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Pinto da Costa: "FC Porto já perdeu 29 milhões sem os adeptos no estádio"

Fique com o essencial da entrevista do presidente do FC Porto à TVI.

Pinto da Costa: "FC Porto já perdeu 29 milhões sem os adeptos no estádio"

Esta quinta-feira, Jorge Nuno Pinto da Costa foi o grande entrevistado do Jornal das 8 da TVI. O presidente do FC Porto respondeu a várias perguntas sobre a atualidade do clube azul e branco e não só.

O líder dos dragões, entre vários assuntos, falou sobre mais um eventual mandato, sobre a ausência dos adeptos nos estádios, sobre Rui Pinto, sobre a relação com Luís Filipe Vieira ou sobre as contas do FC Porto.

Fique com o essencial desta entrevista, onde Pinto da Costa respondeu, como é seu hábito, de forma genuína e sem grandes filtros.

O que falta fazer: "Não penso muito nisso porque há sempre coisas para fazer. Ainda agora quando me candidatei disseram que já tinha feito tudo. E eu disse que não fiz nada, quem fez foi o FC Porto, eu só liderava o clube. Ainda há coisas que gostava de fazer, como a Cidade Desportiva que temos no pensamento e já na ação. Quando eu sair do FC Porto, a minha preocupação é que o clube esteja forte e unido."

Último mandato: "Nunca digas nunca. Já várias vezes disse que era o último e que não me recandidatava. Não vou dizer nada agora. O que me pode levar a sair? É chegar ao fim do mandato e ver que já não sou necessário."

Devolver equilíbrio financeiro: "Não tenho dúvidas que o vamos alcançar. Quando se fala em falência técnica, ela existe porque nós somos obrigados a apresentar as contas em certos parâmetros. O nosso plantel está no balanço por 76 milhões. Neste defeso fizemos por exemplo 126... Essa é uma demonstração que os nossos ativos são muito subvalorizados. Agora vendemos dois bons jogadores e entraram outros bons jogadores, o que é preciso é equilíbrio. Nós no ano passado ficamos fora da Champions, o que acontece a todos, e isso é uma excepção. Nas contas que vamos apresentar é normal que estejam as vendas desse ano. Se não fosse a pandemia, as vendas que fizemos agora tinham entrado nas contas e já estariam equilibradas. Brevemente sei que iremos sair do fair-play financeiro. Bastava a época de transferências ter decorrido de forma normal."

Responsabilidade pessoal: "Sinto responsabilidade em tudo o que acontece porque sou presidente. É como lhe digo, se as transferências fossem em julho, nós tínhamos as contas corretas. No ano passado tentámos não vender, fomos campeões e no final fizemos as transferências. Os clubes portugueses vão ter grande dificuldade no futuro. O FC Porto se pagar 1 milhão líquidos a um jogador, paga cerca de 1 milhão e 400 mil euros de impostos." 

Satisfeito com o negócio de Alex Telles: "Nunca fico satisfeito quando sai um bom jogador. Nem é pelos valores. Olhe, o Hulk foi uma grande venda e eu fiquei desgostosíssimo. Mas há momentos em que não temos outra solução. Uma semana ou duas antes, a irmã do Alex, que é empresária dele, disse que tinha vontade de sair. Depois, mais tarde, veio outro empresário e disse que tinha uma grande proposta. Só queria o Manchester, só queria o Manchester. Tentei que ficasse porque não queria perder o jogador. Manter um jogador que queria ir embora, não dava, ele já não estava aqui."

Empresários no futebol: "Um bom empresário é bom para o futebol, um mau empresário é mau para o futebol, para os clubes e para os jogadores. Alguns querem ganhar tanto como o jogador. Acontece em alguns lados, mas aqui não."

Fábio Silva: "O Fábio Silva foi um bom negócio para os empresários e para o clube. Ele tinha uma cláusula de 10 milhões, o FC Porto recebeu 30, por isso foi um bom negócio."

Lucas Veríssimo: Esse jogador não vem para o FC Porto porque o FC Porto não quis. Tivemos vários centrais em observação e, no final, o treinador, e nós seguimos o seu entendimento, quis o Pepe, o Mbemba, o Sarr e o Diogo Leite. Chegou a estar em cima da mesa e se nós quiséssemos era nosso. É me indiferente se ele vem para o Benfica."

Sozinho na luta para levar adeptos aos estádios: "Quando falo com alguém, todos me dão razão. Até pessoas responsáveis me dizem que é incompreensível. Temos aqui uma série de camarotes, não podem estar aqui meia dúzia de pessoas? Quando em Guimarães vimos que estiveram aquelas pessoas todas. O FC Porto já perdeu 29 milhões em receitas de bilheteira. Se calhar alguns até dá jeito que não tenham adeptos. Se eu tivesse aqui adeptos a insultar-me, se calhar não os queria cá. Não estou a falar em ninguém em concreto, estou a falar num cenário hipotético."

Futebol sem adeptos: "Acho que é incompreensível. Temos aqui camarotes para as famílias, que não podem vir cá, mas podem ir ao cinema ou ao restaurante. Quem me tem acompanhado nesta luta é o presidente da Liga e o presidente da FPF."

Críticas ao primeiro-ministro: "Eu não critico o António Costa. Quando falo no primeiro-ministro não é globalmente. Não tenho guerra nenhuma com ele, tenho a maior cordialidade sempre nos encontros que temos, temos sempre uma conversa afável. Em termos governamentais é óbvio que não posso estar de acordo com todas as ações, mas a mim não me compete publicamente questionar ou opinar sobre a ação do primeiro-ministro. Numa altura de uma crise, como estamos, devemos de estar todos unidos para salvar o país. Agora na política do futebol discordo totalmente. O FC Porto pagou em impostos desde o início da pandemia cerca de 20 milhões. Em Itália baixaram mais de 30% os impostos no futebol, devido à pandemia. Não seria uma injustiça. Sabes quantos funcionários o FC Porto tem? 572 pessoas que vivem de um salário do FC Porto.

Rui Pinto: "Sinceramente não tenho opinião. Não estou dentro do assunto por isso não vou dizer se é herói ou criminoso. O que é estranho é que há muita gente no país que o consideram um herói. As irregularidades vieram a público e acham que ele foi um herói, quando foi um funcionário do FC Porto a revelar alguns emails com irregularidades, foi castigado. Essa dualidade é que não entendo."

Ligação do filho ao FC Porto: "O meu filho foi dirigente há muitos anos e pediu a demissão porque no FC Porto há um princípio que quem está no clube não pode estar na política. Ele, como foi eleito vereador da CM do Porto, saiu. Hoje não tem ligação ao FC Porto a não ser o facto de ser sócio do clube. Hoje exerce atividade como empresário de futebol, mas connosco não faz negócios".

Apito Dourado: "Fui ilibado em todos os processos. Mancha negra? Isso nunca me preocupou. Nunca senti que me olhassem diferente. Quando foi o início do Apito Dourado, naqueles primeiros 15 dias, houve aqui no Dragão a apresentação de um livro que lancei. Sabe qual foi a minha surpresa nesse dia? Quando cheguei e dei de caras com duas pessoas à minha espera: o General Ramalho Eanes e Fernando Martins, presidente do Benfica. Pessoas que não tinha convidado... Isto só para responder que não senti que as pessoas olhassem para mim de forma diferente."

Inimigos: "Espero que continuemos a ter inimigos. Quando não os tivermos significa que estaremos na 3.ª divisão. A partir do momento em que fomos Campeões Europeus, senti logo que 'espera aí que estes vêm para ganhar'. Os principais inimigos do FC Porto estão na comunicação social."

Política: "Já me convidaram, até mais do que um partido. Mas eu gosto é do FC Porto e do Porto."

Última vez que houve uma tentativa de aproximação entre FC Porto e Benfica: "Da parte do FC Porto, nunca, e da parte do Benfica também nunca, pelo menos que eu tivesse dado conta. Uma coisa é não haver relação, outra coisa são os interesses do futebol. Quando estamos em reuniões tratamos dos assuntos, como trato com o presidente do Sporting ou do Sp. Braga, ou qualquer outro. Os interesses do futebol estão acima dos interesses pessoais. Entre as instituições tem de existir relação, não podemos confundir é o Pinto da Costa e o Luís Filipe Vieira, com o presidente do FC Porto e o Benfica. Os dois primeiros não têm ligação, os presidentes têm de falar."

É normal ter políticos, empresários e magistrados nos camarotes?: "Não olho para isso porque o FC Porto nunca teve. O primeiro-ministro já cá esteve duas vezes porque teve vontade de vir. O único político que vem ao camarote e não vem como ministro, é o Engenheiro Marques Fernandes, que também é filho do nosso presidente da nossa Assembleia Geral. É evidente que não posso dizer que ele não pode vir só porque é ministro. Noutros estádios não vou comentar, mas li que estiveram 22 juízes num camarote e só penso que ou fizeram um jogo antes e depois foram para o camarote ou então é realmente inexplicável. As pessoas estranhas que temos nos camarotes são os patrocinadores, mas não estou a ver o Ministério da Justiça a patrocinar um jogo do Benfica."

Rui Moreira, próximo presidente do FC Porto: "Poder, pode. Gostava que fosse alguém que sentisse o FC Porto, que vivesse o FC Porto e que trabalhasse para o FC Porto. Reúne estas características, mas é um dos muitos. Villas-Boas? Não quero interferir na vida de outros clubes e vamos jogar agora contra eles. Não quero lançar confusões. O FC Porto não é uma monarquia, isto quem manda são os sócios. Se os sócios escolherem um aventureiro, é um problema dos sócios. Isto não é meu, é dos sócios. Eu estou aqui há 42 anos porque os sócios me elegeram. Quem vier tem de ser a escolha dos sócios e tem de ter o seu caminho. A pior coisa a quem me suceder é ter-me a dar conselhos. Só quero que quem vier tenha a mesma paixão que eu tenha, e que governe pela sua cabeça. No dia em que eu deixar de ser presidente, quero ser apenas adepto do FC Porto."

Opinião sobre Fernando Gomes, presidente da FPF: "Conheço o Dr. Fernando Gomes desde a minha juventude e desde que ele foi campeão de basquetebol pelo FC Porto. A prova de que lhe reconhecia grande mérito pelo dirigismo desportivo foi o facto de o ter convidado para secretário-geral do FC Porto e mais tarde para administrador. Quando colocou a possibilidade de ir para a Liga, previ que ia fazer um grande trabalho. Na FPF, ele tem feito um trabalho fantástico. Claro que dirigir uma Federação não tem os problemas financeiros que tem um clube, mas também tem que ver com as suas conquistas. Tem duas grandes qualidades: trata os clubes todos da mesma maneira, nunca me senti beneficiado, mas também quando preciso da sua colaboração está sempre disponível. Mas isto não é só comigo, é com todos. Só o Dr. Fernando Gomes conseguia trazer para Portugal a fase final da Liga dos Campeões como aconteceu há poucos meses."

Adeptos: "Guardo as melhores recordações, porque sempre foram bons comigo. Do sócio anónimo aos Super Dragões. Quando deixar de ser presidente quero ser mais um deles."

Estádio com o seu nome: "Não gostava. Por isso é que gostava de deixar já com o nome vendido. Até porque dava jeito o dinheiro. Acho que os sócios têm a noção de que no futuro vai ser importante para os clubes vender o nome dos estádios. Os clubes vão ter essa necessidade, nós estávamos a fechar um negócio por cinco milhões de euros, mas ficou suspenso por causa da pandemia. Iria manter-se o nome Dragão... qualquer coisa."

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