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"Isto até custa dizer mas o PSD está-se a tornar um partido rural"

Centro-direita 'órfão' de causas traz fragilidades à democracia lusa, considera Marques Mendes.

"Isto até custa dizer mas o PSD está-se a tornar um partido rural"

As eleições Europeias "têm muito que se lhe diga, quer à Esquerda quer à Direita", afirmou Marques Mendes este domingo no lançamento da sua opinião na antena da SIC sobre as eleições europeias do passado domingo.

Para o PS, a maioria absoluta "que antes das Europeias estava enterrada", agora viu "renascer a hipótese" com os resultados nas Europeias. E porquê? "Não é tanto pelo resultado do PS, que não foi extraordinário, foi quase poucochinho. Mas é pela distância entre o PS e o PSD, que ficou em segundo lugar a quase 11 pontos [percentuais]".

Marques Mendes acredita que o PS agora pode voltar "a sonhar" com a hipótese de maioria absoluta. No entanto, ainda que esta falhe, tem margem. "Se o PS não tiver [maioria absoluta], vai ficar muitíssimo próximo".

Para o comentador, se se verificar este cenário, com os socialistas sem maioria absoluta mas próximo dela, "o PS vai fazer um governo minoritário".

"Não vai fazer propriamente uma 'geringonça'. Vai fazer um governo minoritário e ora negoceia no Parlamento à Direita, com o PSD e o CDS, ora negoceia à Esquerda com Bloco e PCP ou o PAN. Será um Governo de geometria variável. É uma solução precária e instável mas já a tivemos com António Guterres”. Esta situação, porém, num segundo Executivo liderado por António Costa poderá já estar mais sujeita a “desgaste”, considera.

E à Direita?

Se PSD e CDS vierem a ter "maus resultados nas legislativas, isso vai levar a crises internas", alerta.

"A democracia precisa de um Governo forte mas também de uma oposição forte. Mas infelizmente a oposição está a atravessar um dos piores momentos da sua história, senão o pior", salientou Marques Mendes, que sobre o caso do PSD em particular - partido a que já presidiu - foi ainda mais longe.

"Isto até custa dizer mas o PSD está-se a tornar um partido rural. Quase não tem implantação nos grandes centros urbanos, onde estão os votos. E quase que parece estar a mudar a sua natureza de partido grande, acima de 30%, para um partido médio, na ordem dos 20 e pouco por cento".

Para Marques Mendes "isto não é um mero problema de comunicação".

Em primeiro lugar, salientou, "faltam causas concretas ao PSD e ao CDS. Ao longo destes anos, se perguntar às pessoas que grandes questões foram levantadas pelo PSD e CDS… as pessoas não se lembram".

"O PSD e o CDS tinham duas causas tradicionais, fortes: o rigor financeiro e o crescimento económico. O problema é que estas duas causas foram apropriadas pelo PS, como eu estou farto de dizer aqui [na antena da SIC] há vários comentários", realçou.

"Em segundo lugar", prosseguiu, "faltam protagonistas de peso no PSD e CDS. E não é apenas nos líderes, é para além dos líderes. Mas é evidente que isto tem influência nos líderes. Cristas tem talento mas não tem o capital político de Paulo Portas. Rui Rio tem qualidades mas não tem o capital político de Passos Coelho, por exemplo".

A finalizar, Marques Mendes considerou que "falta coesão na área do centro-direita. PSD e CDS estão praticamente de costas voltadas um para o outro. E em vez de novas causas, estão a tratar da mercearia política".

Operação STOP? "Diretora-geral da AT deve demitir-se. Foi negligente"

Sobre a polémica operação STOP levada a cabo pelo Fisco, Marques Mendes considerou que a mesma prova que o Estado é "prepotente" com uns mas faz "vista grossa" aos devedores à banca. Porque "uma coisa é o combate a sério à evasão fiscal, outra coisa é o abuso de poder", contestou.

Mais. “Se a diretora-geral não sabia, tinha obrigação de saber, que os documentos estavam lá. No mínimo teve uma atitude negligente”, algo que, para Marques Mendes, merece que peça "a demissão" ou que “no mínimo coloque o lugar à disposição”. “É assim que as pessoas devem agir quando têm uma falha”, realçou Marques Mendes.

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