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Poesia e literatura infantil são para "despertar emoções"

A poesia e a literatura infantil têm a mesma natureza, mas modos diferentes de expressão e um compromisso de não servirem para nada, a não ser "despertar emoções" nos leitores, disse à agência Lusa o escritor Álvaro Magalhães.

Poesia e literatura infantil são para "despertar emoções"
Notícias ao Minuto

11:18 - 21/05/22 por Lusa

Cultura Literatura

Com mais de uma centena de livros publicados e alguns milhões de exemplares vendidos, Álvaro Magalhães está a celebrar 40 anos de vida literária, a contar desde a edição de "Uma história com muitas letras", de 1982.

A assinalar a data redonda, a Porto Editora reedita este mês o livro de poesia ilustrado "O Brincador", intitulado com um dos poemas mais conhecidos de Álvaro Magalhães e com ilustrações de Cátia Vidinhas.

Álvaro Magalhães, nascido no Porto, tem 70 anos, começou por escrever poesia, que lançou em edição de autor, mas está vinculado desde os anos 1980 à literatura denominada infantil e juvenil, porque é direcionada para crianças e jovens, embora o autor sempre diga que o que faz é para todos.

Em quatro décadas, não sabe bem já quantos livros editou -- "é à volta de 120" -, entre conto, poesia e álbum ilustrado, incluindo várias séries de enorme sucesso, como "Triângulo Jota", que, segundo ele, nos anos 1990 terá vendido pelo menos dois milhões de exemplares, e as recentes "O estranhão" e "Os Indomáveis FC".

Tal como tantos outros autores, começou a inventar histórias para a filha, porque a paternidade o levou a uma "imersão no mundo da infância", no território do espanto, da brincadeira e da curiosidade, onde diz estar ainda hoje.

"De repente comecei a mergulhar mais naquilo e a perceber que a literatura infantil, tal como a entendia, não era diferente da poesia. Têm a mesma natureza, mas com modos de expressão diferente. Eu sentia que encontrava mais o poético quando escrevia literatura infantil do que quando escrevia poesia. Ficava saciado dessa necessidade de escrever poesia", afirmou.

Venceu vários prémios literários, que lhe serviram de estímulo para continuar a publicar, e, por altura da série "Triângulo Jota", passou a viver apenas da escrita.

Além da filha, Álvaro Magalhães identifica ainda duas outras pessoas que o levaram para este universo: A escritora e editora Ilse Losa, que o estimulava a escrever, e o autor e amigo Manuel António Pina.

"Ele é que fundou a modernidade na literatura infantil. Até aí não existia nada. Ele é que nos mostrou que havia vida em Marte, que havia um mundo de possibilidades, [...] uma literatura gratuita, feita de jogo de palavras, de explorações semânticas, linguísticas. Ele foi o fundador", disse.

Da infância, Álvaro Magalhães recorda que não teve o estímulo familiar para a leitura: "Tive por mim. Eu tinha necessidade e vontade, mas não encontrava os livros em casa. O que havia na minha casa de leitura disponível era o Jornal de Notícias e tinha uma página literária que me atraía bastante, quase tanto como uma página de desporto, de futebol".

Hoje, nas horas diárias que dedica à escrita, ainda tem à mão alguns dos livros afetivos, auxiliares para desentorpecer a criatividade.

"A ilha do tesouro", de Robert Louis Stevenson, as séries de "Os cinco" e "Os sete", de Enid Blyton, "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carroll, são algumas referências, mas acima deles está "Joanica-Puff", de A. A. Milne.

"Uma pessoa lê um bocadinho -- já o li dezenas de vezes -- e aquilo dava-me um tom para escrever e para sintonizar com a criatividade", disse.

Ao fim de 40 anos, Álvaro Magalhães diz que ainda é um "brincador, um outro nome do poeta, o que nunca parou de brincar", mas para ele, a poesia "não é para compreender".

"É estúpido e inútil o esforço que as pessoas fazem para compreender. É para ser ouvida como uma espécie de música e depois em cada leitor causa uma impressão diferente", disse.

E a literatura não é para ensinar nada.

"A literatura infantil está muito contaminada de equívocos e erros, e pessoas que usam a literatura infantil não como literatura, mas para ensinar coisas, para a pedagogia. Às vezes há coisas muito boas, cheias de boas intenções, que devem ser ensinadas aos mais novos, mas não é através da literatura, isso é um desperdício. A literatura não é para ensinar. [...] É para despertar emoções, para avivar coisas que tens dentro de ti. A literatura faz-se dentro de cada um. Um texto tem um milhão de leituras se tiver um milhão de leitores", defendeu.

De acordo com a Porto Editora, coincidindo com os 40 anos literários, Álvaro Magalhães editará ainda em junho um novo volume da série "Os Indomáveis FC" e em outubro outro.

Em junho sairá uma nova edição de "O circo das palavras voadoras", com ilustrações de Sebastião Peixoto, e que é uma revisitação do livro de estreia, "Uma história com muitas letras".

A coleção "O estranhão" terá novo volume em outubro.

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