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Akwá diz que chorou por "injustiças" e não para comover os angolanos

O ex-internacional angolano "Akwá" assegurou hoje que "não está a mendigar" e que chorou recentemente durante um programa televisivo devido às "injustiças" de que diz ser alvo e "não para comover" o povo angolano.

Akwá diz que chorou por "injustiças" e não para comover os angolanos
Notícias ao Minuto

06:11 - 01/08/19 por Lusa

Desporto Entrevista

"Não somos de ferro e eu nem pensei em chorar para comover quem quer que seja, ou o povo angolano, chorei pelas injustiças. Pensei em todo o sacrifício que fiz em prol do país e que não valeu a pena", afirmou, em entrevista à Lusa, em Luanda.

"Bem, quando estás a ser injustiçado fazes assim uma análise do trajeto, eu sou o único jogador em Angola que chegou num jogo a decorrer, equipei-me e joguei porque precisávamos ganhar", recordou.

Fabrice Alcibíades Maieco "Akwá", com registo de 40 golos pela seleção de futebol angolana, está há mais de dez anos suspenso e impedido de exercer qualquer função a nível do desporto federado, por decisão da FIFA, devido a uma multa de 260 mil dólares ao Qatar SC, onde jogou entre 2005 e 2006, por ausência, fora do prazo legal, numa altura em que representava a seleção, conhecida como "Palancas Negras".

O assunto do antigo jogador do Benfica, Alverca e da Académica, na década de 1990, foi abordado recentemente num programa televisivo, na capital angolana, em o ex-capitão da seleção chorou.

A situação deu origem, inicialmente, nas redes, sociais a uma "onda de solidariedade" a favor do antigo goleador de 42 anos com promoção de campanhas de angariação de fundos para liquidar a dívida de "Akwá".

À Lusa, o autor o golo que qualificou Angola pela primeira vez a fase final de um campeonato do mundo, em 2006 na Alemanha, agradeceu "do fundo do coração aos promotores da campanha", afirmando que "nunca quis que assim fosse".

Questionado sobre se o facto de ter chorado tem a ver com a sua situação financeira, o ex-internacional garantiu que "não está a passar fome".

"Não estou a mendigar, estou bem e muito antes dessa polémica não viram o "Akwa" a pedir qualquer ajuda porque estava a passar fome", disse.

O também ex-deputado do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder) contou que, na ocasião, um político angolano o abordou e assegurou "ter já baixado ordens" à Federação Angolana de Futebol (FAF) "para resolver" a sua situação.

Numa entrevista recente a uma rádio local, "Akwa" lamentou que a situação ainda não tenha sido resolvida, referindo que, na época, reuniu-se com o então coordenador das seleções nacionais da FAF, Alves Simões, atualmente presidente da equipa do Interclube de Angola.

"E reuni-me duas vezes com a pessoa em questão (Alves Simões) e quando fui atrás das coordenadas bancárias, nada", reiterou à Lusa.

Em 16 deste mês, Alves Simões refutou, em conferência de imprensa, as declarações de "Akwá", sobre o suposto desvio dos 260 mil dólares para pagamento da dívida aplicada pela FIFA, prometendo levar a tribunal o antigo camisola 10 dos "Palancas Negras".

Questionado pela Lusa sobre a possibilidade de responder em tribunal, "Akwá" garantiu estar tranquilo e que não retira "nenhuma palavra".

Sobre o assunto, Fabrice Alcibíades Maieco recusa falar sobre má-fé das autoridades da FAF em solucionarem a questão, afirmando que "faltou boa vontade por parte das pessoas que estavam a dirigir a federação".

"Akwá" desafiou também o antigo secretário-geral da FAF Augusto da Silva Alvarito a convocar uma conferência de imprensa para explicar as "acusações levianas" que fez nas redes sociais de que o jogador "terá ido passear a Benguela durante 13 dias" quando deveria se apresentar ao Qatar SC.

O antigo futebolista, que jogou 11 anos ao serviço da seleção angolana, disse que já tentou abordar o assunto com o ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos, mas mesmo "com três audiências marcadas" nunca foi recebido.

O antigo jogador espera agora ser recebido pelo Presidente angolano, João Lourenço, aguardando pela resposta de uma carta enviada em dezembro de 2018.

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