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Cuca Roseta apresenta novo álbum no Mosteiro dos Jerónimos

A fadista Cuca Roseta, que apresenta o seu novo álbum, ‘Raiz’, na segunda-feira, afirmou à Lusa que "o fado é a procura da verdade", reflectindo, este disco, essa busca.

Cuca Roseta apresenta novo álbum no Mosteiro dos Jerónimos
Notícias ao Minuto

20:15 - 03/05/13 por Lusa

Cultura Belém

‘Raiz’, constituído por 14 temas, maioritariamente de autoria - letra e música - de Cuca Roseta, é apresentado segunda-feira, às 18h30, nos claustros do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, "um local simbólico da coragem e força dos portugueses, que faz sentido evocar, numa altura de baixa auto-estima e autoconfiança nacionais", justificou a intérprete.

A fadista afirmou à Lusa que o fado é a sua "paixão", um género que "não é superficial, é muito profundo, não é para mostrar voz".

"O fado - afirmou - é a voz da alma, exige silêncio para se ouvir porque é reflexivo".

"Estudo muito o fado, vou muito aos antigos, aprofundo o que faço", disse

Referindo-se ao facto de assinar a letra e música de dez temas e ainda a música para um poema de Florbela Espanca e duas letras, para quais compuseram André Sardet e Pedro Lima, Cuca Roseta afirmou que o processo "surgiu de forma natural".

"As músicas que compus para o primeiro disco tiveram boa aceitação e muitas pessoas pediam-me para compor mais, e comecei por tentar fazer um fado menor, e um a um foram surgindo naturalmente", disse a intérprete.

"Tentei fazer uma marcha, depois escrever uma letra sobre a Amália [Rodrigues], em seguida compor um fado menor, que é o meu preferido, e depois um mais alegre, e foi uma surpresa pois fui criando e foi surgindo", contou.

No álbum, "queria falar do fado, do que sinto e como me expresso no fado, o que ele representa para mim, que é tudo; queria falar de Lisboa e de Amália, é claro", disse a fadista.

‘Fado do Cansaço’ abre o CD, que inclui ainda o ‘Fado da Essência’, o ‘Fado do Contra’, ‘Fado do Abraço’, ‘Fado Proibido’ e o ‘Fado do Perdão’, entre outros, como a ‘Marcha da Esperança’, uma homenagem à fadista Amália Rodrigues, falecida em Outubro de 1999.

Além de Cuca Roseta, os dois autores escolhidos são o chef José Avillez, que Tozé Brito musicou, e Florbela Espanca, poetisa que a fadista considera "imprescindível" nos seus discos e da quem escolheu o ‘Fado da Vaidade’, que musicou.

"O tema da Florbela é como olhar-me ao espelho, pois é um atrevimento escrever, compor e lançar um álbum, e no poema ela afirma que é a poetisa eleita, aquela que diz tudo e tudo sabe, até que acorda do sonho e nas suas palavras afirma: 'não sou nada'", disse a intérprete.

"Quanto ao chef Avillez, ele escreveu um poema de índole católica, o que me levou a escolhê-lo, e também porque no anterior álbum também encerrei com o fado 'Avé Maria', e é algo que faz parte da minha vida", disse.

"Cada um destes temas conta uma história de vida que se passou comigo, e as outras pessoas acabam por se encontrarem também nelas e partilhá-las", sustentou.

A fadista é acompanhada, no álbum, por cinco guitarristas - Bernardo Couto, Luís Guerreiro, Eurico Machado, José Manuel Neto e Bruno Costa -, por Pedro Pinhal, em viola, e pelo contrabaixista Rodrigo Serrão.

Segunda-feira, nos claustros dos Jerónimos, Cuca Roseta será acompanhada por Bernardo Couto e Luís Guerreiro, na guitarra portuguesa, Bruno Costa, na guitarra de Coimbra, Pedro Pinhal, na viola de fado, e Frederico Gato, no baixo acústico.

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