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"A pior coisa que podia acontecer ao Ventura seria ir para um Governo"

Manuela Ferreira Leite considera que, se o Chega chegasse ao poder, ficava claro que "não havia estruturas do partido para desempenhar uma função" governativa.

"A pior coisa que podia acontecer ao Ventura seria ir para um Governo"

A antiga líder do Partido Social Democrata (PSD), Manuela Ferreira Leite, comentou, esta sexta-feira, as sondagens que dão conta do crescimento do Chega no ato eleitoral, afirmando que "os votos que estão a ser transferidos para o Chega vêm mais do PS do que do PSD/AD", contudo, André Ventura não teria condições para desempenhar funções num Governo.

Algumas sondagens dão conta que o Chega pode chegar a 21% de eleitores, um resultado expressivo que nunca antes foi alcançado. 

"Com estes resultados, pode-se concluir que os votos que estão a ser transferidos para o Chega vêm mais do PS do que do PSD/AD, o que pode solidificar a ideia de que é um voto de protesto. Evidentemente que isto atinge uma dimensão que, em democracia, é difícil ignorar. E o Chega nasceu como um partido de protesto, tem crescido, mas não evoluiu. É um partido de protesto que criou a dimensão de um partido de poder", afirma Ferreira Leite no seu espaço de comentário na CNN Portugal.

Na remota eventualidade de algum partido se juntar ao Chega para fazer Governo, tendo em conta os discursos dos líderes partidários, Manuela Ferreira Leite considera que mesmo que "tenham quadros, ninguém os conhece", algo que diz ser "fundamental" para "estruturar um partido" para "tomar decisões".

"Não sei como é que isto se resolve. Estas coisas resolvem-se dando-lhes a beber o veneno que se está a querer dar aos outros. Porque é um partido, que se lhe dessem um Governo, não tinha quem ir buscar, nem a maioria das coisas que diz conseguiria concretizar", acusa.

A social-democrata considera que o Chega não iria "resolver nada do ponto de vista da governação do país", nem teria "forma de ocupar algumas pastas", porque não se lhe conhecem "pessoas". Por isso, os eleitores poderão "fazer um voto de protesto", apostando "num voto útil na AD".

Tendo em conta a expressividade da percentagem nas sondagens, ignorar o Chega como solução de poder "seria difícil" uma vez que vivemos numa democracia, porque seria "ignorar uma fatia tão importante do eleitorado".

"Estou convencida de que a pior coisa que pode acontecer ao André Ventura seria ter de ir para um Governo porque, nessa altura, ficava 'às claras', sem nenhuma espécie de dúvida que não havia estruturas do partido para desempenhar uma função no Governo", salienta Ferreira Leite.

O socialista Sérgio Sousa Pinto rebate, dizendo que, na sua opinião, "a grande dificuldade do Chega, confrontado com responsabilidades de poder, ter de satisfazer todas as promessas ditirâmbicas, irrealistas e demagógicas que fez ao país. O Chega nunca teve em nenhum espaço de poder confrontado com a dureza e os limites ditados pela realidade".

"Ia ser o seu miserável e abjeto fracasso que, certamente, o penalizaria", atira ainda Sousa Pinto, reiterando que "nem que tivesse milhões de quadros altamente qualificados, disputados por todas as instâncias nacionais e estrangeiras".

O socialista considera que "o país penalizaria duramente o PSD escolhesse o caminho de um diálogo com o Chega", algo que acredita que não irá acontecer "agora", tendo em conta as declarações de Montenegro.

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