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Pedro Paiva: Discípulo de Mourinho é figura pela idade e pelos recordes

Estreou-se como treinador principal de uma equipa sénior no Campeonato de Portugal aos 22 anos, assinou a melhor época da história de dois clubes diferentes e esta temporada conduziu o Gafetense à invencibilidade. Conheça a história inspiradora do jovem técnico.

Pedro Paiva: Discípulo de Mourinho é figura pela idade e pelos recordes
Notícias ao Minuto

08:00 - 20/06/18 por Fábio Aguiar 

Desporto Exclusivo

Um certo dia, um amigo disse-me uma frase que nunca mais esqueci: "Os sonhos não têm tetos!" É bem verdade! Como não têm tempo ou idade! A história que hoje lhe contamos tem um protagonista que prova isso mesmo. Chama-se Pedro Paiva, tem 25 anos e muitos por concretizar. No entanto, também já concretizou alguns. Estreou-se como treinador principal de uma equipa sénior aos 22, no Campeonato de Portugal, ao serviço do Tourizense - um recorde na altura - (2014/15), transferiu-se depois para o Águias do Moradal, onde deixou o seu nome ligado à melhor prestação de sempre do clube nos nacionais (2015/16) e esta temporada conduziu o Gafetense, da AF Portalegre, à subida ao terceiro escalão do futebol português, com uma performance... sem derrotas - só mais duas equipas em Portugal o conseguiram em todos campeonatos: Mosteirense (AF Portalegre) e Amora (AF Setúbal).

"É um sentimento de realização pessoal muito grande porque era um projeto em que ninguém acreditava. Foi feito um plantel de raiz, com o material às costas, alugámos um campo para treinar na margem sul, a mais de 200km da nossa aldeia e formámos um grupo de bebés. Uma espécie de manta de retalhos com receita para o desastre. No início da época, o presidente pediu-nos para terminarmos na primeira metade da tabela e a verdade é que acabámos por fazer a melhor época da história do clube. Podia ter sido melhor, mas perante a realidade foi uma grande temporada, manchada agora com esta triste notícia de não subirmos mesmo por falta de verbas", começou por contar o jovem técnico, em entrevista exclusiva ao Desporto ao Minuto, salientando que, apesar de conhecer a realidade antes da época, sempre acreditou que era possível um feito desta grandeza.

"Já tinha treinado no Campeonato de Portugal e quando aceitei o desafio de voltar à Distrital só poderia ser para subir. Todos olhavam para mim e achavam-me um louco. Mas eu sabia que era capaz! O mais velho tinha 21 e por isso o discurso tinha que ir muito no sentido de perceber o momento ideal para colocar pressão ou de transmitir tranquilidade. Além disso, não podia demonstrar muita preocupação, por muito que a tenha. Antes do jogo com o Crato em casa ninguém acreditava em nós e eu senti um ambiente pesado. Cheguei ao balneário e só disse: 'Não quero saber se perdemos ou ganhamos o jogo. Não quero é que no final nos acusem de não termos dado tudo.' Não dei mais nenhum tipo de orientação tática. Apenas disse a equipa e fomos para dentro de campo. Aos 60' minutos estávamos a ganhar 3-0...", recorda.

Alcançado o sonho da subida que parecia impossível, Pedro Paiva depara-se agora com mais uma "montanha para escalar". Mas esta é bem a pique! Dada a falta de apoio suficiente da Câmara Municipal, o Gafetense necessita de investimento, já que neste momento, a menos de um mês do arranque da pré-época, não existem verbas que permitam inscrever a equipa nos nacionais. Apesar do 'menino' ter dado o 'peito às balas', pelo clube, pelos jogadores e pelo povo de Gáfete, lutando até ao fim pela subida, o futuro passa mesmo pelos distritais. "Não tenho palavras... Sinceramente não sei o que pensar. Depois de uma época de tanto sacrifício e luta, chegarmos a este ponto e não subirmos por falta de dinheiro é, no mínimo, muito triste e, ao mesmo tempo, frustrante. Como se explica isto a jogadores jovens que ao longo da última época tanto sofreram para conseguirmos este feito único? É lamentável", frizou, visivelmente triste com este desfecho.

Notícias ao MinutoPedro Paiva visitou a redação do Notícias ao Minuto e concedeu uma entrevista exclusiva ao nosso site.© Fábio Aguiar

Um trajeto marcado por dificuldades

Apesar da juventude, Pedro Paiva é já um treinador com experiência. Depois de iniciar a caminhada na formação do Corroios, o jovem deu o salto para a Naval 1.º Maio. Na Figueira da Foz, desempenhou as mesmas funções, antes de se assumir como diretor-desportivo. No entanto, "o bichinho do treino falava mais alto" e foi por isso mesmo que se aventurou, aos 22 anos, no comando do Tourizense. A ambição desmedida e a confiança no próprio trabalho levou-o assumir a responsabilidade sempre medos, apesar de toda a desconfiança que gerava... pela idade.

"Apanhei a realidade mais difícil da Naval. Três anos antes de eu chegar estava na Primeira Liga e quando cheguei nem havia adeptos. No ano seguinte fui diretor desportivo e aí senti mais a desconfiança. Tendo 21 anos, fazia alguma confusão às pessoas. Felizmente a administradora da SAD protegeu-me um pouco. Em Touriz foi diferente porque era eu que dava sempre a cara por todos. Mas senti-me muito acarinhado e fiz muitas amizades. Respeitavam-me, admiravam o meu trabalho, acreditavam em mim e apoiavam", ressalva, recordando depois a passagem pelo Águias do Moradal, equipa do conselho de Oleiros, há duas temporadas.

"No Estreito foi diferente. Primeiro porque é um meio mais pequeno, onde a média de idades das pessoas que vão ao futebol é mais elevada, e, ainda por cima, entrei com o pé esquerdo, com quatro derrotas nos primeiros quatro jogos. As pessoas criticavam muito, mas acho que é mais uma questão de mentalidade. Foi-nos pedido para acabar a época com dignidade e a verdade é que conseguimos discutir o playoff de manutenção com o Sacavenense. Aí, as pessoas reconheceram o trabalho. Já tinha tudo acertado com o presidente para renovar desde março e a verdade é que, apesar de ser novo, sempre tive uma educação rígida da parte do meu pai que me ensinou que sempre que damos a nossa palavra, damos mesmo e ponto final. No entanto, o que é certo é que eles voltaram com a palavra atrás. No último jogo houve um grupo de adeptos que me pediu para ficar", lembra, num sentimento de natural nostalgia.

Notícias ao MinutoApós um mar de dificuldades ao longo da época, o técnico festejou com a equipa do Gafetense a subida ao Campeonato de Portugal.© Facebook

Os cadernos do Football Manager e a inspiração em Mourinho

Nesta altura, caro leitor, deve estar a questionar-se: 'Mas como é que um jovem de 25 anos tem já esta paixão pelo treino e não pelo jogo dentro de campo?' Pois bem, a verdade é que sempre assim foi, desde bem cedo. Embora gostasse de jogar, o entusiasmo de Pedro Paiva sempre esteve virado para  liderança. "Isto é triste de se dizer, mas eu era para ter chumbado na primeira classe porque não sabia fazer quase nada. Mas em casa o meu irmão jogava muitos jogos de gestão, o Elifoot e depois o Championship Manager. Explicava-me e ficou esse bichinho. A juntar a isso, tinha o hábito de ler o jornal. Comecei a gostar, a ver mais jogos, chegou o Euro'2000 e adorei aquilo", conta, revelando a sua maior inspiração.

"A entrada do José Mourinho no Benfica foi o clique. Vibrei mesmo e ao acompanhar os feitos dele e a jogar os tais jogos comecei mesmo a ter essa paixão. Aos 13 anos, saiu o livro 'Mourinho: Porquê tantas vitórias' e fui lendo, aprendendo e passei horas e horas a jogar FM. Apontava tudo, tinha cadernos com jogadores, treinos... Até a parte do scouting, de procurar jogadores, eu fazia. Era uma obsessão. Até hoje tenho essa admiração tremenda pelo 'Special One'. Já vimos várias facetas dele, todas elas com relativo sucesso. Em termos estratégicos é uma mente brilhante e no treino foi um autêntico revolucionário e foi ele que serviu de base para tudo o que fazemos hoje em dia em Portugal. Como ele não há! Foi um pioneiro e tento seguir-me por ele", confessa.

Notícias ao MinutoJovem técnico explica que a constituição do plantel do conjunto alentejano era, no início, uma espécie "receita para o desastre" que, depois, acabou por revelar-se uma fórmula de sucesso.© Facebook

A maior crítica são... as asneiras

Quem conversa com Pedro Paiva durante cinco minutos percebe de imediato que toda a sua carreira se sustenta numa palavra: paixão. A idade, esse pormenor que nesta profissão tanta tinta faz correr, é passada para segundo, terceiro (ou último) plano. Metódico, organizado e viciado nos detalhes, o técnico vive bem com as dificuldades e é essa força de vontade que o tem guiado nas várias experiências que já abraçou, apesar da... idade. "O meu percurso de vida sempre foi com conquistas puxadas a ferro, com dificuldades. E como treinador também é assim. O meu reconhecimento surge sempre sobre suor, sangue e lágrimas. Sempre tive que lidar com as críticas e com as dificuldades e só depois me é reconhecido mérito. O que é certo é que nas duas experiências em que terminei a época como treinador principal, no Águias do Moradal participei no Campeonato de Portugal e fiz a melhor classificação de sempre do clube e no Gafetense, no distrital de Portalegre, fiz a melhor classificação da história do clube. Por isso, por muito que não queiram reconhecer, os números contrariam qualquer tipo de teoria", frisa, revelando a maior crítica de que foi alvo esta temporada.

"Era engraçado que as pessoas de Gáfete não demonstravam o descontentamento normal, se a equipa joga bem ou mal, se ganha ou não. A maior crítica que me faziam é que eu digo muitas asneiras. Chegaram a ir pessoas falar com o presidente. Na grande maioria dos jogos tinha a minha família a ver, mas eu sou assim. Vivo o jogo intensamente e qualquer reação no banco é instintiva. Estou apenas focado no que se passa dentro das quatro linhas", vinca, admitindo que esta época deparou-se com uma nova realidade nunca antes vivida: "Tinha uma equipa muito jovem, em que o mais velho tinha 21 anos. É mais fácil gerir um grupo mais velho. Se não fores um bom líder, tanto vais ter problemas com um jogador de 18 anos como com um de 32. Se fores um bom líder, até poderás ter menos problemas com os mais velhos, pois eles já têm outra experiência, conseguem perceber as coisas e têm uma capacidade diferente de lidar com a crítica. Não imponho as regras, mas sim tento explicar o meu ponto de vista."

Notícias ao MinutoMetódico, organizado e perfecionista, Pedro Paiva vive intensamente cada jogo a partir do banco de suplentes.© Facebook

As muitas adaptações de jogadores e... garrafões

Se nas três experiências como treinador principal Pedro Paiva encontrou realidades distintas, há um detalhe em comum em todas elas: as adaptações. Os orçamentos curtos aliados às muitas carências coletivas levaram o treinador a optar por esta estratégia que é já uma das suas imagens de marca. "No Águias do Moradal foram umas sete", recorda, entre risos, explicando: "Adaptei um médio-defensivo a ponta-de-lança e acabou como melhor marcador da série. Este ano no Gafetense foi um central para ponta-de-lança, um ponta-de-lança a médio-defensivo, todos os laterais foram adaptados... Enfim, já perdi a conta. Isto tem muito a ver com a mentalidade do treinador português, que é muito de desenrasca. Por isso é que temos sucesso em todo o lado. Por exemplo, na Quinta do Conde não havia marcas e eu cortei garrafões, pintei e serviram de pinos. Com os jogadores é igual. Se um jogador não se adapta ao modelo de jogo, porque não tentar adapta-lo consoante as necessidades da equipa?"

Notícias ao MinutoRelação próxima com os jogadores é um dos valores que o treinador não dispensa.© Facebook

Jogadores em dificuldades e necessidade de regar a relva

Como já referimos, Pedro Paiva nunca teve em mãos um projeto sem obstáculos graves. Desde ordenados em atraso, à necessidade de ser a própria equipa técnica a regar o relvado e a trabalhar sem as mínimas condições, até chegar ponto de jogadores passarem fortes dificuldades, o jovem treinador já passou por tudo. Esses traumas "beliscaram naturalmente o sonho", mas não lhe retiraram "a ambição e, sobretudo, a paixão." Depois de já ter tido a oportunidade de assumir o comando dos sub-17 do Crystal Palace, em 2014 - rejeitou porque sentiu que não era o momento ideal nem as condições satisfaziam -, o técnico admite que o grande objetivo é continuar a "evoluir em Portugal", mas não descarta uma aventura no estrangeiro. 

"Eu tinha estabelecido a meta dos 30 para chegar ao Campeonato de Portugal. Tenho 25 e já lá estive por dois clubes diferentes. Quando me estreei, com 22 anos, no Tourizense pensei que antes dos 30 queria estar na 2.ª Liga. Mas já não alimento muito isso, tudo acontecerá naturalmente. Não vivo obcecado. O meu objetivo é sempre ter trabalho para a época seguinte. Só tenho uma meta pessoal. É chegar a um clube do Campeonato de Portugal e subi-lo aos escalões profissionais. Tenho feito tudo para lá chegar, veremos qual será o melhor caminho", assegura, deixando uma promessa: "Quero chegar à Primeira Liga em Portugal sei que vou lá chegar. Não importa com que idade, mas acredito que vou conseguir!"

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