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'Distopia' de Tiago Afonso e '918 Nights' vencem festival DocLisboa

O documentário '918 Nights', da realizadora basca Arantza Santesteban, que aborda o seu tempo de prisão, por alegada ligação à ETA, venceu o Grande Prémio Cidade de Lisboa de Melhor Filme da Competição Internacional do festival DocLisboa, hoje anunciado.

'Distopia' de Tiago Afonso e '918 Nights' vencem festival DocLisboa
Notícias ao Minuto

21:52 - 30/10/21 por Lusa

Cultura DocLisboa

Na competição nacional, o prémio de Melhor Filme foi para 'Distopia', de Tiago Afonso, enquanto a coprodução luso-brasileira 'Meio Ano-Luz', de Leonardo Mouramateus, venceu o prémio do júri desta edição do DocLisboa.

'Distopia' denuncia "não só a gentrificação que transforma a cidade", mas também "a gentrificação das mentes, das imagens e da forma do cinema", através da "luta de uma comunidade pelos seus direitos", sublinhou o júri. O filme acompanha, durante 13 anos, de 2007 a 2020, a mudança no tecido social da cidade do Porto, demolições, expulsões e realojamentos que afetam a comunidade cigana do Bacelo, a população do Bairro do Aleixo e os vendedores da Feira da Vandoma.

'Meio Ano-Luz' fixa-se numa esquina da zona histórica de Lisboa, no ilustrador que aí se encontra e nas pessoas que por ela passam.

O prémio do júri da competição internacional foi para 'O Lugar Mais Seguro do Mundo', de Aline Lata e Helena Wolfenson, tendo sido atribuída uma menção honrosa a 'Public Library', de Clément Abbey

'Alcindo', do antropólogo Miguel Dores sobre racismo em Portugal, a partir da história do homicídio de Alcindo Monteiro, português de origem cabo-verdiana, vítima de ódio racial, em 1995, foi o filme distinguido com o Prémio do Público.

O Prémio Revelação para Melhor Primeira Longa-Metragem foi para 'You Are Ceausescu to Me', de Sebastian Mihailescu. Uma menção honrosa foi atribuída a 'The Spark'/'L'Étincelle', de Valeria Mazzucchi e Antoine Harari.

A produção brasileira 'Gargaú', de Bruno Ribeiro, recebeu o Prémio de Melhor Curta-Metragem, que conta com uma menção honrosa para 'Avenuers' (ep. 3), de Roberto Santaguida.

O Prémio Prática, Tradição e Património foi para a produção brasileira 'Nuhu Yãg Mu Yõg Hãm: Essa Terra é Nossa!', de Isael Maxakali, Sueli Maxakali, Carolina Canguçu e Roberto Romero, uma história de ocupação e extermínio dos povos indígenas.

O Prémio Fernando Lopes - Prémio Midas Filmes e Doclisboa para Melhor Primeiro Filme Português, foi para 'Sounds of Weariness/Léssivés', de Taymour Boulos, um filme de cariz experimental.

Pedro Figueiredo Neto e Ricardo Falcão receberam o Prémio Lugares de Trabalho Seguros e Saudáveis, com 'Yoon'.

Na Competição Verdes Anos, foi premiado 'Tardo Agosto', de Federico Cammarata e Filippo Foscarini, e o Prémio Especial do Júri foi para 'A cambio de tu vida', de Olatz Ovejero, Clara López, Aurora Báez e Sebastián Ramírez, enquanto 'Meia-Luz', de Maria Patrão, teve o prémio de Melhor Filme Português - uma obra inspirada pelas imagens de 'Jaime', de António Reis. Foi também atribuída uma menção honrosa, na competição Verdes Anos, a 'Fora da Bouça', de Mário Veloso.

Os prémios Arché para projetos em fase de montagem distinguiram 'Bajo las banderas, el sol', de Juan José Pereira, e 'Handycam', de Francisco Bouzas (prémio do júri).

Na fase de Escrita ou Desenvolvimento foram escolhidos 'BEA VII', de Natalia Garayalde, e 'As Mulheres do Pau-Brasil', de Thais de Almeida Prado. Houve ainda uma menção especial para 'Orlando Furioso' de Rafael Ramirez.

O festival DocLisboa que teve início no passado dia 21 regressou este ano ao formato em sala de cinema, com mais de duzentos filmes.

'Famille FC', de André Valentim Almeida, 'Kinorama - Beyond the walls of the real', de Edgar Pêra, 'Eunice ou carta a uma jovem atriz', de Tiago Durão, sobre Eunice Muñoz, 'Ninguém fica para traz', de Nuno Pires Pereira (dar o lugar da preposição ao verbo trazer é propositado), sobre a associação União Audiovisual, e 'Jamaika', de José Sarmento Matos, sobre a vida do bairro da Jamaica (Setúbal), foram outros filmes portugueses selecionados pelo festival.

O DocLisboa encerra no domingo com 'The tale of king crab', estreado este ano em Cannes, assinado por Alessio Rigo de Righi e Matteo Zoppis.

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