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BE entre o afastamento da direita e o acordo estável à esquerda

Determinado em deixar o chumbo do orçamento para trás, o BE apostou numa campanha pela manutenção como terceiro partido, contra a direita no poder e focado numa solução governativa à esquerda com um acordo de legislatura com o PS.

BE entre o afastamento da direita e o acordo estável à esquerda

Quando a caravana do BE se fez à estrada rumo às legislativas de domingo, os discursos da coordenadora bloquista, Catarina Martins, apontavam críticas ao PS de António Costa pela obsessão com a maioria absoluta, estando os objetivos bloquistas definidos desde o início: ser a terceira força política, reforçada, e impor assim ao PS uma negociação para uma solução no dia seguinte.

Os slogans "razões fortes, compromissos claros" (visível nos 'outdoors' e outros materiais de campanha) e "Bloco. Esquerda de confiança" (que todos os dias tinha lugar de destaque nos palcos dos comícios) davam as indicações sobre o que pretendia o BE com esta campanha: deixar para trás o chumbo do Orçamento do Estado que precipitou esta crise política e colocar o partido numa posição que lhe permita de novo negociar com António Costa.

Catarina Martins foi criticando os socialistas por "queimarem pontes à esquerda" e serem o único partido da antiga geringonça que não dava sinais de entendimento, sendo, nas palavras do fundador Francisco Louçã, "um mistério" sobre o futuro da governação aquele em que mergulhou a campanha do PS.

Insistindo, todos os dias, na necessidade de um contrato para o país pela saúde, salário, pensão e clima, a líder do BE manteve-se firme no propósito de transmitir uma imagem de responsabilidade, disponibilidade e confiança do partido.

Com as sondagens -- que Catarina Martins respeita, mas não comenta já que "há para todos os gostos" -- a dar conta do crescimento da direita e da aproximação do PSD ao PS, foi a meio da campanha que o BE lançou um apelo e um convite que viria a marcar os dias seguintes.

De manhã, no final de uma visita a uma feira -- ação que tem sido uma constante para abrir os dias de campanha e onde Catarina recebeu apoio, elogios, mas também críticas pelo chumbo do orçamento -, a líder do BE aconselhou o PS a "mudar de agulha" porque a estratégia estava a abrir "caminho à direita".

À tarde, no maior comício de toda a campanha -- que reuniu cinco centenas de pessoas, entre as quais as principais caras bloquistas -- Catarina Martins fez um convite direto a António Costa.

"Digo por isso ao doutor António Costa que o Bloco está disponível e o convida para que nos reunamos no dia 31 de janeiro para trabalharmos numa agenda de medidas e metas para quatro anos. Levarei para a mesa as prioridades na saúde, no trabalho e no clima. Nessa mesa estarão todos os que foram esquecidos nestes anos e lá estarão as soluções para respeitar este povo", apelou.

A partir deste momento, e depois do PS ter dado os primeiros sinais de abertura ao diálogo com todos "menos com o Chega, a agulha dos discursos virou mais para a direita, cujo programa escondido e malefícios para o país foram por diversas vezes apontados, mas também para "os esquecidos do PS".

Afastar a direita do poder é, segundo Catarina Martins, a responsabilidade da esquerda e é por isso que tem insistido na necessidade do PS ser claro e sair do 'nim' sobre entendimentos, garantindo em diferentes intervenções que é o voto do BE que impede um Governo liderado por Rui Rio.

À direita, fortes críticas também para o partido de André Ventura e, no Bairro da Jamaica com a companhia da família Coxi, que foi insultada pelo presidente do Chega, foi fixada outra meta para a noite de domingo: o BE reforçado como terceira força política será "a derrota do racismo de André Ventura".

A campanha, como tudo o resto, foi marcada pela pandemia, tendo o partido adaptado a sua volta, eliminando almoços e jantares, impondo regras sanitárias e fazendo testes diários à equipa que acompanha Catarina Martins.

Leia Também: Catarina Martins na feira dos agradecimentos, apoios, queixas e lamentos

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