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Fake news não é só combate político, é para "destruir uma pessoa"

Miguel Sousa Tavares não vê por que razão Portugal estaria imune ao fenómeno das fake news.Vamos estar fatalmente em risco, vamos sempre atrás das modas

Fake news não é só combate político, é para "destruir uma pessoa"
Notícias ao Minuto

22:13 - 12/11/18 por Melissa Lopes 

Política Miguel Sousa Tavares

O fenómeno das notícias falsas começa agora a ser debatido, também, em Portugal. A um ano das eleições legislativas, as fake news são encaradas como uma ameaça à democracia. Miguel Sousa Tavares, que comentou o tema na antena da TVI, referiu que o fenómeno está intimamente ligado às redes sociais, pelo “efeito multiplicador que dão a uma notícia falsa e pela irresponsabilidade com que ela é partilhada”.

Segundo o entendimento do escritor, e também jornalista, “alguém que coloca uma notícia falsa numa rede social é como um incendiário que pega fogo a uma floresta”.

E deu um exemplo de uma situação que se passou com o próprio, há cerca de cinco, seis anos, quando um blogue de educação lhe atribuiu uma frase que Sousa Tavares garante que nunca disse nem escreveu. A frase em questão - “Os professores são os inúteis mais bem pagos deste país”- continua, no entanto, a ser atribuída a Sousa Tavares, apesar de ter sido desmentida várias vezes pelo próprio.

O escritor deu o seu exemplo para mostrar que as fake news podem ser usadas, não só no combate político, como também na difamação pessoa, “para destruir uma pessoa”.

O que preocupa Sousa Tavares é que as pessoas que recorrem às redes sociais são precisamente as que menos informação consomem.  E “mais vão às redes sociais e a informação que consomem esgota-se ali, que é onde estão as notícias falsas, isto é um círculo vicioso”, constatou, alertando que é quando esse círculo se fecha que as pessoas passam a consumir apenas notícias falsas e a, consequentemente, formar uma opinião e um sentido de voto com base nelas.

“Foi assim que Bolsonaro se conseguiu eleger no Brasil, não indo a nenhum debate, não indo a nenhuma entrevista com jornalistas que não fossem escolhidos por ele, recusando-se a fazer campanha e unicamente apoiando-se nas redes sociais através de notícias falsas”, recordou o escritor.

Miguel Sousa Tavares não tem qualquer dúvida de que o fenómeno vai chegar a Portugal. “Vamos estar fatalmente em risco porque não temos nenhum vírus anti-mentirosos e porque vamos sempre atrás das modas”, vaticinou, reforçando a ideia: “Somos um país de brandos de costumes mas não vejo porque é que havemos de estar imunes. Infelizmente isto é o futuro". 

“O que me preocupa é que amanhã, o nosso voto, feito em consciência, é anulado por quem engoliu a primeira mentira que alguém lhe enfiou no telemóvel”, lamentou, atribuindo ao jornalismo a importância que tem neste âmbito. “O jornalismo nunca foi tão importante para a vida dos povos e para a saúde da democracia como hoje. Por isso é que eu estou aqui”, finalizou.

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