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"Sporting-Gil Vicente? Tem de se jogar se não vai ser uma bandalheira"

Sporting e Gil Vicente são dois clubes com mais infetados na I Liga e têm encontro marcado para este sábado. Surto no clube de Alvalade atingiu 10 elementos da equipa principal, mas estende-se por outras áreas da Academia. Eduardo Barroso mostra-se preocupado com a situação, mas sublinha que todos os clubes vão ter casos de Covid-19.

"Sporting-Gil Vicente? Tem de se jogar se não vai ser uma bandalheira"

A pandemia do novo coronavírus entrou em força no futebol português e são já várias as equipas a contar com casos positivos de Covid-19 a dias de o campeonato começar com a receção do Famalicão ao Benfica.

Mas nenhum destes clubes se debate, neste momento, com um surto de elementos infetados com o vírus SARS-CoV-2. Sporting e Gil Vicente são as equipas que mais preocupam as autoridades de saúde com 25 casos positivos entre os dois emblemas que se defrontam no próximo sábado na primeira jornada da I Liga. O encontro ainda está marcado, mas corre o sério risco de ser adiado.

De modo a evitar um número maior de infetados, o Sporting, segundo as informações veiculadas pela imprensa desportiva nacional, deslocou-se para um mini-estágio em Lagos, no Algarve, deixando em Alchochete o grupos de elementos da equipa principal que estão doentes, do qual constam oito jogadores, o treinador Rúben Amorim e o diretor clínico João Pedro Sousa.

No sentido de auscultar a opinião de adeptos do Sporting sobre o que se passa dentro do clube, o Desporto ao Minuto conversou com o médico-cirurgião Eduardo Barroso, adepto confesso dos leões. O antigo presidente do Mesa da Assembleia-Geral dos leões, no mandato de Godinho Lopes, considera preocupante o surto que o clube atravessa, mas considera que a situação se irá repetir em mais equipas.

"Estou preocupado com esta situação no Sporting, mas todos os clubes vão passar por isto. A população geral tem, neste momento, dois a três por cento de pessoas que estiveram em contacto com o vírus. Até existir uma vacina ou tratamento vai continuar a ser assim. Amanhã será um clube, depois outro clube, as famílias e os lares. Isto não tem a ver com clubes. Quem for mais responsável na tentativa de se proteger provavelmente não se vai infetar", começou por dizer o médico, deixando escapar que não é especialista na questão de saúde pública, mas salientando que todos os jogadores vão ter de manter cuidados para evitarem uma potencial infeção.

"Se jogadores, treinadores, advogados, pedreiros ou canalizadores não tiverem cuidados e tiverem estas reuniões Covid, como costumo dizer, vão-se infetar. Estava a estranhar que no Sporting havendo cinco ou seis infetados não existissem mais. Eles estiveram juntos a treinar. O médico do Sporting já estava infetado, agora foi o Rúben Amorim e vão haver mais", acrescentou.

Eduardo Barroso apontou ainda o facto dos profissionais de futebol não pertencerem a um grupo de risco e que, por isso, mais facilmente poderão ultrapassar uma possível infeção.

"Por mais cuidados que existam, basta haver um jogador que não os tenha e fique infetado, sendo que nos treinos e nos balneários vai contagiar os restantes. Nem todos os jogadores do Sporting, do Benfica, do Gil Vicente ou do Portimonense cumpriram à risca as diretrizes que foram feitas. Como se sabe são sobretudo jovens que estão a ficar doentes e, felizmente, enquanto isso for assim é bom. O Neymar já esteve infetado, já houve jogadores do PSG e não houve um único que fosse um caso grave e que tivesse estado nos cuidados intensivos. Entre os jogadores não há grande risco e, em princípio, vão recuperar a 100% e ficar bem. Eles não pertencem a um grupo de risco", vincou.

O Sporting tem, neste momento, dez elementos do plantel principal que estão infetados, mas o surto estende-se por outras áreas da Academia. Nesse sentido, Barroso aponta quem tem tenha estado em contacto com uma pessoa que tenha estado em Alcochete nos últimos dias está em risco de ter contraído o novo coronavírus.

"Toda a gente que conviva com pessoas que estiveram na Academia do Sporting ou que esteve com alguém que tenha estado lá, o risco de poder estar infetado é enorme. Desde que os clubes tenham um código de conduta e peçam aos jogadores que o cumpram as coisas podem correr pelo melhor. Mas também não concordo que sejam apenas os jogadores a terem comportamentos exemplares. Todos nós também os devemos ter. Ainda assim, vão continuar a haver casos positivos no futebol. O importante é saber as regras", explicou Eduardo Barroso.

Sporting-Gil Vicente em risco de se realizar

Dados os inúmeros casos positivos que existem entre o Sporting e o Gil Vicente, a possibilidade de o encontro ser adiado está em cima da mesa tal como revelou, esta quarta-feira, a Diretora-Geral de Saúde, Graça Freitas, ainda que, como a própria referiu, a decisão tenha de ser tomada pela autoridade de saúde local.

Por seu turno, Eduardo Barroso considera que o encontro deve mesmo realizar-se, sob pena de congestionar ainda mais o calendário do futebol nacional.

"Eu não sei se o Sporting vai jogar com o Gil Vicente, mas, na minha opinião, deveria jogar mesmo que tenha de ir jogar com os juniores porque senão isto vai ser uma bandalheira total. Deve haver uma regra igual para todos e o facto de ter jogadores infetados não implica que não haja jogos porque senão não vai haver campeonato. O Sporting tem, neste momento, oito jogadores infetados, mais o médico e o treinador. Amanhã já vão ser mais quatro ou cinco", salientou o médico, que considera ter sido uma boa ideia separar os infetados do Sporting dos não infetados

"Não sabemos o que é bom para fazer. Separar os infetados dos outros parece-me uma ideia que merece consenso total. Ou então mantinham-se todos lá e infetavam-se todos os jogadores. Não vou criticar isso quando para o fazerem aconselharam-se com colegas de saúde pública. Eu não sei o que é correto fazer, mas penso também que muito pouca gente sabe. Não ia criticar a minha direção por fazer isto. Eles tiveram de se informar sobre a situação. O Frederico Varandas, de quem sou amigo, não percebe nada desta situação da Covid-19. Ele é fisiatra e percebe de recuperações. O presidente vai ter de se informar sobre o assunto e estudar sobre isso", referiu o clínico, que pediu ainda que o conjunto de regras impostas pelas autoridades de saúde sejam cumpridas por todos os clubes.

Eduardo Barroso mostrou-se ainda contra a possibilidade de uma equipa ser considerada derrotada por não comparecer a um encontro devido a eventuais casos positivos do novo coronavírus.

"O que é válido para o Sporting tem de ser válido para o FC Porto e para o Benfica. Na minha opinião, as equipas que têm infetados não os devem colocar em campo porque têm de fazer quarentena, até para se  proteger não só os jogadores como também as famílias e os cidadãos. Decretar derrota por falta de comparência a quem tem infetados não me parece justo. Aí sou inteiramente contra", salientou, antes de acrescentar.

"O jogo faz-se sem os infetados. Não há problema de infetarem mais um ou outro durante o jogo porque penso que não há perigo de infeção. Agora, os jogos têm de se fazer. Se não se realizarem os jogos mais vale os campeonatos nem sequer começarem. O Benfica teve o Svilar e pode agora ter mais jogadores. Não há clubes de bom comportamento ou mau comportamento até porque basta haver uma fuga para haver mais infetados", afirmou o ex-presidente da MAG do Sporting, destacando o risco quase zero dos jogadores se infetarem no decorrer de um encontro de futebol. 

"Se estão a fazer jogos à porta fechada, e como não pertencem a um grupo de risco, os atletas não correm o risco de infetar os espectadores. Eu punha-os a jogar a todos. Não havendo pessoas de risco a quem eles possam infetar, eu estou convencido de que o risco de se infetarem durante um jogo é ridículo. É muito mais arriscado nos balneários e nos treinos", finalizou.

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