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Mohammad Rasoulof que fugiu do Irão deverá marcar presença em Cannes

O realizador iraniano Mohammad Rasoulof, que conseguiu fugir do Irão depois de ter sido condenado por atentar contra o regime, irá apresentar o mais recente filme em Cannes, França, anunciou hoje o festival de cinema.

Mohammad Rasoulof que fugiu do Irão deverá marcar presença em Cannes
Notícias ao Minuto

19:04 - 21/05/24 por Lusa

Cultura Mohammad Rasoulof

Em declarações à agência France-Presse, o delegado-geral do Festival de Cinema de Cannes, Thierry Frémaux, disse hoje que Mohammad Rasoulof vai marcar presença no evento e que o filme "Les graines du figuier sauvage" ("As sementes da figueira selvagem") deverá ser exibido na sexta-feira.

Thierry Frémaux disse que, ao receber Mohammad Rasoulof, o festival manifesta publicamente o seu apoio "a todos os artistas que, em todo o mundo, sofrem violência e represálias na manifestação da sua arte".

"Estamos particularmente emocionados por recebê-lo aqui como cineasta com o seu filme", afirmou Frémaux.

Rasoulof, de 51 anos, que já foi por duas vezes premiado em Cannes, foi condenado em janeiro, em Teerão, a oito anos de prisão e a flagelação; e a pena deveria ser executada em breve, pelo que o realizador decidiu fugir do país.

Na semana passada, em entrevista ao jornal britânico The Guardian, o cineasta revelou que conseguiu passar a fronteira a pé, através de uma região montanhosa, deixando para trás todos os dispositivos com localização, e que chegou em segurança à Alemanha.

O realizador pretende mostrar o filme em Cannes, mas deverá regressar ao país "em breve" e cumprir a pena, escreveu o jornal britânico.

Considerado uma das vozes do cinema iraniano de oposição ao regime conservador islâmico de Teerão, juntamente com Jafar Panahi ou Saeed Roustaee, Mohammad Rasoulof já tinha estado preso anteriormente, por causa dos filmes que realizou.

Em 2020, o festival de Berlim atribuiu-lhe o Urso de Ouro pelo filme "O mal não existe", na ausência do realizador, detido pelas autoridades por "conluio contra a segurança nacional e propaganda contra o sistema".

O novo filme, que integra Cannes, "conta a história de um juiz de instrução que se afunda em paranoia, num momento em que surgem grandes manifestações em Teerão", escreveu a AFP.

O festival de cinema de Cannes começou no dia 14 e termina no sábado, dia em que são anunciados os prémios principais.

Leia Também: Festival de Cannes começa hoje e tem cinema português

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