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"O Partido Socialista está transformado no Partido da Família"

Joaquim Jorge reflete sobre a polémica gerada devido ao número de relações familiares entre os membros do Governo.

"O Partido Socialista está transformado no Partido da Família"
Notícias ao Minuto

14:57 - 27/03/19 por Filipa Matias Pereira

Política Joaquim Jorge

O Partido Socialista "está transformado" no Partido da Família. Quem o diz é Joaquim Jorge. Num texto envio à redação do Notícias ao Minuto, o fundador do Clube dos Pensadores defende que em Portugal "já existem leis suficientes e um código de conduta relacionado com titulares de cargos públicos. Não é preciso mais leis", o problema, advoga, "é a sua interpretação e o contornar essas leis com um desplante enorme".

No Código de Conduta, explica o biólogo, "está tipificado o conflito de interesses: considera‐se que existe conflito de interesses sempre que titulares de cargos públicos tenham um interesse pessoal ou privado, para os próprios, respetivo cônjuge, algum parente ou afim em linha reta ou até ao 2.º grau da linha colateral, bem como qualquer pessoa com quem vivam em economia comum, suscetível de colocar em causa a atuação imparcial e de prossecução do interesse público no desempenho das suas funções profissionais".

Este imperativo legal "não impede o Governo de nomear familiares, mas é eticamente reprovável e consubstancia falta de sentido de serviço público. Não está assegurada e fomentada uma imagem de responsabilidade, independência e integridade e valorizado o rigor e a credibilidade".

Joaquim Jorge refere-se em concreto ao facto de o PS estar no centro da polémica que envolve ligações familiares, nomeadamente entre o ministro Vieira da Silva e a sua filha, Mariana Vieira da Silva, promovida a ministra da Presidência e da Modernização Administrativa; e entre Pedro Nuno Santos, recém nomeado ministro das Infraestruras e Habitação, e Catarina Gamboa, com quem é casado, e que, por sua vez, foi nomeada chefe de gabinete de Duarte Cordeiro, que subiu a secretário de Estado Adjunto e dos Assuntos Parlamentares na última remodelação governamental.

Considera o biólogo de formação que o PS "ainda não percebeu que há coisas que se passam na vida pública que se podem fazer, mas não se devem fazer". Atualmente, continua, "há mais gente a pensar que Portugal vai em boa direção, mas com este tipo de episódios começa a pensar duas vezes". Para Joaquim Jorge, "a política não pode ser 'eles' (políticos) e 'nós' (povo)". 'Eles', explica ainda, são "os privilegiados, os que têm acesso a toda a informação, os que têm os melhores lugares de poder. 'Nós'," os que assistimos ao filme a comer pipocas e nada podemos fazer".

"Esta enxurrada de nomeações de familiares é uma coisa ruim para a democracia. Os portugueses aceitam tudo e mais alguma coisa com passividade e parcimónia. O fatalismo da política à portuguesa", termina.

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