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Insultos a Marega causam indignação geral e lançam debate sobre racismo

Marega, avançado do FC Porto, pediu para ser substituído depois de ter sido alvo de insultos racistas. As reações, dos mais variados quadrantes, não tardaram.

Insultos a Marega causam indignação geral e lançam debate sobre racismo

Cânticos racistas dos adeptos do Vitória SC levaram o avançado Moussa Marega a pedir para ser substituído, ao minuto 71 do jogo da 21.ª jornada da I Liga, entre o FC Porto e a formação vimaranense. Da política, ao desporto, as reações - quase todas solidárias - não tardaram e, de forma geral, recriminam qualquer forma de racismo. O caso está a mobilizar o país, extravasando o universo das quatro linhas.

Comecemos pela reação do Presidente da República. Marcelo Rebelo de Sousa condenou, esta segunda-feira, os insultos racistas de que o jogador dos dragões foi alvo. O Presidente da República aproveitou para lembrar que a Constituição da República é muito clara na condenação do racismo, xenofobia e discriminação. Estes representam a "violação da dignidade da pessoa humana e dos seus direitos fundamentais, é um caminho dramático em termos de cultura, civilização e de paz social". 

António Costa recorreu ao Twitter para reagir à saída de campo do futebolista maliano Moussa Marega. O primeiro-ministro português começou por condenar "todos e quaisquer atos de racismo" que "são crime e intoleráveis". "Nenhum ser humano deve ser sujeito a esta humilhação. Ninguém pode ficar indiferente. Condeno todos e quaisquer atos de racismo, em quaisquer circunstâncias", escreveu, através do seu perfil oficial de Twitter.

O Governo, pela voz do secretário de Estado da Juventude e Desporto, considerou que o incidente entre os portistas e os vimaranenses é "intolerável é inaceitável". O governante assegurou ainda que as autoridades estão a identificar os responsáveis para que sejam punidos. "Os insultos dirigidos ao jogador Marega envergonham todos quantos pugnam por uma sociedade inclusiva. Os valores do desporto nada têm que ver com estas atitudes racistas, xenófobas e ignóbeis", disse João Paulo Rebelo, em declarações à agência Lusa.

A situação também gerou indignação por parte de diversos líderes partidários e deputados. O deputado único do Iniciativa Liberal, e líder do partido, João Cotrim Figueiredo, considerou, numa publicação partilhada no Twitter, que Marega "fez bem em abandonar o campo". Posição diferente assumiu o  deputado único do Chega, e líder do partido, André Ventura, que desvalorizou o sucedido.

O novo líder do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, insurgiu-se contra as manifestações de racismo comentando no Twitter o episódio que envolveu Marega. "As manifestações de racismo não podem ter lugar na nossa sociedade: devem ser julgadas e severamente punidas pelos Tribunais. Todos somos chamados a condenar os crimes de ódio e a defender a dignidade de cada pessoa. Essa é uma luta que não tem cor", escreveu.

Catarina Martins foi a primeira líder partidária a reagir ao que aconteceu hoje no estado do Vitória de Guimarães. A líder do Bloco de Esquerda (BE), e também deputada do partido, defendeu que "racismo não é opinião, é crime".

Já para o deputado do Partido Socialista Tiago Barbosa Ribeiro, "a ofensiva racista contra Marega em Guimarães, obrigando à saída do jogador, cobre de vergonha o futebol português".

Isabel Moreira, da mesma bancada parlamentar, salientou que "Marega decidiu recusar-se a ser uma não-pessoa". "Marega foi a dignidade num país negacionista. Isto é de chorar. Gostava de lhe dar um abraço. Bravo, Marega. Deviam ter parado todos. Devia ter acabado o jogo", defendeu a deputada socialista no Facebook, acrescentando à publicação a 'hashtag'(#) "racismo".

Luís Marques Mendes também não ficou indiferente e, no seu espaço de comentário habitual na antena da SIC, revelou que "este comportamento é absolutamente inaceitável". "Esta gente tem de ser banida do futebol, não pode entrar nos estádios", defendeu o comentador. 

Mundo do futebol uniu-se 

O episódio de Marega motivou uma série de reações no mundo do futebol e foram várias as personalidades que quiseram dar uma palavra de apoio ao avançado do FC Porto. Para além de quase todos os jogadores portistas terem partilhado uma fotografia de Marega, também os rivais não deixaram de repudiar aquilo que aconteceu no D. Afonso Henriques. 

O Sporting, por exemplo, emitiu um comunicado poucos minutos após o sucedido. Os leões manifestaram a solidariedade para com Marega ao mesmo tempo que afirmaram "repudiar qualquer acto de racismo e preconceito social."

Além da nota oficial do clube leonino, o capitão Sebastián Coates e o treinador Silas utilizaram as redes sociais para deixarem claro que a rivalidade só existe dentro de campo. O defesa uruguaio afirmou que Marega é um adversário dentro de campo, mas que estão "unidos" na luta contra o racismo. Por seu lado, Silas escreveu que no campo do combate ao preconceito racial estão "todos no mesmo campo". 

O Benfica também partilhou um vídeo no qual deixa a mensagem de estar contra o racismo e também outros emblemas portugueses colocaram-se ao lado de Marega. Sp. Braga, Tondela, Rio Ave, Boavista e Académica foram alguns deles. 

A nível institucional, tanto a Liga Portugal como a Federação Portuguesa de Futebol. Ambos concordam que há adeptos que não merecem ter um lugar no futebol português e a FPF pede mesmo que os "autores de insultos racistas devem ser identificados e levados perante a justiça". 

FC Porto ataca

O FC Porto depressa apontou o dedo aos adeptos do Vitória SC e logo no decorrer da partida, no momento em que Marega abandonava o relvado do D. Afonso Henriques, o treinador Sérgio Conceição não escondeu a indignação. "Isto é uma vergonha!", afirmou Conceição várias vezes dirigindo-se às bancadas. 

Na flash interview à Sport TV, o treinador azul e branco recusou-se a falar do jogo e sublinhou o descontentamento do clube face àquilo que Marega viveu. 

O próprio Marega também abordou o caso, via redes sociais, e deixou um recado aos "idiotas" que o insultaram e afirmou defender a sua pele. Pelo meio, também acusou a equipa de arbitragem por ter visto um cartão amarelo ao mesmo tempo que apelidou a mesma de "vergonha". 

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Gostaria apenas de dizer a esses idiotas que vêm ao estádio fazer gritos racistas ... vá se foder  E também agradeço aos árbitros por não me defenderem e por terem me dado um cartão amarelo porque defendo minha cor da pele. Espero nunca mais encontrá-lo em um campo de futebol! VOCÊ É UMA VERGONHA !!!!

Uma publicação partilhada por Moussa Marega (@marega11) a 16 de Fev, 2020 às 12:32 PST

Vitória SC defende-se 

Por seu turno, os White Angels, claque do Vitória SC, contestou a atitude de Moussa Marega e felicitou, ironicamente, a "máquina de comunicação social que hoje [domingo] só viu "racismo" contra um jogador e não viu o "racismo" desse mesmo jogador". 

Ainda do lado vitoriano, o presidente Miguel Pinto Lisboa garantiu que o clube não se revê em "comportamento deste género", mas aponta também que "houve comportamentos provocatórios e incendiários por parte um atleta".

O líder do Vitória SC recordou ainda o momento em que Marega foi jogador do clube de Guimarães e "quis abandonar uma partida e não teve nada a ver com questões de racismo". 

Notícia em todo o mundo 

O momento em que Marega deixou a partida no D. Afonso Henriques teve um grande impacto em Portugal e não só. Um pouco por todo o mundo foram vários os jornais que deram destaque ao caso de racismo que aconteceu no campeonato português e os espanhóis da Marca chegam mesmo a rotular o acontecimento no jogo entre Vitória SC e FC Porto como uma "vergonha".

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