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Marcelo "deve evitar esta troca de farpas e de críticas mútuas"

Joaquim Jorge defende que o atual Presidente devia ter "respeitado o que [Cavaco] disse para bem de um bom ambiente”

Marcelo "deve evitar esta troca de farpas e de críticas mútuas"
Notícias ao Minuto

13:43 - 01/10/18 por Filipa Matias Pereira

Política Joaquim Jorge

Apesar de assumir que votou em Marcelo de Rebelo de Sousa, contribuindo, deste modo, para o eleger enquanto chefe de Estado, Joaquim Jorge mostra-se surpreendido com “as picardias com Cavaco Silva”, pese embora não estar arrependido do seu sentido de voto.

Ao longo do seu mandato, Marcelo sempre se referiu ao seu antecessor de forma “elogiosa e compreensiva”, recorda o fundador do Clube dos Pensadores, acrescentando que o Presidente “tem sido uma surpresa com o seu corte radical com o distanciamento do uso raro da palavra de Cavaco”. Pelo contrário, Marcelo “é efusivo, comunicativo e próximo das pessoas”.

E é por estas circunstâncias que o comentador, num texto enviado à redação do Notícias ao Minuto, manifesta que “não estava à espera desta disputa entre Marcelo e Cavaco”. E Joaquim Jorge recorda ainda que “Cavaco Silva sempre indicou Marcelo Rebelo de Sousa para conselheiro de Estado dos cinco nomes que cabem ao Presidente”.

Em concreto, o fundador do Clube dos Pensadores refere-se ao facto de Cavaco Silva ter defendido que a não recondução da Joana Marques Vidal é algo que considera “muito estranho". "Sou levado a pensar que esta decisão política de não recondução de Joana Marques Vidal é talvez a mais estranha tomada num mandato de Governo que geralmente é reconhecido como Geringonça", acrescentou ainda o antigo chefe de Estado.

Perante esta situação, o Presidente da República lembrou que a decisão de nomear a nova procuradora-geral da República foi dele e não do Governo, escusando-se a comentar a crítica de Cavaco Silva sobre o assunto. O biólogo considera, por isso, que “Marcelo não esteve bem ao mostrar alguma hipersensibilidade”.

Marcelo Rebelo de Sousa, defende, “tem que ter capacidade de aceitar opiniões diferentes da sua, ainda mais do seu antecessor e não é imune a críticas”. Deveria ter “respeitado o que [Cavaco] disse para bem de um bom ambiente”, refere, frisando ainda que recentemente o chefe de Estado “condecorou e fez rasgados elogios a Mário Soares que se fartou de criticar o Presidente que veio a seguir a ele (Cavaco Silva)”.

Todos os portugueses, continua, “já perceberam que Marcelo e Cavaco são pessoas diferentes, com estilos diferentes e que têm a sua forma de interpretar a Presidência da República. Não são diferenças banais, mas os portugueses votaram nos dois por maioria absoluta”.

A opinião de Cavaco “com os diabos, não passa disso e vem de encontro à forma de pensar de muitos portugueses que gostariam de ter visto Marques Vidal continuar no cargo! Ter uma opinião pela recondução da PGR Marques Vidal não vem nenhum mal ao mundo”.

Joaquim Jorge deixa, assim, um conselho a Marcelo: “Apesar de não mo ter pedido, é aceitar, por vezes, que Cavaco Silva possa ter outra opinião. A política para quem governa tem amiúde falta de empatia e nem sempre tem razão”.

Marcelo “é o presidente. Deve evitar esta troca de farpas e de críticas mútuas. Cavaco não se ficou e saiu da cerimónia de inauguração de Campus antes de Marcelo discursar”. Joaquim Jorge vai ainda mais longe e defende que “o que se está a assistir entre Marcelo e Cavaco não é bonito e a política não pode viver a golpe de casos e espetáculo”.

“Os políticos e quem governa querem aplausos, vénias e reverência, parafraseando Augusto Branco, poeta e escritor brasileiro: “Os políticos gostam do ideal de liberdade de expressão até ao momento em que começam a ouvir aquilo que eles não gostariam que dissessem a respeito deles", termina.

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