2019, que nos disse que a entrada de António na DS Techeetah o motivou a ser melhor.

Tal como António Félix da Costa, Jean-Éric Vergne passou pela academia de jovens pilotos da Red Bull e, ao contrário do português, esteve na Formula 1 durante três temporadas. No entanto, foi na Formula E que atingiu o expoente máximo da carreira, confirmando que fora do 'Grande Circo' há muito por onde brilhar.

A relação com o atual companheiro de equipa, o facto de ser uma referência na Formula E ou até a sua passagem pela Formula 1 foram assuntos que Vergne abordou connosco, revelando que os três anos em que esteve na Toro Rosso fizeram-no aprender que o mais importante no desporto motorizado é "gostar do que se faz".Se um dia estiveres feliz com o facto do teu companheiro de equipa vencer-te, então é sinal que tens de parar de correr e fazer outra coisa qualquer

O campeonato de Formula E está na reta final. Quais as tuas expectativas na luta pelo título?

Não espero muito da luta pelo título. Não estou propriamente na melhor posição para vencer campeonato, por isso não tenho nada a perder. Vai ser um enorme esforço da minha parte, logo veremos onde termino. Conseguir o título significa ganhar corridas e não contar pontos, por isso tenho de ir atrás de vitórias.

Depois de dois títulos conquistados de forma consecutiva, viste entrar um novo colega para a DS Techeetah. Sentiste que as performances do António, de certa forma, complicaram as tuas aspirações?

Não, de maneira nenhuma. Penso que é sempre bom ter um companheiro de equipa forte. O António é também muito rápido, por isso motiva-me a ser melhor. Eu não creio que me tenha complicado em nada, pelo contrário, torna-me mais forte. Nós esforçamo-nos muito os dois, mas sempre mesma direção.

Notícias ao Minuto António Félix da Costa [à esquerda] e Jean-Éric Vergne [à direita] são companheiros de equipa na DS Techeetah desde finais de 2019.© Getty Images  

No ano passado, quem esteve atento ao campeonato sentiu um ligeiro atrito entre vocês. Em entrevista na temporada passada, o António disse-nos apenas que “é como meterem dois leões numa jaula e colocares lá um bocado de carne”. Concordas com a visão do teu companheiro de equipa?

Concordo com ele e penso que esse é um pensamento saudável. Quando temos o mesmo carro que o nosso colega de equipa, é óbvio que queremos estar à frente dele, sempre foi assim na história do desporto motorizado e sempre o será. Se há alguém que não concorda com o tipo de comentário que ele fez, então não tem a mentalidade certa para o desporto motorizado. A regra de ouro que aprendemos desde miúdos no desporto motorizado é derrotar o colega de equipa, e a regra continua a mesma nos tempos de hoje. Se um dia já não sentires isso e estiveres feliz com o facto do teu companheiro de equipa vencer-te, então é sinal que tens de parar de correr e fazer outra coisa qualquer.

A Fórmula E foi particularmente criticada este ano pelo que aconteceu em Valência. Praticamente todos os pilotos ficaram sem energia nos seus carros, devido à decisão dos comissários que retiraram energia em demasia. Como viste este episódio e qual a tua opinião sobre ele?

Por vezes é melhor guardarmos as nossas opiniões para nós mesmos e sobre o que aconteceu em Valência vou guardar a opinião para mim. Não há muito a dizer sobre o que aconteceu, para além de tudo o que já foi dito por todos. Não vale a pena voltar a acontecimentos como este, foi uma má corrida e todos concordam. A corrida no Mónaco foi provavelmente a melhor da história da Fórmula E.

O meu maior problema na F1 foi não ter gosto no que fazia, e quando estamos a fazer algo sem gosto, nada funciona realmente bemÉs, para já, o único piloto com dois títulos ganhos. Sentes que, apesar de ser uma competição recente, és já uma das referências da Fórmula E?

Não sei se sou uma das referências, acho que nem penso muito sobre isso. Tu és apenas tão bom como foste na tua última corrida, e na última corrida eu não ganhei o título. Para mim, isso está no passado e o que sou capaz de fazer a seguir é o que realmente importa. Gosto de pensar que sou uma referência, mas não é algo em que esteja a pensar a todo o momento.

Estiveste na Formula 1 durante três temporadas. Quais as maiores lições que retiraste da tua passagem por lá?

A principal lição... bem, aprendi inúmeras lições na F1. Penso que a primeira é aproveitar o que fazemos, seja o que for que acontece, tentar encontrar prazer em tudo o que fazemos desde a preparação, até ao fim-de-semana de corrida e nos momentos bons e maus, essa é a principal lição. O meu maior problema na F1 foi não ter gosto no que fazia, e quando estamos a fazer algo sem gosto, nada funciona realmente bem. Portanto, o mais importante é divertirmo-nos, gostar do que fazemos e fazê-lo por nós próprios e não por mais ninguém.

Notícias ao Minuto Vergne competiu durante três anos na Formula 1 sempre ao serviço da Toro Rosso© Getty Images  

Olhando agora para o futuro, estás incluído num grande projeto da Peugeot no seu regresso ao WEC. Quais as tuas expectativas para a época de 2022 no que à Resistência diz respeito?

O futuro parece risonho com a minha equipa na Formula E, a DS Techeetah, e com a Peugeot a chegar a Le Mans. Conduzir hipercarros vai ser fantástico e mal posso esperar para testar o carro. Tenho uns anos fantásticos de corridas pela frente e mal posso esperar para começar a trabalhar com a Peugeot.

Ganhar em Le Mans é o sonho? Um piloto francês, numa equipa francesa… na mais mítica prova de França?

Ganhar Le Mans é mais do que um sonho, é um objetivo ganhá-lo como piloto francês com a Peugeot. Temos de trabalhar arduamente para o conseguir, mas é definitivamente um sonho e um objetivo. Descrevam-no como quiserem, desde que o ganhemos vou estar muito, muito feliz.

Notícias ao Minuto Piloto francês conquistou o título na Formula E em 2018 e 2019© Getty Images

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