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Poesia de Ron Padgett editada pela primeira vez em Portugal

Uma antologia dos principais poemas de Ron Padgett, um dos mais importantes poetas norte-americanos vivos, inédito em Portugal, chega hoje às livrarias, numa edição bilingue, traduzida por Rosalina Marshall, que trabalhou diretamente com o autor.

Poesia de Ron Padgett editada pela primeira vez em Portugal
Notícias ao Minuto

20:40 - 21/09/18 por Lusa

Cultura Antologia

"Com introdução, seleção e tradução de Rosalina Marshall, que trabalhou em diálogo com o autor, este livro apresenta, pela primeira vez em Portugal, uma antologia de um dos grandes poetas norte-americanos do nosso tempo, Ron Padgett, em edição bilingue", indica a Assírio & Alvim, chancela da Porto Editora responsável pela edição do livro.

Esta edição compõe-se de uma amostra heterogénea da criação poética do autor, desde a década de 1960 até aos anos mais recentes, e que atravessa o imaginário da infância, o processo da criação poética, a vida, a morte e o amor, explica a editora.

Trata-se de uma antologia que procura oferecer uma amostra expressiva da variedade de trabalhos produzidos durante os diversos estágios e períodos da obra de Ron Padgett, explica a tradutora na introdução à obra.

Rosalina Marshall explica que trabalhou diretamente com o autor na seleção e articulação dos poemas, e acredita que não há em Padgett necessidade de organizar os poemas de forma cronológica, pois, apesar da componente autobiográfica, não existe uma linearidade.

A obra encontra-se, assim, dividida em quatro capítulos: 'A grande cabana', 'Poemas reunidos', 'Sozinho, mas não só' e 'Faz as contas', este último com apenas um poema.

São "versos inesperados, coloquiais e não raro surrealizantes, com temas que ilustram desde o quotidiano mais simples às mais profundas reflexões existenciais", especifica a editora.

Reconhecendo que trabalhar sobre a obra de um poeta vivo pode ser uma desvantagem, pelas possíveis intromissões, no caso de Ron Padgett, Rosalina Marshall considera que as vantagens foram "quase ilimitadas", na medida em que a sua generosidade, prontidão e sensibilidade contribuiram para um aumento da compreesão e admiração por este autor "quase desconhecido em Portugal".

"A execução da tradução num contexto mais personalizado facilitou a perceção poética da tonalidade afetiva da sua escrita direta e limpa, abriu possibilidades de leitura, clarificou o seu transporte, para a língua portuguesa e contribuiu para que o corpo do trabalho ganhasse uma identidade estética genuína", escreve Rosalina Marshall.

Nascido em Tulsa, Oklahoma, a 17 de junho de 1942, Ron Padgett é comummente associado ao grupo de escritores que formam a segunda geração de poetas da New York School.

Ainda no liceu desenvolveu estreita amizade com Joe Brainard (artista plástico e escritor associado à mesma escola literária), com quem virá a colaborar durante toda a vida.

Aos 17 anos, com Joe Brainard e Dick Gallup, outro dos seus colegas, funda a revista literária 'The White Dove Review', para a qual submeteram poemas alguns dos mais importantes poetas contemporâneos.

Contando com apenas cinco números publicados, ainda assim esta revista de poesia e ilustração teve a participação de escritores como Allen Ginsberg, Jack Kerouac, Robert Creeley, Carl Larsen, Ted Berrigan, LeRoi Jones, Ron Loewinsohn e Fielding Dawson, entre outros.

Em 1960, mudou-se para Nova Iorque, onde estudou literatura inglesa e comparada, no Columbia College, universidade que escolheu por ter albergado poetas que admirava, como Kerouac e Ginsberg.

Aqui iniciou estudos com o poeta, professor e dramaturgo Kenneth Koch, que o conduziu à grande viragem da sua forma de pensar e criar, passando a ser um "extraordinário mentor, amigo, uma figura paternal com quem posteriormente trabalhou, viajou e jogou ténis", explica a tradutora.

O seu interesse e curiosidade pelo movimento dadaísta levou-o a Paris, em 1965, onde viveu durante um ano, com uma bolsa Fulbright, a estudar e a traduzir literatura francesa do século XX.

Aí pesquisou o trabalho de Francis Picabia e conheceu Marcel Duchamp, com quem manteve um breve relacionamento em Nova Iorque, por ter traduzido uma entrevista com este, levada a cabo pelo crítico de arte Pierre Cabanne.

Foi também na década de 1960 que começou a publicar a sua poesia e traduções, tendo publicado diversos livros, entre os quais 'Great Balls of Fire' (1969).

Da sua bibliografia constam também obras como 'You Never Know' (2001), 'How to Be Perfect' (2007), 'How Long' (2011, finalista do prémio Pulitzer) e a antologia 'Collected Poems' (2013, vencedor do Prémio L.A. Times Book).

Durante muitos anos, Padgett dedicou-se também ao ensino da escrita criativa poética às crianças.

Em 2016, vários poemas de Padgett figuraram no filme "Paterson", de Jim Jarmusch, incluindo dois escritos expressamente para o filme.

Nesse ano, o poeta visitou Portugal, no âmbito da programação do Lisbon & Estoril Film Festival, que contou com a antestreia do filme de Jarmusch.

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