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Diego Luna: "Para compreender a opressão, tens de ver o quadro completo"

Entrevistámos o protagonista de ‘Andor’, a nova série de ‘Star Wars’, disponível esta quarta-feira, dia 21, em exclusivo no Disney+.

Diego Luna: "Para compreender a opressão, tens de ver o quadro completo"

Foi em 2016 que os fãs de ‘Star Wars’ puderam assistir a um filme diferente daquilo a que estavam habituados neste 'universo'. Ao invés de seguir os cavaleiros Jedi e os temíveis Sith, 'Rogue One' teve como personagens principais um grupo de rebeldes e procurou mostrar o seu (importante) papel na derrota do Império na primeira trilogia da saga.

Entre estas personagens destacou-se Cassian Andor, interpretado por Diego Luna e que teve como um dos seus momentos altos o triste desfecho do filme. Agora, Luna está de volta à pele de Cassian com uma nova série simplesmente intitulada ‘Andor’ - não deixando portanto margem para dúvidas a respeito de quem é o protagonista desta série e que procura mostrar o começo da rebelião.

Foi a propósito desta série - disponível a partir desta quarta-feira, dia 21, no Disney+ - que o Notícias ao Minuto conversou com Diego Luna, via Zoom, numa ‘roundtable’ que contou também com a presença de outros jornalistas.

Além da questão da representatividade, Luna falou ainda sobre o contributo de Tony Gilroy (conhecido sobretudo pela trilogia ‘Bourne’) para este capítulo da saga ‘Star Wars’ e porque devem os fãs ver ‘Andor’ quando já sabem o desfecho de Cassian.

O começo da série parece retratar o começo da história de um refugiado, em que vemos um jovem Cassian e o que ele deixa para trás. Tentaram fazer esta série parecer-se com o mundo real neste e noutros aspetos?

Sim, sem dúvida que quisemos mostrar o mundo em que vivemos e penso que ‘Star Wars’ sempre foi uma ferramenta para refletirmos e para comentários políticos e sociais. Não estaria a trabalhar em nada disto se não tivesse a oportunidade de refletir no que é importante para mim e a história do Cassian é uma boa forma de nos lembrarmos do que somos capazes, sabes? 

O que somos capazes de fazer se articularmos as nossas respostas enquanto comunidade, se acreditarmos na força da comunidade e na importância de estarmos envolvidos e sermos parte de algo maior do que as nossas necessidades. Por isso, sim, penso que há imensos comentários em ‘Andor’ e, ao mesmo tempo, ainda estamos a viver nesta galáxia distante. É isso que é a ficção científica.

A beleza deste mundo em que vivemos está no facto de o público de hoje em dia ter uma voz e que essa voz está a transformar a indústria.

Já descreveu o seu papel em ‘Rogue One’ como a história de um migrante e falou sobre a mudança da sua família a partir da Cidade do México. Quão importante é para si ver pessoas como você representadas neste universo gigante que é ‘Star Wars’?

Sinto-me bem com isso. Penso que ‘Star Wars’ - apesar de se passar, como estava a dizer, numa galáxia distante - sempre refletiu o mundo em que vivemos. E o mundo em que vivemos é um mundo em que a diversidade está em todo o lado e interagimos com pessoas de diferentes culturas, ouvimos diferentes idiomas e sotaques… As histórias devem ser sobre isso - o mundo a que pertencemos.

Nós, enquanto público, devemos sempre ir assistir a filmes e ver histórias que falem sobre nós, que sejam pessoais e nos possam ajudar como se colocássemos um espelho à nossa frente. De outra forma o público não iria querer saber. A beleza deste mundo em que vivemos está no facto de o público de hoje em dia ter uma voz e que essa voz está a transformar a indústria. Penso que isso é interessante e esta é uma boa altura para contar histórias.

Como é representar uma personagem que está logo no começo da rebelião?

É interessante que, ao representar este homem e ao compreender a vida dele, conseguimos descobrir o que é necessário para que tenha início uma revolução. Como se manifesta a opressão na vida das pessoas e é isso que vamos ver aqui. É interessante pensar sobre isso e tentar representá-lo, porque é algo que não vimos no universo de ‘Star Wars’... não representado por pessoas normais. 

Penso que isso captou a minha atenção, sem dúvida. Tem muito a ver com a escrita complexo que o Tony Gilroy trouxe, em que as personagens são reais e têm muitas camadas. Tem sido fascinante representar algo que é tão real.

É tão realista quanto poderia ser porque, neste momento na história da galáxia, não há Jedi, nenhuma solução a não ser que as pessoas decidam fazer alguma coisa.

‘Rogue One’ foi aplaudido por muitos fãs de ‘Star Wars’ por se afastar de elementos como os Jedi e os Sith e mostrar os desafios de pessoas mais comuns. Acha que continua a haver espaço para mais séries e filmes sobre este tipo de pessoas?

Penso que sim, há claramente espaço para isso. ‘Andor’ é sobre isso. É por causa de ‘Rogue One’ que nos pediram para fazer ‘Andor’ e cá estamos, a contar uma história sobre pessoas normais.

Esta história é sobre o começo da revolução, começa numa altura em que o Império tem controlo completo e é uma altura complicada. É sobre o acordar desta comunidade e é tão realista quanto poderia ser porque, neste momento, na história da galáxia, não há Jedi, [não há] nenhuma solução a não ser que as pessoas decidam fazer alguma coisa. A não ser que as pessoas decidam fazer parte da mudança.

E essa é uma história que, hoje em dia, me interessa muito contar, uma história sobre o que somos capazes. E o Tony [Gilroy] é um excelente argumentista e não cai nos ‘standards’ de certo e errado, ele vive nas zonas cinzentas, sabes? Ele quer representar as vidas das pessoas que são parte desta reação, desta revolução. Mas, ao mesmo tempo, vemos as pessoas do outro lado, porque elas também vivem as suas vidas e também têm os seus desafios.

Conseguimos conhecer pessoas reais que trabalham para o Império e vamos ver como é isso. Porque para compreender a opressão, tens de ver o quadro completo. De forma a perceberes o motivo de uma revolução e como foi possível.

Considera que o desfecho de ‘Rogue One’ altera a forma como as pessoas se sentem com ‘Andor'? Seria o mesmo se Cassian tivesse sobrevivido?

Penso que ficarias muito mais interessado em ver ‘Andor’ depois de saberes o que este homem estava disposto a sacrificar por uma causa. O compromisso e a clareza, os ideais que o movem... É importante, é parte dele.

Adoro ver peças históricas, adoro ir a sítios onde sei que houve momentos que aconteceram, que existiram, e ver filmes e histórias íntimas sobre o que aconteceu em torno de determinada questão. Gosto muito de ver porque não o faço para saber o que acontece, mas para saber porque acontece, como foi possível, sabes? O que tem de acontecer na vida de alguém para que seja capaz de sacrificar tudo? Como é o passado dessa pessoa? O que é que ela deixa para trás?

Todas essas questões são muito interessantes para mim precisamente porque sei o final. É uma abordagem interessante à forma de contar a história e também considero que será refrescante para o público.

É maravilhoso para um ator chegar ao ponto de chegar a um ‘set’ e perceber a lógica - de repente o teu personagem ganha um propósito e um motivo para estar lá.

O que sente a respeito do aspeto de ‘Andor’ em oposição a outras séries e filmes de ‘Star Wars’?

Primeiro que tudo, tenho de dizer o quão impressionado e entusiasmado fiquei por trabalhar com um designer de produção tão incrível como o Luke [Hull]. Ele é tão preciso, tão cativante… Não há nenhuma questão sobre o contributo dele. Porque tudo tem um significado, tudo tem um propósito, nada está lá porque parece fixe, sabes?

Há uma lógica em todos os designs que faz e ele também é muito ambicioso, faz parecer com que alguém vive realmente nos cenários. Como poderia este lugar ser a cidade destas pessoas? E é maravilhoso para um ator atingir o ponto de chegar a um ‘set’ e perceber a lógica - de repente o teu personagem ganha um propósito e um motivo para estar lá. É ótimo.

Uma coisa que o Tony [Gilroy] sempre diz é que esta série tem de parecer real. Tens de esquecer que estás numa galáxia muito, muito distante. Tens de sentir que este universo, esta cidade, estes espaços, estas divisões específicas e roupas são possíveis, são reais, são usadas e que estas personagens poderiam existir. Tens de esquecer que estás a olhar para ficção científica.

Claro, há a grande escala da ficção científica, entra a ação e a aventura está lá. Mas depois há momentos de intimidade nas vidas destas personagens e não deves esquecer isso. Penso que o Tony [Gilroy] e o Luke [Hull] fizeram um trabalho excelente em garantir que davam à história, às personagens e aos atores as ferramentas necessárias para se tornarem reais.

Como é a relação entre o Luthen e o Cassian? Como foi trabalhar com o Stellan Skarsgård?

Primeiro de tudo, o Stellan é um ator fantástico. Ele é alguém que admiro desde a minha juventude, tem sido uma referência na minha vida. Tive a oportunidade de o conhecer antes de ‘Andor’ e ele é a pessoa mais doce. É uma pessoa muito humilde, muito divertida.

Sobre ‘Andor’, é maravilhoso trabalhar com ele porque está sempre consciente dos processos das pessoas que tem à volta. Ele percebe o que é colaborar da melhor forma possível. Percebe que isto não é sobre o processo dele, é sobre o que conseguimos fazer juntos. Ele estava sempre disposto a tentar coisas novas e de brincar um pouco, sempre de bom-humor… É incrível porque o processo foi duro para muitos de nós, que viemos de outros países e não podíamos voltar para casa por causa das restrição impostas pela Covid-19. Por isso estivemos sempre lá e foi um processo solitário, mas lembro-me sempre do Stellan ser afetuoso e simpático. Não poderia escolher trabalhar com melhores pessoas e o Stellan é uma delas.

No que diz respeito ao Luthen, ele é uma personagem que vê no Cassian aquilo que nem ele próprio consegue ver. É uma daquelas pessoas na vida do Cassian que torna possível a sua versão de ‘Rogue One’, porque o Luthen reconhece o que ele é capaz de fazer. E todos precisamos de pessoas assim nas nossas vidas e ter aqueles comentários que ativam algo em nós, das pessoas que olham para nós de uma perspetiva que não conseguimos ter.

Leia Também: 'Andor' revela como surgiu a aliança rebelde "a uma escala épica"

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