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Mala Voadora cria 'Manual sobre o Trabalho e a Felicidade' com catalão

Os membros da companhia de teatro Mala Voadora Jorge Andrade e José Capela criaram, em conjunto com o escritor catalão Pablo Gisbert, a peça "Manual Sobre o Trabalho e a Felicidade", durante uma residência artística em Itália.

Mala Voadora cria 'Manual sobre o Trabalho e a Felicidade' com catalão
Notícias ao Minuto

13:00 - 19/08/17 por Lusa

Cultura Escritor

O trio esteve de 01 a 11 de agosto em residência artística no L'arboreto -- Teatro Dimora, na cidade italiana de Mondaino, onde desenvolveram a criação, que estará pronta em dezembro e incide sobre as práticas de trabalho de pessoas de várias profissões que não ligadas ao mundo artístico, aqui chamados ao palco e ao processo artístico para partirem de um "manual tipo IKEA" para a montagem de um espetáculo que reflete sobre questões laborais e a felicidade.

O conceito surgiu "de uma ideia antiga da companhia", explicou, à Lusa, José Capela, que era a de criar um "espetáculo musical, no sentido geral do termo", com desempregados, que seriam contratados para desenvolverem as suas profissões num esforço "orquestrado" em palco, mas evoluiu, mais tarde, para a obra agora cocriada com Pablo Gisbert, que também entra na vontade de "redefinir a forma como a Mala Voadora trabalha a partir de um tema", ligando "a ideia de trabalho e a de manual, repensando o espetáculo de acordo com o tema".

"O Manual não encerra o espetáculo com rigor absoluto, são instruções que podem ser interpretadas. Isso é uma coisa que nos interessava muito, que o manual de montagem do espetáculo tivesse abertura suficiente para que cada espetáculo que depois é feito tenha uma identidade própria", acrescentou.

Assim, cada montagem "depende dos participantes e da interpretação que farão" das várias partes da obra, o que implica que cada produção dure "cerca de um mês", entre a escolha dos participantes e a preparação para o trabalho teatral.

"A ideia é que - e isso faz parte do Manual - nós nos possamos inteirar do trabalho que os participantes desenvolveram ao longo da vida e o que o trabalho significa para elas. A outra fase é nós partilharmos o nosso, de fazer espetáculos, e ver como podem fazer leituras, ainda que acompanhadas por mim, mas sem ser muito dirigido, porque o interessante é perceber a leitura que fazem", apontou Jorge Andrade, que será "um interlocutor" entre a obra e os participantes.

A mistura entre "as experiências que os participantes transportam com eles" e o trabalho artístico dos criadores dá origem a um "trabalho conjunto" que foi escrito em português e espanhol, e será ainda traduzido, "para já", para grego e italiano.

"Se isso (o trabalho conjunto) nos fará felizes ou não, não sei, mas essa é a proposta", adiantou Andrade, sendo que a peça terá uma primeira leitura em Mondiano, em dezembro, antes de se estrear já com um elenco no Teatro de Patras, na Grécia, a 17 de março.

Depois, estreia-se em Portugal no Montijo, a 13 e 14 de abril, antes de ser apresentada, em maio, em Alcobaça, e novamente em Itália, no âmbito do festival Pergine Spettacolo Aperto (em que esteve inserida a residência artística), e por fim no Porto, antes da possibilidade de uma digressão mais alargada e de criações alheias à Mala Voadora a partir do texto.

O "Manual sobre o Trabalho e a Felicidade", que foi feito em parceria com a Artemrede, o L'Arboreto, o Pergine Spettacolo Aperto e o Teatro de Patras, será disponibilizado gratuitamente na Internet, para que "quem quiser" possa levar a palco uma produção, escolhendo "as partes que mais interessam do texto", podendo ainda utilizar "uns 'kits' de cenografia.

"Os 'kits' podem ser combinados, mas não precisam de ser todos usados", e ajudam a aproximar a produção da ideia de construção a partir de um livro de instruções, mas mantém o carácter único de cada produção.

"Temos alguma expetativa para entender como é que gregos, italianos e portugueses entendem o mesmo manual", comentou Jorge Andrade, que revelou ainda que a companhia portuguesa tem projetados espetáculos "até 2020", incluindo "Amazónia", que se estreia em novembro no São Luiz Teatro Municipal, em Lisboa.

Até dezembro, a programação que a Mala Voadora acolhe no seu espaço, no Porto, está "fechada", com várias apresentações, mas José Capela referiu que a equipa está a "repensar profundamente" o modelo de acolhimento.

"Chegámos ao final de um ciclo em 2017 e queremos repensar, não estar só em piloto automático. Conseguimos uma boa dinâmica com o espaço, a cidade e os novos artistas, e queremos dar alguma mexida e perceber o que poderemos fazer com o espaço, para que continue a dialogar com a cidade e connosco de forma estimulante", acrescentou Jorge Andrade.

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